Cultivando em nossos filhos o amor pela Igreja | Tim Challies
À medida que criávamos nossos filhos, eu sempre sentia uma certa preocupação quanto ao futuro deles na igreja local. Eu desejava que eles compreendessem o quanto precisam da igreja e que ela deve ocupar um lugar central em suas vidas. Queria que eles dessem valor e prioridade à igreja, entendendo que isso é fundamental para…
À medida que criávamos nossos filhos, eu sempre sentia uma certa preocupação quanto ao futuro deles na igreja local. Eu desejava que eles compreendessem o quanto precisam da igreja e que ela deve ocupar um lugar central em suas vidas. Queria que eles dessem valor e prioridade à igreja, entendendo que isso é fundamental para quem deseja priorizar o próprio Cristo. Conforme eles cresceram e ganharam independência, meu profundo anseio era que depositassem sua fé em Jesus e fizessem da plena comunhão na Sua igreja algo indispensável em suas vidas. Mas eu não queria ficar o tempo todo no pé deles, nem tentar convencê-los por pressão. Eu queria que fizessem isso por vontade própria e com alegria, como um fruto natural de suas próprias convicções, e não apenas para agradar aos pais.
Sou grato porque nossos filhos sempre gostaram da igreja e nunca resistiram a ela. Sou ainda mais grato pelo fato de que cada um deles se entregou a Cristo no início da adolescência, buscando depois o batismo e a membresia. Assim que saíram de casa para a faculdade, transferiram suas cartas para uma igreja local em Louisville. Curiosamente, cada um deles escolheu uma igreja diferente, mas, para minha alegria, todos os três escolheram congregações que pregam fielmente o evangelho.
Recentemente, comecei a refletir sobre alguns dos princípios que nos ajudaram a criar filhos que tinham, de fato, vontade de ir à igreja. Como sou um eterno e assumido aprendiz da sabedoria alheia, todos esses pontos foram princípios que observamos em outras famílias ou que buscamos com elas, para então aplicarmos em nossa casa. Espero que sejam tão úteis para você quanto foram para nós.
Faça da igreja parte da cultura da sua família. Toda família desenvolve uma identidade própria — um conjunto de hábitos, padrões e atividades que definem quem vocês são. Isso pode envolver desde as férias (como passar duas semanas no mesmo lugar todo verão) até noites de cinema ou tradições culinárias, como a “sexta da pizza”. À medida que essa cultura se forma, os pais agem com sabedoria ao incluir o culto como parte dela. Isso não precisa de justificativa nem defesa — vocês fazem isso porque é a identidade de vocês. Não é algo a ser debatido ou avaliado; quando o domingo chega, vocês simplesmente vão à igreja. É um ponto inegociável na cultura da sua família.
Dê tanto valor à igreja que você esteja disposto a quebrar a rotina por causa dela. Um dos períodos mais desafiadores para manter a constância nos cultos é quando os filhos ainda são bebês e dependem totalmente de horários rígidos para comer e dormir. É difícil para os pais saírem desse ritmo, sabendo que o preço pode ser um bebê manhoso ou uma criança pequena irritada. Já vimos muitas famílias se afastarem e até sumirem da igreja nessa fase. Contudo, uma boa rotina deve ser apenas um servo útil, e nunca um senhor tirano. Talvez você precise aceitar que terá um filho irritadiço nas tardes de domingo e uma segunda-feira de manhã cansativa. Mas certas coisas, como a igreja, são tão importantes que devem estar acima de qualquer rotina.
Priorize a igreja em vez de esportes, cursos e outras atividades. Aileen e eu sempre fomos gratos pelo fato de nenhum de nossos filhos ter um talento atlético fora do comum. Eles gostavam de atividades recreativas como futebol e balé, mas nenhum deles tinha habilidade ou interesse em seguir carreiras competitivas ou federações. Graças a isso, nunca precisamos avaliar o peso de viagens para campeonatos, ensaios aos domingos ou outros conflitos de agenda. Mas, mesmo que eles tivessem talento e vontade, já havíamos decidido que não daríamos prioridade aos esportes e atividades acima da igreja. Não quero ser legalista aqui e entendo que cada família deve decidir como lidar com isso; contudo, olhando para trás, creio que foi fundamental para nossa família saber que a igreja tem o lugar de honra, acima de qualquer outra atividade. Se muitos de nós já vimos famílias lutando para encaixar a igreja na rotina, certamente todos nós já vimos famílias deixarem a igreja em segundo plano por causa dos esportes.
Esforce-se para priorizar a igreja acima do trabalho. Se os esportes são opcionais para os pequenos, o emprego é muitas vezes uma necessidade para os jovens. Todos os nossos filhos trabalharam em um mercado local e, na maior parte do tempo, conseguiram evitar o trabalho aos domingos — fosse pedindo para não serem escalados ou cedendo o turno para colegas que precisavam de mais horas. Contudo, às vezes, especialmente no início, eles enfrentavam o dilema de trabalhar no domingo ou pedir as contas. Nesses casos, decidimos juntos que, embora não fosse o ideal, trabalhar no domingo seria uma solução temporária até que ganhassem mais tempo de casa. Logo os três mostraram seu valor aos gerentes e passaram a faltar aos cultos apenas em casos raríssimos. Se o emprego exigisse que trabalhassem todo domingo, eles teriam saído e buscado outra coisa. Fizemos o possível para que a igreja viesse antes do trabalho.
Leve-os para o culto principal. Acredito que haja espaço para berçários ou atividades infantis que ocorram durante o horário do culto. Ou seja, não sou um defensor radical do modelo de ‘família integrada’ (onde crianças nunca saem do culto). Os detalhes desses programas variam conforme a cultura de cada igreja, e não vejo base bíblica para exigir que a família inteira fique junta o tempo todo. Contudo, creio que é muito proveitoso que a família cultue unida assim que as crianças conseguem ficar quietas — ou quase isso. Por volta do primeiro ano do fundamental, as crianças já conseguem ficar sentadas por mais tempo, sendo um momento natural para que comecem a acompanhar os pais no templo. Para nós, foi uma bênção adorar em família e deixar que nossos filhos vissem nossa dedicação ao louvor, à pregação, à Ceia e aos batismos. Quando eram pequenos, eles achavam o culto chato e custavam a ficar parados, mas cremos que foi valioso que estivessem ali para ver como os cristãos adoram a Deus.
Tenha compromisso com uma única igreja, mas conheça outras. Olhando para trás, Aileen e eu somos gratos por termos sido membros de uma só congregação durante quase toda a infância de nossos filhos. Isso trouxe estabilidade e fez com que eles crescessem cercados por adultos conhecidos, amados e de confiança — pessoas que valorizavam a igreja tanto quanto nós. Por outro lado, também somos gratos pelas vezes em que visitamos outras comunidades, fosse em férias, visitando parentes ou apenas para conhecer diferentes formas de prestar culto. Cremos que foi importante para ampliar a visão deles, permitindo que percebessem que existem cristãos de todos os tipos e que todos eles compartilham da mesma prioridade: o amor pela igreja local.
É claro que tudo isso foi complementado pelo ensino formal do que a Bíblia diz sobre o arrependimento, a fé em Cristo e o compromisso com a igreja local. Contudo, como muito do que as crianças aprendem é mais ‘visto’ do que ‘ouvido’, fizemos questão de criá-los de modo que nos vissem praticando esses princípios no dia a dia da nossa família. Pela graça de Deus, por meio dessas e de outras atitudes, o Senhor os abençoou com amor por Ele e amor pela Sua igreja.
Texto original: Raising Children Who Love the Church Traduzido e publicado no site Cruciforme com permissão.
Imagem de Natalya Ukolova na Unsplash
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Tim Challies é pastor da igreja Grace Fellowship, em Toronto, no Canadá, editor do site de resenhas Discerning Reader e cofundador da Cruciform Press. Casado com Aileen e pai de três filhos, ele também é blogueiro, web designer e autor de várias obras. |
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