Carta de um Reformador jovem a jovens estudantes

Pois, não importa quanta engenhosidade possuam os perversos, eles são destituídos do que é primordial, a saber, a genuína piedade. − João Calvino (1509-1564)[1]   A verdadeira sabedoria se manifesta na observância da lei. − João Calvino.[2] Não existe piedade sem devida instrução. – João Calvino.[3]   Feriado proveitoso No feriado, enquanto preparava meu sermão…

Pois, não importa quanta engenhosidade possuam os perversos, eles são destituídos do que é primordial, a saber, a genuína piedade. − João Calvino (1509-1564)[1]  

A verdadeira sabedoria se manifesta na observância da lei. − João Calvino.[2]

Não existe piedade sem devida instrução. – João Calvino.[3]

 

Feriado proveitoso

No feriado, enquanto preparava meu sermão de domingo e fazia algumas leituras, deparei-me incidentalmente com uma carta de Calvino (1509-1564) que eu desconhecia − aliás, conheço pouco de sua vasta correspondência − dirigida a um jovem. Achei-a oportuna, instrutiva e edificante, e por isso destaco, ao longo deste texto, alguns aspectos que me chamaram a atenção.

Como sabemos, Calvino está convencido de que ninguém pode “provar sequer o mais leve gosto da reta e sã doutrina, a não ser aquele que se haja feito discípulo da Escritura”.[4] E, que “só quando Deus irradia em nós a luz de seu Espírito é que a Palavra logra produzir algum efeito”.[5] Portanto, “O conhecimento de todas as ciências não passa de fumaça quando separada da ciência celestial de Cristo”.[6] Deste modo, “O homem que mais progride na piedade é também o melhor discípulo de Cristo, e o único homem que deve ser tido na conta de genuíno teólogo é aquele que pode edificar a consciência humana no temor de Deus”.[7]

Percebe-se que, para Calvino, o estudo só tem valor quando conduz à devoção. Esse mesmo espírito foi ecoado por outros reformadores. O luterano Davi Chyträus (1530-1600) – aluno de Melanchthon (1497-1560) – resumiu bem este espírito, quando escreveu em 1581: “Demonstramos ser cristãos e teólogos muito mais por meio da fé, da vida santa e do amor a Deus e ao próximo, do que por meio da astúcia e das sutilezas das polêmicas”.[8] Ele também costumava repetir aos seus alunos durante o ano: “O estudo da teologia não deve ser conduzido por meio da rixa e disputa, mas pela prática da piedade”.[9]

 

Conhecimento para Glória de Deus

Calvino entendia que as ciências e humanidades deveriam ser usadas para a glória de Deus. Devemos nos valer dos recursos disponíveis, como por exemplo, para proclamar o evangelho: “… a eloquência não se acha de forma alguma conflitante com a simplicidade do evangelho quando, livre do desprezo dos homens, não só lhe dá o lugar de honra e se põe em sujeição a ele, mas também o serve como uma empregada à sua patroa”.[10]

No entanto: “Para que possa haver eloquência, devemos estar sempre em alerta a fim de impedir que a sabedoria de Deus venha sofrer degradação por um brilhantismo forçado e corriqueiro”.[11] A eloquência “é um dom muito excelente, mas que, quando se vê divorciado do amor, de nada serve para alguém obter o favor divino”.[12] Em outro lugar, respondendo a uma possível pergunta referente à possibilidade de Paulo estar condenando a sabedoria de palavras como algo que se acha em oposição a Cristo (1Co 1.17), diz:

Paulo não seria tão irracional que condenasse como algo fora de propósito aquelas artes, as quais, sem a menor dúvida, são esplêndidos dons de Deus, dons estes que poderíamos chamar de instrumentos para auxiliarem os homens no desempenho de suas atividades nobres. Portanto, não há nada de irreligioso nessas artes, pois são detentoras de ciência saudável, e estão subordinados a princípios verdadeiros; e visto que são úteis e adequáveis às atividades gerais da sociedade humana, é indubitável que sua origem está no Espírito. Além do mais, a utilidade que é derivada e experienciada delas não deve ser atribuída a ninguém, senão a Deus. Portanto, o que Paulo diz aqui não deve ser considerado como um desdouro das artes, como se estas estivessem agindo contra a religião.[13]

 

A eloquência do Espírito

A questão está em não usar desses meios como sendo a força do evangelho, esquecendo-se de sua simplicidade que é-nos comunicada pelo Espírito. Escreve em lugares diferentes:

Não devemos condenar nem rejeitar a classe de eloquência que não almeja cativar cristãos com um requinte exterior de palavras, nem intoxicar com deleites fúteis, nem fazer cócegas em seus ouvidos com sua suave melodia, nem mergulhar a Cruz de Cristo em sua vã ostentação.[14]

O Espírito de Deus também possui uma eloquência particularmente sua. (…) A eloquência que está em conformidade com o Espírito de Deus não é bombástica nem ostentosa,[15] como também não produz um forte volume de ruídos que equivalem a nada. Antes, ela é genuína e eficaz, e possui muito mais sinceridade do que refinamento.[16]

A erudição unida à piedade e aos demais dotes do bom pastor, são como uma preparação para o ministério. Pois, aqueles que o Senhor escolhe para o ministério, equipa-os antes com essas armas que são requeridas para desempenhá-lo, de sorte que lhe não venham vazios e despreparados.[17]

O homem que mais progride na piedade é também o melhor discípulo de Cristo, e o único homem que deve ser tido na conta de genuíno teólogo é aquele que pode edificar a consciência humana no temor de Deus.[18]

Deve ser enfatizado que Calvino usou como ninguém de todas as ferramentas então acessíveis para uma boa exegese,[19] dispondo o seu material de forma clara, lógica e simples, sendo chamado, não sem razão, de o “príncipe dos expositores”.[20]

Em sua interpretação bíblica, Calvino combinou de forma harmoniosa a análise filológica com a teológica associando tudo isso a um pensamento construtivo que fez com que a sua teologia tivesse seus próprios fundamentos na Palavra de Deus.[21] Ele foi de fato o exegeta por excelência da Reforma,[22] sustentando que a Escritura é a melhor intérprete de si mesma.[23] Portanto, qualquer doutrina ou mesmo profecia, que não se harmonize com Escritura, “a norma da fé”, será considerada falsa.[24] Desse modo, em nossa interpretação, devemos nos limitar ao revelado. Como vimos: “… Que esta seja a nossa regra sacra: não procurar saber nada mais senão o que a Escritura nos ensina. Onde o Senhor fecha seus próprios lábios, que nós igualmente impeçamos nossas mentes de avançar sequer um passo a mais”.[25]

 

A Carta de 1540[26]

Esses princípios aparecem não apenas em seus tratados, mas também em sua correspondência pastoral. Um exemplo marcante é a carta de 1540. Durante seu exílio em Estrasburgo (1538-1541), Calvino escreveu uma carta a um jovem estudante cujo nome não foi preservado. Nesse período, atuava como pastor e professor, intensamente envolvido na formação de jovens e na vida acadêmica da cidade.

Com apenas 31 anos, já havia publicado a primeira edição das Institutas (1536), a segunda edição ampliada em latim (1539), sua célebre Resposta a Sadoleto (1539) e o Comentário de Romanos (1540). Além disso, estava no processo de concluir a tradução francesa das Institutas, publicada em 1541, que, além de sua beleza literária,[27] ampliou o alcance da Reforma entre as cidades de fala francesa.

O destinatário da carta, embora incerto, é descrito como alguém dedicado aos estudos, mas em risco de se perder em erudição sem piedade − preocupação central de Calvino, que, como vimos, sempre insistiu que o conhecimento só encontra sentido verdadeiro quando conduz à devoção e à reforma da vida.

Assim, a carta se insere em um momento decisivo da produção teológica de Calvino, quando ele já se consolidava como exegeta e reformador, mas ainda jovem, zeloso em unir erudição e piedade.

Nesse escrito, ele elogia a dedicação aos estudos, mas ao mesmo tempo adverte que todo esforço intelectual deve ser orientado para abraçar uma religião mais pura. O tom é típico de Calvino: reconhece o valor da erudição, mas insiste que o conhecimento só encontra sentido verdadeiro quando conduz à piedade e à reforma da vida.

A carta também menciona dois jovens franceses que se encontravam em Estrasburgo. Calvino demonstra preocupação pastoral com eles e discute a melhor forma de encaminhá-los de volta às suas famílias na França, mas de maneira segura e adequada. Ele teme que, se enviados sem preparo ou para ambientes desfavoráveis, poderiam cair em tentações ou perigos espirituais. Por isso, defende que sejam primeiro formados em disciplina e piedade, para então regressarem fortalecidos.

A advertência é clara: muitos começam com entusiasmo, mas, ao se entregarem à preguiça e à falsa segurança, acabam se dissipando “em fumaça”. O estudo sem piedade, ou a fé sem disciplina, não sustenta a vida cristã.

Assim, a aplicação para nós é direta: nossos estudos, sejam teológicos ou acadêmicos, devem estar subordinados ao propósito maior de glorificar a Deus e servir ao próximo. O conhecimento que não se traduz em santidade e amor é vaidade; mas o saber que nasce da Palavra e se expressa em vida transformada torna-se luz para nós e para os outros.

 

Aplicação em três pontos práticos

Dessa carta podemos extrair aplicações muito atuais, que se desdobram em três dimensões da vida cristã.

 

  1. Vida pessoal: estudo que reforma o coração. O verdadeiro alvo do estudo não é apenas adquirir erudição, mas permitir que a Palavra molde nossa vida. O conhecimento que não transforma o coração é vazio. Cada leitura bíblica deve ser acompanhada de oração e disposição para obedecer. O estudo é combustível para santidade, não apenas para status intelectual.

 

  1. Serviço à Igreja: estudo que edifica os outros. O saber cristão não é um tesouro guardado para si, mas um instrumento para servir. O estudo deve preparar-nos para instruir, consolar e fortalecer irmãos e irmãs na fé. Quando dedicamos tempo às Escrituras, crescemos pessoalmente e nos tornamos aptos a edificar a comunidade. A verdadeira erudição cristã é aquela que se traduz em ministério.

 

  1. Testemunho ao mundo: estudo que ilumina. O conhecimento que nasce da Palavra e se expressa em vida transformada é luz para o mundo. Em um tempo em que muitos se dissipam “em fumaça” por indolência espiritual, o cristão chamado a estudar deve ser exemplo de disciplina e piedade. O testemunho não está apenas nas palavras, mas na vida reformada que mostra ao mundo a diferença que Cristo faz.

 

Considerações finais

Piedade deve ser unida à ciência − Gisbertus Voetius (1589-1676).[28]

O estudo sem piedade é vazio; a fé sem disciplina é frágil. Mas quando unimos estudo e devoção, nossa vida se torna reflexo da glória de Deus. Que nossos olhos estejam sempre voltados para a Escritura, não apenas para saber mais, mas para viver melhor e servir com amor.

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

_______________________________________________________ 

[1] João Calvino, Salmos, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2009, v. 4, (Sl 11.10), p. 86.

[2] João Calvino, Salmos, v. 4, (Sl 11.10), p. 87.

[3] John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 19/1, (At 18.22), p. 198.

[4] J. Calvino, As Institutas, I.6.2. Os verdadeiros discípulos da Escritura tornam-se “discípulos da Igreja” (Ver: João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 4.13), p. 126).

[5] J. Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 10.16), p. 374.

[6]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 1.20), p. 60.

[7]João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (Tt 1.1), p. 300. Para maior detalhamento deste ponto, ver: Hermisten M.P. Costa, Anotações Sobre a Hermenêutica de Calvino – Compreensão a serviço da piedade e do ensino , São Paulo, 2005.

[8]D. Chyträus, Apud Ph. J. Spener, Mudança para o Futuro: Pia Desideria, São Bernardo do Campo, SP.; Curitiba, PR.: Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião; Encontrão Editora, 1996, p. 114 e 30. (Veja-se também, Spener, Ibidem., p. 102-117).

[9] D. Chyträus, Apud Ph. J. Spener, Pia Desideria, São Bernardo do Campo, SP.: Imprensa Metodista, 1985, p. 30. (Esta frase de Chyträus foi omitida na edição mais recente  (1996)conforme explicação do editor).

[10]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Edições Paracletos, 1996, (1Co 1.17), p. 55. “Demais, ninguém terá por genuína a verdade que se apoia na excelência da oratória. Naturalmente que a oratória pode servir de auxílio para a verdade, mas esta não pode depender daquela” (João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 2.5), p. 79). “Não existe nada de grandioso em alguém ser adepto de uma elocução fluente quando o tal nada emite senão sons vazios! Portanto, aprendamos que a atratividade linguística meramente superficial, e a habilidade na transmissão do ensino, são como um corpo bem formado e saudável na aparência, enquanto o poder de que Paulo fala aqui é como a alma” (João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 4.20), p. 148-149). “Embora o Salmo contenha muitas coisas que são geralmente conhecidas, todavia ele ilustra com todo esplendor e ornamento de retórica, para que possa afetar ainda mais poderosamente os corações dos homens e adquirir para si uma autoridade ainda maior” (João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Parakletos, 2002, v. 3, (Sl 78.3), p. 197).

[11]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 2.13), p. 91.

[12]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 13.1), p. 394.

[13]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 1.17), p. 53-54.

[14]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 1.17), p. 55. “Deus quer que sua Igreja seja edificada com base na genuína pregação de sua Palavra, não com base em ficções humanas. (…) Nesta categoria estão questões especulativas que geralmente fornecem mais para ostentação – ou algum louco desejo – do que para a salvação de homens” (João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 3.12), p. 112). “A pregação de Cristo é nua e simples; portanto, não deve ela ser ofuscada por um revestimento dissimulante de verbosidade” (João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 1.17), p. 54). “(A) fé saudável equivale à fé que não sofreu nenhuma corrupção proveniente de fábulas” (João Calvino, As Pastorais, (Tt 1.14), p. 320). “Se porventura desejarmos conservar a fé em sua integridade, temos de aprender com toda prudência a refrear nossos sentidos para não nos entregarmos a invencionices estranhas. Pois assim que a pessoa passa a dar atenção às fábulas, ela perde também a integridade de sua fé” (João Calvino, As Pastorais, (Tt 1.14), p. 320).

O Diretório de Culto de Westminster (1645), falando sobre o Ministério pastoral, diz que na pregação, o ministro deve desempenhar a sua tarefa “claramente, para que o mais simples possa entender, expondo a verdade, não em palavras sedutoras de sabedoria humana, mas na demonstração do Espírito e do poder, para que a cruz de Cristo não seja tornada ineficaz; abstendo-se também de um uso sem proveito de línguas desconhecidas, frases estranhas, e cadência de sons e palavras; citando bem poucas vezes sentenças de escritores teológicos ou outros humanistas, antigos ou modernos, por mais elegantes que sejam” (O Diretório de Culto de Westminster, São Paulo: Editora os Puritanos, 2000, p. 40).

[15] “Pois ninguém é mais radical do que os mestres desses discursos bombásticos, quando fazem pronunciamentos precipitados sobre coisas das quais nada sabem” (João Calvino, As Pastorais, (1Tm 1.7), p. 34).

[16]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, (1Co 1.17), p. 56.

[17]João Calvino, As Institutas, IV.3.11. “Não se requer de um pastor apenas cultura, mas também inabalável fidelidade pela sã doutrina, ao ponto de jamais apartar-se dela” (J. Calvino, As Pastorais, (Tt 1.9), p. 313). “O pastor é aquele a cujos cuidados são confiadas almas. Não é apenas um homem fino e agradável que visita as pessoas, toma uma chávena de chá com elas à tarde ou se entretém com elas. Ele é o guardião, o vigia, o preceptor, o organizador, o diretor, que governa o rebanho. O mestre ministra instrução na doutrina, na verdade” (David M. Lloyd-Jones, A Unidade Cristã, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1994, p. 167).

[18]João Calvino, As Pastorais, (Tt 1.1), p. 300.

[19]Vejam-se: João Calvino, As Institutas, I.5.2; II.2.12-17; 12; Donald K. McKim, Calvin’s View of Scripture: In: Donald K. McKim, ed. Readings in Calvin’s Theology, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1984, p. 64-65; Alister E. McGrath, A Life of John Calvin: A Study in the Shaping of Western Culture, Oxford, UK. & Cambridge, USA.: Blackwell Publishers, (Reprinted), 1991, p. 151; Anthony N.S. Lane, John Calvin: Student of the Church Fathers, Grand Rapids, Mi: Baker Books, 1999, especialmente, p. 15-66.

[20]Cf. a expressão de Singer (C. Gregg Singer, John Calvin: His Roots and Fruits, Greenville: Abingdon Press, 1989, p. 6). Os editores das obras de Calvino em Brunswick, comparando Calvino com outros reformadores, concluem que ele pode, com justiça, ser chamado de o “príncipe e guia (standard-bearer) dos teólogos” (Cf. John Murray, Calvin as Theologian and Expositor, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, (Collected Writings of John Murray, v. 1), 1976, p. 306).

[21] Ver: Thomas F. Torrance, The Hermeneutics of John Calvin, Edinburgh: Lindsay & Co. Ltd., 1988, p. 61.

[22] “A palma pertence a Lutero como tradutor; a Calvino como intérprete da Palavra” (Jorge P. Fisher, Historia de la Reforma, Barcelona: CLIE., (1984), p. 204). “Lutero foi o príncipe dos tradutores; Calvino, o príncipe dos comentaristas” (P. Schaff, The Creeds of Christendom, v. 1, p. 459). “O maior exegeta e teólogo da Reforma foi indubitavelmente Calvino” (F.W. Farrar, History of Interpretation, London: Macmillan and Co., 1886, p. 342 (Edição fac-símile feita pela Kessinger Publishing)). “Ele foi um dos maiores intérpretes da Escritura que já viveu” (F.W. Farrar, History of Interpretation, p. 343). Murray acrescenta: “Calvino foi um exegeta e teólogo bíblico de primeira linha” (John Murray, em Introdução à tradução americana da Instituição, (Reformation History Library, [CD-ROM], (Albany, OR: Ages Software, 1997), p. 4). “O maior exegeta do seu tempo….” (Henri Strohl, O Pensamento da Reforma, São Paulo: ASTE, 1963, p. 222). “Ele encontra-se facilmente entre os mais brilhantes (comentaristas) de sua era” (Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 167). “João Calvino (1509-1564), o maior exegeta da Reforma….” (David S. Dockery, Hermenêutica Contemporânea à luz da Igreja Primitiva, São Paulo: Editora Vida, 2005, p. 154).

[23] Veja-se: João Calvino, Exposição de Romanos, (Rm 12.6), p. 430-432; As Institutas, IV.17.32.

[24]João Calvino, Exposição de Romanos, (Rm 12.6), p. 432. “A palavra de Deus, à única norma do genuíno discernimento, a qual é aqui declarada como indispensável a todos os cristãos” (João Calvino, Exposição de Hebreus, (Hb 5.14), p. 143).

[25]J. Calvino, Exposição de Romanos, (Rm 9.14), p. 330. Veja-se também: João Calvino, As Institutas, I.14.4. “A Escritura é a palavra de Deus, que é a fonte de toda a sabedoria. Isso significa que a Escritura deve desempenhar um papel fundamental como fonte de sabedoria e conhecimento” (Vern S. Poythress, O senhorio de Cristo: servindo o nosso Senhor o tempo todo, em toda a vida e de todo o nosso coração, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 50).

[26]João Calvino, Calvinus Incerto: In:  CUNITZ, Edouard, BAUM, Johann-Wilhelm, REUSS, Eduard Wilhelm Eugen, (eds.). Joannis Calvini opera quae supersunt omnia. Brunsvigae: C.A. Schwetschke, 1873. (Corpus reformatorum), v. 11, Col. 56-59.

[27]Aludindo à tradução francesa das Institutas de 1541 – tradução que, juntamente com outros dos seus muitos e belos escritos, contribuiu para modelar essa língua, comenta Claretie (1862-1924):

“O livro é um dos primeiros monumentos duradouros da prosa francesa.  De um estilo sóbrio, claro, de uma eloquência incomparável, de uma linguagem firme, de um entusiasmo ardente, de uma convicção imperativa, de uma dialética firmada numa razão rígida, além disso, percebe-se um pouco de graça a fim de amaciar a linguagem difícil e tensa.  Todavia, Calvino “é um dos pais do nosso idioma”, como cita Pasquier, tendo feito pela prosa francesa, o que Lucrécio fez pela poesia latina: suavizou a língua para ela expressar as ideias sérias e duras”  (Léo Claretie,  Histoire de la Littèrrature Française (900-1900), Tome Premier: des origines au dix-septième siècle, Paris: Socièté d’Èditions Littèraires et Artistiques, 1905, p. 252). Na mesma linha, escreve Lefranc (1863-1952):

“Depois de passados quatro séculos, a voz unânime da posteridade tem consagrado o texto francês das Institutas da Religião Cristã como uma das mais nobres e perfeitas obras-primas da nossa literatura” (Abel Lefranc, Grands Écrivains Français de la Renaissance,  Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1914, v. 2, p. 305).

Schaff (1819-1893) diz que Calvino “escreveu em duas línguas com igual clareza, força e elegância” (Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 267). Vejam-se também, entre outros, o testemunho do erudito Joseph Scaliger (1540-1609) e dos católicos Etienne Pasquier (1528-1615) em Philip Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 8, p. 272-274 e Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A Reforma Protestante, São Paulo: Quadrante, 1996, p. 384-386. Mais recentemente, dois artigos devem ser mencionados que apontam na mesma direção, escritos por dois professores que atuam na França: Marjolaine Cuénod Chevallier (https://www.amidumir.ch/wp-content/uploads/2019/06/amidumir_2009_calvin-et-langue-francaise-1.pdf) (Consultado em 21.04.2026) e Olivier Millet (https://books.openedition.org/pufr/7770). (Consultado em 21.04.2026). Millet escreveu um trabalho volumoso e respeitável sobre o assunto. (Olivier Millet, Calvin Et La Dynamique de la Parole: Étude de Rhétorique Réformée: 28, Paris:  Classiques Garnier, 2019, 983p.). Vejam-se também: Philip Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 8, p. 266; T. George, Teologia dos Reformadores, São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 181-182; T.H.L. Parker, The Oracles of God: an Introduction to the Preaching of John Calvin, Cambridge, England: James Clarke & Co., 1947, (2002) Reprinted, p. 30; Thea B. Van Halsema, João Calvino era Assim, São Paulo: Editora Vida Evangélica, 1968, p. 100; Jacques Pannier, Introdução às Institutas (João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 1, p. 25;  Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 157-160.

[28]Apud  Willemien Otten, Religion as exercitatio mentis: A case for theology as a Humanism discipline: In: Alasdair A. MacDonald, et. al. eds. Christian Humanism: Essays in Honour of Arjo Vanderjagt, Leiden: Brill Academic Pub., 2009, p. 60. Como curiosidade, cito que Voetius foi o delegado mais jovem a participar do Sínodo de Dort. (Cf. Willem J. van Asselt,  Scholasticism in the Time of High Orthodoxy (ca. 1620–1700). In: Willem J. van Asselt, ed., Introduction to Reformed Scholasticism, Grand Rapids, MI.: Reformation Heritage Books, 2001,  (Edição do Kindle). Posição  2867 de 5503.

Autor

  • Cativo à Palavra

    Projeto Missionário Teológico e Pastoral.

    Para um coração cativo e dedicado ao Senhor.

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