De Protágoras a Calvino: A verdadeira dignidade do homem em Cristo

A despeito da importância do humanismo como uma preparação para a Reforma, a maioria dos humanistas, e principalmente Erasmo entre eles, nunca alcançou nem a gravidade da condição humana, nem o triunfo da graça divina, o que marcou os reformadores. O humanismo, assim como o misticismo, foi parte da estrutura que possibilitou aos reformadores questionar…

A despeito da importância do humanismo como uma preparação para a Reforma, a maioria dos humanistas, e principalmente Erasmo entre eles, nunca alcançou nem a gravidade da condição humana, nem o triunfo da graça divina, o que marcou os reformadores. O humanismo, assim como o misticismo, foi parte da estrutura que possibilitou aos reformadores questionar certas suposições da tradição recebida, mas que em si mesma não era suficiente para fornecer uma resposta duradoura às obsessivas perguntas da época. – Timothy George.[1]

 

Introdução

No sábado passado, dia 23, percebi que estava mentalmente cansado. A constatação veio de forma curiosa: eu me via dando voltas, adiando tarefas que, embora não fossem urgentes, exigiam atenção. A confirmação veio quando, de súbito, surgiu-me um tema que me empolgou a escrever. Não hesitei. Em pleno final de semestre, senti-me atraído pela tese do poeta que cantava: “quero sossego”. Este artigo nasce justamente desse desvio, fruto de um momento de pausa e de reencontro comigo mesmo.

Agora sei que me recuperei: o próprio impulso que gerou estas linhas me indica que é hora de retomar a rotina e os temas que me aguardam. O ser humano, afinal, é complexo e, em grande medida, incompreensível[2]  — permanece sempre como um mistério a ser desvelado. É nesse ponto que encontro maior simpatia pela célebre constatação de Blaise Pascal (1623-1662), cuja lucidez continua a iluminar nossa perplexidade diante da condição humana.[3]

A valorização do homem é um tema que atravessa a história da filosofia e da teologia. Desde o filósofo sofistas Protágoras (c. 480-410 a.C.), que afirmou que “o homem é a medida de todas as coisas”,[4] até o otimismo antropocêntrico do Renascimento, o ser humano buscou afirmar sua dignidade e centralidade no cosmos. Contudo, essa autovalorização revelou-se paradoxal: ao buscar engrandecer o homem, o humanismo acabou por expô-lo à sua própria fragilidade.

A Reforma Protestante, especialmente em Calvino (1509-1564), ofereceu uma resposta alternativa. Calvino não rejeitou o humanismo em bloco; ao contrário, apropriou-se de seus métodos filológicos e literários, de sua valorização da cultura e da educação, mas reinterpretou tudo à luz da revelação divina. Seu humanismo era cristocêntrico: valorizava o homem não por si mesmo, mas por sua relação com Deus.[5]

Além disso, a antropologia bíblica nos lembra que o homem é simultaneamente grande e frágil: criado à imagem de Deus, mas marcado profunda e definitivamente pela Queda. Essa tensão entre dignidade e miséria, grandeza e fragilidade, é o ponto de partida para uma reflexão pastoral que não idealiza nem despreza o ser humano, mas o vê à luz da graça.

1. O Humanismo Renascentista: O Homem no Centro

O Renascimento representou uma “virada antropológica”. Deus deixou de ser o centro das atenções, cedendo lugar ao homem. Autores como Marcílio Ficino (1433-1499) descreviam o homem como “copula mundi”,[6] síntese das maravilhas do universo.

Pico della Mirandola (1463-1496), em seu célebre Discurso sobre a dignidade do homem, ecoava Hermes Trismegisto:[7] “Grande milagre, ó Asclépio,[8] é o homem”.[9]

Esse otimismo antropocêntrico se refletiu em todas as áreas. Na arte,  a prática de dissecação de cadáveres foi importante para diversos artistas:  o luterano[10] Albrecht Dürer (1471-1528), aluno e amigo pessoal de Lutero,[11] além de geômetra,[12] tornou-se um especialista na utilização desse recurso;[13] Antônio Pollaiolo (1431–1498),[14] Leonardo da Vinci (1452-1519)[15] e Miguel Ângelo (1475-1564)[16] se valeram dessa técnica para retratarem com maior precisão, a beleza e complexidade do corpo humano.

Copérnico (1473-1543)[17] e Galileu Galilei (1564-1642) revolucionaram a astronomia ao oferecer uma nova compreensão do sistema solar.[18] Esse marco intelectual transformou a visão medieval do cosmos[19]  e reforçou a confiança no poder humano. Tudo parecia apontar para um homem sem limites, colocado no centro de todas as coisas.[20]

No campo educacional, surgem grandes mestres, preocupados com a formação do homem; originando-se daí, obras sobre o comportamento humano; “a escritura de tratados acerca da educação dos príncipes, outrora tarefa dos teólogos, agora passa também a ser, naturalmente, assunto dos humanistas”, resume Burckhardt (1818-1897).[21]

Não é sem razão, que Delumeau (1923-2020) diz que o Renascimento “foi também descoberta da criança, da família, no sentido estrito da palavra, do casamento e da esposa. A civilização ocidental fez-se então menos antifeminista, menos hostil ao amor no lar, mais sensível à fragilidade e à delicadeza da criança”.[22]

Contudo, como Berdiaeff (1874-1948) observou, esse otimismo revelou-se paradoxal: “O humanismo não fortaleceu, debilitou o homem”.[23] A modernidade não cumpriu suas promessas de engrandecimento humano; ao contrário, gerou solidão e fadiga existencial.

Schaeffer (1912-1984) também percebeu esse paradoxo:  depois de interpretar o Davi (1504) de Miguel Ângelo como uma declaração humanista,[24] conclui:

Os humanistas tinham certeza de que o homem, partindo de si mesmo, seria capaz de resolver qualquer problema. A fé no homem era total. O homem que, partindo de si mesmo, era capaz de se esculpir a si mesmo na rocha, diretamente na natureza, poderia resolver tudo. O brado humanista era ‘eu posso fazer o que bem quiser; espere só até amanhã’. Mas Da Vinci, em seu brilhantismo, acabou, no final de sua vida, vendo que o humanismo seria derrotado.[25]

2. Calvino como Humanista Cristocêntrico

Calvino foi um genuíno humanista em sua formação e método. Sua primeira obra, o comentário a De Clementia de Sêneca (1532), revela erudição, gosto literário e domínio da filologia clássica.[26] Ele se valeu das contribuições de mestres humanistas como Guillaume Budé (1467-1540),[27] Maturinus Corderius (c. 1479-1564)[28] e Melchior Wolmar (1497-1560),[29] reconhecendo sua dívida intelectual.

Contudo, o humanismo de Calvino não era secular. Ele rejeitava o antropocentrismo absoluto e reinterpretava o humanismo à luz da fé. Em sua dedicatória das Institutas (1536) ao rei Francisco I, (1515-1547) de França,[30] Calvino escreve:

Pois o que melhor se coaduna com a fé que reconhecer que somos despidos de toda virtude, para que sejamos vestidos por Deus; vazios de todo bem, para que sejamos por ele enchidos; escravos do pecado, para que sejamos por ele libertados; cegos, para que sejamos por ele iluminados; coxos, para que sejamos por ele restaurados; fracos, para que sejamos por ele sustentados; despojando-nos de todo motivo de glória pessoal, para que somente ele seja glorioso e nós nos gloriemos nele? [1Co 1.31; 2Co 10.17],[…].

Como, porém, nada devemos presumir de nós mesmos, de Deus se deve presumir tudo. Nós nos despojamos de vanglória por nenhuma outra razão, senão para aprender a gloriar-nos no Senhor [2Co 10.17; 1Co 1.31; Jr 9.23-24].[31]

Para Calvino, o homem só descobre quem realmente é ao contemplar a face de Deus. Seu humanismo não se apoiava no homem em si, mas na centralidade de Cristo.[32]

Além disso, Calvino tinha uma visão ampla da cultura, entendendo que toda verdade procede de Deus. Ele reconhecia que artes e ciências foram transmitidas pelos pagãos, mas via nisso reflexo da graça comum,[33] como afirmou:

Se reputarmos ser o Espírito de Deus a única fonte da verdade, a própria verdade em si, onde quer que ela apareça, não a rejeitaremos, nem a desprezaremos, a menos que queiramos ser insultuosos para com o Espírito de Deus. Ora, não se menosprezam os dons do Espírito sem desprezar-se e afrontar-se ao próprio Espírito.[34]

Em passagem magistral, analisando Gn 4.20, destaca o fato de que mesmo na amaldiçoada descendência de Caim, há espaço para a graça de Deus, concedendo-lhe dons que permitissem a invenção das artes e de outras coisas úteis para a vida presente. “Verdadeiramente é maravilhoso, que esta raça que tinha caído profundamente de sua integridade superaria o resto da posteridade de Adão com raros dons”.[35]

Entende que Moisés registrou isso para realçar a graça de Deus que não se tornou vã sobre estes homens, visto que “havia entre os filhos de Adão homens trabalhadores e habilidosos, que exerceram sua diligência na invenção e no cultivo da arte”.[36]

Por isso, continua, as “artes liberais (Humanidades) e ciências chegaram até nós pelos pagãos. Realmente, somos compelidos a reconhecer que recebemos deles a astronomia e outras partes da filosofia, a medicina e a ordem do governo civil”.[37]

Esse humanismo cristocêntrico também se expressava em sua preocupação pastoral com a unidade da Igreja.[38] Ele advertia contra divisões por questões secundárias e insistia que a humildade é o primeiro passo para a verdadeira comunhão. [39]

Sua visão era realista: a Igreja só será plenamente purificada no último dia, mas já agora deve buscar santidade e unidade.[40]

3. O Homem: Imagem e Semelhança, Grandeza e Fragilidade

Conforme vimos, a antropologia bíblica nos lembra que o homem é simultaneamente grande e frágil. Calvino, nas Institutas, concorda com a designação dada ao homem de “microcosmos”, reflexo da sabedoria e bondade de Deus.[41] Pascal, por sua vez, descreve o homem como “um caniço pensante”: frágil diante do universo, mas consciente de sua condição.[42]

Essa tensão é fundamental: o homem é a imagem de Deus, mas essa imagem está desfigurada pela Queda.[43] Como Schaeffer observou, o homem está perdido, mas é grande.[44] Ele não é um zero, mas uma maravilhosa criação de Deus que se rebelou contra o Criador

Deus revelou de forma magnífica o homem ao homem.[45] Se a antropologia pode ser definida como a “autocompreensão do homem”, conforme o faz Brunner (1889-1966),[46] devemos entender que esta “autocompreensão” é um dom da graça que começa pelo conhecimento do Deus que se revela e nos capacita a conhecê-lo.[47] Sem a consideração da Queda e de suas implicações, como as Escrituras nos apresentam, não há como obtermos um conhecimento adequado do homem.[48]

Bavinck (1854-1921) resume: “O homem é um enigma cuja solução só pode ser encontrada em Deus”.[49] A grandeza do homem não está em sua razão ou cultura, mas em ter sido criado para comunhão com Deus.

Brunner  (1889-1966) acrescenta: “O homem é apenas verdadeiramente humano quando está em Deus. Então, e só então, é verdadeiramente ‘ele mesmo’”.[50]

Portanto, a antropologia cristã não nega a grandeza humana, mas a coloca em perspectiva: somos coroa da criação, mas também filhos da Queda. A dignidade humana é derivada, não autogerada; é dom de Deus, não conquista autônoma.

4. Reflexão Pastoral

Do ponto de vista pastoral, esse contraste nos ensina que a verdadeira valorização do homem só é possível quando enraizada em Deus. O humanismo renascentista trouxe avanços culturais e científicos, mas ao absolutizar o homem, acabou por fragilizá-lo. Calvino, ao recolocar Deus no centro, ofereceu uma antropologia que restaura a dignidade humana.

Essa visão se traduz na vida comunitária de forma concreta:

  • No aconselhamento pastoral, o conselheiro lembra ao irmão que sua identidade não está em conquistas ou fracassos, mas em ser amado e redimido por Cristo. Isso evita tanto o orgulho quanto o desespero.
  • No culto público, a ordem do culto culminando na pregação reforçam que toda glória pertence a Deus, e que o homem encontra sua dignidade ao se colocar em adoração. A centralidade de Cristo no culto corrige o antropocentrismo.
  • No discipulado cristão, a formação espiritual conduz o crente a reconhecer tanto sua fragilidade quanto sua grandeza em Cristo, aprendendo a viver em humildade e dependência da graça.

Assim, a dignidade do homem não nasce de sua introspecção ou autodefinição, mas do fato de ser criatura amada e redimida por Deus. A esperança não nasce do olhar para dentro, mas da revelação que nos mostra quem somos e para quem existimos.

O conhecimento de Deus não é mera especulação, mas conduz ao culto, à piedade e à santificação. Como Calvino afirmou: “O conhecimento de Deus é a genuína vida da alma”.[51]

A Igreja, portanto, é chamada a proclamar tanto a grandeza quanto a miséria do homem: grandeza por ser imagem de Deus, miséria por ser rebelde contra Ele. Essa dupla consciência nos impede de cair no otimismo ingênuo do humanismo secular[52] ou no pessimismo existencialista.[53] O homem é grande e miserável, mas em Cristo pode ser restaurado.

Considerações finais

O humanismo renascentista proclamou o homem como centro do universo, mas terminou em desencanto. Calvino, ao contrário, mostrou que a dignidade humana só se sustenta quando fundamentada na imagem de Deus. Seu humanismo era cristocêntrico: valorizava o homem não por si mesmo, mas por sua relação com o Criador.

Em termos pastorais, isso significa que a Igreja deve proclamar não apenas a grandeza do homem, mas sobretudo sua dependência da graça. Somente assim a valorização do homem não se torna autodestruição, mas verdadeira dignidade em Cristo. Amém.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1]Timothy George, Teologia dos Reformadores, São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 50.

[2]Edward Young, Pensamentos Noturnos: In: Gabriel V. do Monte Pereira, red. Biblioteca Internacional de Obras Célebres, Lisboa: Sociedade Internacional, [s.d.], v. 13, p. 6231.

[3]Pascal descreveu a sua surpresa: “Passei longo tempo no estudo das ciências abstratas, e a pouca comunicação que se pode ter delas desgostou-me. Quando comecei o estudo do homem, vi que essas ciências abstratas não lhe são próprias, e que me desviava mais da minha condição penetrando-as, do que a outros ignorando-as; perdoei aos outros o conhecê-las pouco. Mas julguei que encontraria, ao menos, muitos companheiros no estudo do homem, que é o verdadeiro estudo que lhe é próprio. Enganei-me. Os que o estudam são ainda menos numerosos do que os que se dedicam à geometria.” (Blaise Pascal, Pensamentos, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 16), 1973, II.144, p. 80).

[4]Ele declarou isso na sua obra, hoje perdida, A Verdade (A)lh/qeia). A frase é: Homo Mensura, ou na forma completa: “O homem é a medida de todas as coisas, da existência das que existem e da não existência das que não existem”. Apud Platão, Teeteto, 152a: In: Teeteto-Crátilo, 2. ed. Belém: Universidade Federal do Pará, 1988, p 15. Citado também em Platão, Crátilo, 385e. Aristóteles, diz: “O princípio (…) expresso por Protágoras, que afirmava ser o homem a medida de todas as coisas (…) outra coisa não é senão que aquilo que parece a cada um também o é certamente. Mas, se isto é verdade, conclui-se que a mesma cousa é e não é ao mesmo tempo e que é boa e má ao mesmo tempo, e, assim, desta maneira, reúne em si todos os opostos, porque amiúde uma cousa parece bela a uns e feia a outros, e deve valer como medida o que parece a cada um” (Metafísica, XI, 6. 1 062. Veja-se também, Platão, Eutidemo, 286c-d). Platão diferentemente de Protágoras, entendia que a medida de todas as coisas estava em Deus. “Aos nossos olhos a divindade será ‘a medida de todas as coisas’ no mais alto grau” (Platão, As Leis, Bauru, SP.: EDIPRO, 1999, IV, 716c. p. 189).

[5]Sobre isso, veja-se: Hermisten M.P. Costa, João Calvino: O Humanista subordinado ao Deus da Palavra – A propósito dos 490 anos de seu nascimento (https://cpaj.mackenzie.br/fileadmin/user_up load/8_Joao_Calvino_O_Humanista_Subordinado_a_Palavra_de_Deus_Hermisten_Costa.pdf). (Consultado em 24.05.2026).

[6] Cf. Battista Mondin, Curso de Filosofia, São Paulo: Paulinas, 1981, v. 2, p. 14. Expressão semelhante usada por Pico della Mirandola: “mundi copulam” (Giovanni Pico Della Mirandola, Discurso Sobre a Dignidade do Homem, (Edição Bilíngue), Lisboa: Edições 70, (2001), p. 48 e 49). Ele foi grandemente influenciado por Marcílio Ficino (1433-1499), a quem conheceu em Florença (1484).

[7]Hermes Trismegisto, figura mítica de origem sincrética que une o deus egípcio Thoth ao deus grego Hermes, tornou-se símbolo da sabedoria universal e da tradição hermética. Não há evidência histórica de sua existência como indivíduo; o nome foi utilizado como pseudônimo para legitimar escritos filosófico-religiosos entre os séculos I e III d.C., sobretudo em Alexandria. Mais do que uma pessoa, Hermes representa um arquétipo de sabedoria, expressão da busca por unidade entre ciência, filosofia e religião. Sua influência atravessou séculos, inspirando filósofos neoplatônicos e teólogos renascentistas, permanecendo viva em tradições esotéricas modernas. Frances A. Yates (1899–1981) mostrou como os textos herméticos, atribuídos a Hermes, foram recebidos no Renascimento como revelação primordial e influenciaram diretamente pensadores como Pico della Mirandola, cujo Discurso sobre a dignidade do homem ecoa a tradição hermética ao exaltar a grandeza e a liberdade humanas. Os escritos herméticos, reunidos no Corpus Hermeticum, são um conjunto de obras místicas da Antiguidade tardia, mas que, no Renascimento, acreditava-se serem muito mais antigos, chegando-se a considerar Hermes contemporâneo de Moisés. A filosofia hermética foi vista como uma “teologia antiga”, paralela à sabedoria revelada da Escritura, corroborando-a e culminando na tradição filosófica platônica. As teses de Yates, embora revolucionárias à época, são hoje objeto de debate e revisão crítica. (Veja-se:  Frances A. Yates, Giordano Bruno and the Hermetic Tradition, Chicago: University of Chicago Press, 1964).

[8] Asclépio (em latim, Esculápio) era o deus grego da medicina e da cura, filho de Apolo e da mortal Corônis. Educado pelo centauro Quíron, tornou-se célebre por seus conhecimentos médicos e pelo bastão com serpente enrolada, símbolo que permanece até hoje como emblema universal da prática médica. Segundo os mitos, sua habilidade em curar era tão extraordinária que chegou a ressuscitar mortos, razão pela qual Zeus o fulminou com um raio. Após sua divinização, passou a ser cultuado em templos chamados Asclepeia, considerados antecessores dos hospitais, e sua linhagem, os Asclepíades, perpetuou a tradição médica, tendo Hipócrates como o mais célebre representante.

[9] Giovanni Pico Della Mirandola, Discurso Sobre a Dignidade do Homem, p. 49. Veja os comentários a respeito da posição de Mirandola, In: Erwin Panofsky, Significados nas Artes Visuais, São Paulo: Perspectiva, 2011, p. 20-21.

[10] Cf. N.V. Hope, Albrecht Dürer: In: J.D. Douglas; Philip W. Comfort, eds. Who’s Who in Christian History, Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, Inc. 1992, p. 217. Vejam-se extratos de seu diário (1521) e uma de suas cartas (1520) citados por Francis A. Schaeffer, Como Viveremos?, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 58-60. Do mesmo modo, Paul Romane Musculus, La Prière des Mains: L’Église Réformée et L’Art, Paris: Editions “Je Sers”, 1938, p. 119-121.

[11] Cf. Michael S. Horton, O Cristão e a Cultura, São Paulo: Cultura Cristã, 1999, p. 23.

[12] Cf. John Hale, A Civilização Européia no Renascimento, Lisboa: Editorial Presença, 2000, p. 508.

[13] “É emocionante observar Dürer experimentando várias regras de proporções, vê-lo distorcendo deliberadamente a compleição humana ao desenhar corpos demasiado longos ou demasiado largos, a fim de descobrir o equilíbrio adequado e a harmonia perfeita” (E.H. Gombrich, A História da Arte, 16. ed. São Paulo: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1995, p. 347). Dürer pintou um quadro de Erasmo que se tornou famoso. Nele Dürer apresenta Erasmo como um editor competente e criterioso. Quando Dürer morreu, Erasmo o homenageou em uma de suas obras realçando o seu brilho que, conforme declara Erasmo, faria com que Apeles, se ainda vivo o aplaudisse. (Ver: Roland H. Bainton, Erasmo da Cristandade, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, (1988), p. 295-298). Não é demais lembrar que as contribuições artísticas na Renascença não estiveram restritas à Itália (Ver: Peter Burke, As Fortunas d’O Cortesão: a recepção européia a O cortesão de Castiglione, São Paulo: Editora da UNESP., 1997, p. 13).

[14]Artista florentino do Quattrocento, destacou-se como pintor, escultor, gravador e ourives, frequentemente em colaboração com seu irmão Piero (c. 1443–1496). Reconhecido por seu pioneirismo nos estudos anatômicos aplicados à arte, Pollaiolo buscava representar o corpo humano em movimento com vigor e realismo, como se vê em sua célebre gravura Battle of the Nudes (c. 1470–90) e no bronze Hércules e Anteu (c. 1475). Em Roma, projetou os túmulos papais de Sisto IV e Inocêncio VIII, testemunhos de sua habilidade escultórica e de sua inserção no ambiente artístico da cúria. Sua obra, marcada pela ênfase na energia muscular e na ação dramática, tornou-se referência para a transição entre a tradição medieval e a estética humanista do Renascimento. (Cf. Giorgio Vasari,  Vida dos Artistas, 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2020, p. 390-395; Frederick Hartt;  David G. Wilkins, History of Italian Renaissance Art: Painting, Sculpture, Architecture. 7. ed. Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall/Pearson, 2011, p. 320-326;  Pedro D. Nogare, Humanismos e Anti-Humanismos, 5. ed. Petrópolis,  RJ.:  Vozes, 1979, p. 68.

[15]Ele dissecou mais de trinta cadáveres (Cf. E.H. Gombrich, A História da Arte, 16. ed. São Paulo: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1995, p. 294). Ver também: Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante, São Paulo: Quadrante, 1996, p. 195.

[16] Cf. E.H. Gombrich, A História da Arte, p. 304-305.

[17] Vejam-se: Jean Delumeau, A Civilização do Renascimento, Lisboa: Editorial Estampa, 1984,  v. 2, p. 144-146; Paolo Rossi, O Nascimento da Ciência Moderna na Europa, Bauru, SP.: EDUSC, 2001, p. 115.

[18]Vejam-se: Philip Schaff; David S. Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 6, p. 561; Alister E. McGrath, Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião, São Paulo: Loyola, 2005, p. 20ss.

[19] Referindo-se à teoria de Copérnico, escreve Hawking: “A ruptura que ela representou marcou uma das maiores mudanças de paradigma da história mundial, abrindo caminho para a astronomia moderna e afetando a ciência, a filosofia e a religião” (Stephen Hawking, Os Gênios da Ciência: Sobre os ombros do Gigante: as mais importantes ideias e descobertas da física e da astronomia, Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2005, p. 2-3). Ver também: Eugenio Garin, Ciência e Vida Civil no Renascimento Italiano, São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1996, p. 151-154.

[20] Ver: Bertrand Russell, História da Filosofia Ocidental, 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967, v. 3, p. 58-60.

[21] J. Burckhardt,  A Cultura do Renascimento na Itália: Um Ensaio. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 163-164.

[22] Jean Delumeau, A Civilização do Renascimento, v. 1, p. 23.

[23] Nicolau Berdiaeff, Uma Nova Idade Média, Rio de Janeiro: José Olympio, 1936, p. 11.

[24]Francis A. Schaeffer, Como Viveremos?, p. 42-43.

[25] Francis A. Schaeffer, Como Viveremos?, p. 45. Aliás, o próprio trabalho de Miguel Ângelo na Capela Sistina (Vaticano) (1512) revela uma obra de tal monta – tanto no aspecto físico como intelectual – que seria difícil conceber que um homem sozinho a pudesse realizar no espaço de 4 anos: “É muito difícil a um mortal comum imaginar como foi possível a um ser humano realizar o que Miguel Ângelo realizou em quatro anos de trabalho solitário nos andaimes da capela papal. O mero esforço físico de pintar esse gigantesco afresco no teto da capela, de preparar e esboçar as cenas em detalhe, e de transferi-las para o teto, já era suficientemente fantástico. Miguel Ângelo tinha de deitar-se de costas e pintar olhando para cima. De fato, habituou-se de tal modo a essa posição acanhada que até quando recebia uma carta durante esse período tinha que lê-la assumindo a mesma posição. Entretanto, a proeza física de um homem para cobrir esse vasto espaço sem ajuda nenhuma pouco representa em comparação com a façanha intelectual e artística. A riqueza de novas invenções, a metria infalível de execução em todos os detalhes e, sobretudo, a grandeza das visões que Miguel Ângelo revelou aos pósteros proporcionaram à humanidade uma nova ideia de poder do gênio” (E.H. Gombrich, A História da Arte, 16. ed. São Paulo: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1995, p. 307-308).

[26]Cf. Moisés Silva, Em Favor da Hermenêutica de Calvino: In: Walter C. Kaiser Jr.; Moisés Silva, Introdução à Hermenêutica Bíblica, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, [p. 241-261], p. 246-247.

[27] Budé, conhecido também pelo nome latino Budaeus, foi um dos grandes humanistas franceses do Renascimento e ficou marcado como o “Prodígio da França”. Como historiador, filósofo e helenista, desempenhou papel decisivo no reavivamento do interesse pela língua e literatura gregas, colaborando para a introdução do Humanismo na França. Dotado de inteligência excepcional, destacou-se como filólogo, diplomata e bibliotecário real, tornando-se referência nos estudos clássicos e na cultura da Antiguidade.

Foi a seu pedido que Francisco I criou, em 1530, o Colégio Real (Collège Royal), hoje conhecido como Collège de France, instituição destinada a difundir o ensino das línguas e saberes clássicos fora da universidade tradicional. Entre suas obras mais importantes está De Asse et Partibus Eius, traduzida como Sobre o Asse e suas Partes”, um tratado de numismática que revela sua profundidade intelectual e rigor científico.

O legado de Budé consolidou a França como centro do humanismo europeu e sua memória permanece viva como símbolo da renovação cultural e intelectual do século XVI.

[28]Calvino dedicou o seu Comentário da Primeira Epístola aos Tessalonicenses (Genebra, 17/02/1550), ao seu mestre de gramática e retórica, conhecido humanista, Maturinus Corderius (c. 1479-1564) – que foi fundamental na formação do estilo de Calvino –, a quem Calvino chama de “homem de eminente piedade e erudição” reconhecendo a sua dívida para com ele. (John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1981, v. 21, (Prefácio do seu comentário de 1ª Tessalonicenses) p. 234).  Posteriormente, Corderius, convertido ao Protestantismo, Calvino o convidou a lecionar na Academia de Genebra, o que Corderius aceitou, sendo inclusive durante algum tempo diretor daquela instituição, permanecendo ali até a sua morte em 08/09/1564, quatro meses depois de Calvino. Corderius além de brilhante e laborioso professor, era conhecido por sua erudição, piedade e integridade. A sua contribuição à Academia de Genebra, ainda que breve, foi bastante significativa.

[29]Calvino dedicou o seu comentário de 2Coríntios (01/08/1546) a outro humanista de influência luterana, que lhe ministrara aula de grego (e também a Beza), Melchior Wolmar (1497-1560), quem,  possivelmente pode ter despertado em seus alunos o interesse pela Reforma. Calvino diz que Wolmar era “o mais distinguido dos mestres [de grego]”. (J. Calvino, Exposição de 2 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1995, Dedicatória, p. 8). Beza (1519-1605) também dá testemunho a respeito de seu generoso mestre: “De quem me lembro com tanto maior agrado em que foi ele meu fiel preceptor e guia de toda a minha juventude, pelo que louvarei a Deus por toda minha vida” (Theodoro de Beza, A Vida e a Morte de João Calvino, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 2006, p. 12).

[30]Na opinião do historiador Daniel-Rops, essa carta é um “magnífico trecho de eloquência, de inspiração firme e comedida” (Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante, p. 373).

[31] Carta ao Rei Francisco, 3: In: João Calvino, As Institutas da Religião Cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2022, p. 20-21.

[32] Cf. Robert D. Knudsen, O Calvinismo Como uma Força Cultural: In: W. Stanford Reid, ed. Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, [p. 11-31], p. 19.

[33]Cf. João Calvino, As Institutas, (2022), II.2.16-17,27; II.3.4.

[34]João Calvino, As Institutas, (2022), II.2.15. Ele acrescenta: “Pois se o Senhor quis que assim nós fôssemos ajudados pela obra e ministério dos ímpios na Física, na Dialética, na Matemática e nas demais áreas do saber, façamos uso delas, para que não soframos o justo castigo de nossa displicência, caso negligenciemos as dádivas de Deus graciosamente oferecidas nelas.” (João Calvino, As Institutas, [2022], II.2.16).

[35]John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 1, (Gn 4.20), p. 217.

[36] John Calvin, Calvin’s Commentaries, v. 1, (Gn 4.20), p. 218.

[37] John Calvin, Calvin’s Commentaries, v. 1, (Gn 4.20), p. 218. “É bem verdade que os que receberam instrução sobre as artes liberais, ou que provaram algo delas, têm nesse conhecimento uma ajuda especial para aprofundar-se nos segredos da sabedoria divina” (João Calvino, As Institutas (1541), I.11).

[38] “Todo aquele que, com seu presunçoso orgulho, quebra a unidade da Igreja, é por Paulo qualificado de herege” (João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos,1998, (Tt 3.10), p. 358). Cf. também: João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996, 1Co 11.19-20, p. 342-344; idem, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, Hb 10.25, p. 272-273; Carta de Calvino a Cranmer (1489-1556), 1552, In: Letters of John Calvin, Selected from the Bonnet Edition, Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1980, p. 132-133. Para uma síntese breve, mas bem documentada — ainda que com algumas imprecisões —, ver Luder G. Whitlock Jr., Para que sejamos um, São Paulo: Cultura Cristã, 2023, p. 63-70; Jean Cadier, Calvin and the Union of the Churches: In: G.E. Duffield, org. John Calvin, Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1966, p. 118-130; Ruth House; Stephen C. Neill, eds. A History of the Ecumenical Movement, 1517-1948, 4. ed., Geneva: World Council of Churches, 1993, p. 48-54 e John H. Kromminga, Calvino y el Ecumenismo: In: Jacob T. Hoogstra,  ed. Juan Calvino Profeta Contemporáneo, Grand Rapids, MI: TSELF, Inc., 1974, p. 151-168.

[39]Cf. As Institutas, IV.1.12; João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 15.1), p. 287-289, 293; v. 2, (Sl 50.4), p. 401; João Calvino, O Profeta Daniel: 1-6, São Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, p. 26; John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996, (Reprinted), v. 15, (Ag 2.1-5), p. 351; João Calvino, Gálatas, São Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 1.2), p. 25; João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 4.1-4), p. 108-109; João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 10.25), p. 272-273; Theodoro de Beza, A Vida e a Morte de João Calvino, p. 30-31.

[40]João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, (Sl 15.1), p. 287-289. “Quão difícil é a obra de edificação da igreja de Deus e quão impossível é ser bem-sucedido em um dia ou em curto período. A obra é contínua, e a vida inteira de um homem não basta. Naturalmente, Deus poderia conduzir seu povo à perfeição se porventura quisesse fazê-lo, mas ele quer levar-nos por passos medidos — tudo com o fim de humilhar-nos e ajudar-nos a reconhecer nossas misérias e deplorá-las, de modo a caminharmos por este mundo sempre nos volvendo para ele. Pois sabemos que o que ele começou em nós nada é até que, como costumamos dizer, ele ponha um ponto final. E, visto que cada um de nós deve acima de tudo ser um templo do Santo Espírito, apliquemo-nos a esta obra de construção” (João Calvino, Sermões sobre Tito,  Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 56). ([Edição Kindle]). (Vejam-se também: João Calvino, Sermões sobre Tito,  Brasília, DF.: Monergismo,  2019, p. 58. [Edição do Kindle]).

[41]“E por isso alguns dentre os filósofos, outrora, designaram o homem, não sem razão, de mikrokosmo/j [microcosmos], porquanto ele é raro exemplo do poder, da bondade e da sabedoria de Deus e, em si, contém milagres suficientes para nos ocupar a mente, desde que não nos enfademos de dar-lhes atenção.” (João Calvino, As Institutas, [2022], I.5.3).

[42] Blaise Pascal, Pensamentos, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 16), 1973, VI.347. p. 127-128.

[43]Anselmo de Cantuária (1033-1109) retrata o dilema do homem caído mas, ainda crente: “Ó Senhor, reconheço, e rendo-te graças por ter criado em mim esta tua imagem a fim de que, ao recordar-me de ti, eu pense em ti e te ame. Mas, ela está tão apagada em minha mente por causa dos vícios, tão embaciada pela névoa dos pecados, que não consegue alcançar o fim para o qual a fizeste, caso tu não a renoves e a reformes. Não tento, ó Senhor, penetrar a tua profundidade: de maneira alguma minha inteligência amolda-se a ela, mas desejo, ao menos, compreender a tua verdade, que o meu coração crê e ama. Com efeito, não busco compreender para crer, mas creio para compreender. Efetivamente creio, porque, se não cresse, não conseguiria compreender.” (Santo Anselmo de Cantuária, Proslógio, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 7), 1973, p. 107).

[44]Francis A. Schaeffer, Morte na Cidade, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 60,61. “Por mais que a Bíblia diga que os homens estão perdidos, ela não diz que eles são nada” (F.A. Schaeffer, O Deus que intervém, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 192). Veja-se também: Francis A. Schaeffer, A Morte da Razão, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 34.

[45] Veja-se: Herman Dooyeweerd, No Crepúsculo do Pensamento, São Paulo: Hagnos, 2010, p. 259.

[46]Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, v. 2, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 107.

[47] Calvino desenvolve com clareza e profundidade a relação causal entre conhecer a Deus e o nosso conhecimento (João Calvino, As Institutas, I.1.1ss). Temos um sumário da posição de Calvino em: W. Gary. Crampton, A epistemologia de Calvino: In: Felipe Sabino, ed., Calvino: Mestre da Igreja, Brasília, DF.: Monergismo, 2009, p. 153-159.

[48] “O homem perdeu o verdadeiro autoconhecimento desde que perdeu o verdadeiro conhecimento de Deus” (Herman Dooyeweerd, No Crepúsculo do Pensamento, São Paulo: Hagnos, 2010, p. 265). Veja-se: R. Albert Mohler Jr., O modo como o mundo pensa: Um encontro com a mente natural no espelho e no mercado. In: John Piper; David Mathis, orgs. Pensar – Amar – Fazer, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, [p. 44-61], p. 51.

[49]Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 24. Do mesmo modo Dooyeweerd (1894-1977): “A questão: quem é homem?, contém um mistério que não pode ser explicado pelo próprio homem” (Herman Dooyeweerd, No Crepúsculo do Pensamento, São Paulo: Hagnos, 2010, p. 248).

[50] Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 89.

[51] João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 4.18), p. 136-137.

[52] Como o representado por Fromm (1900-1980). Ele revela seu otimismo quanto ao homem ao declarar dos objetivos de seu livro Análise do Homem (1947): “Escrevi este livro com a intenção de reafirmar a validade da ética humanista, de mostrar que nosso conhecimento da natureza humana não conduz ao relativismo ético, senão, pelo contrário, à convicção de que as origens das normas para a conduta ética devem ser encontradas na própria natureza do homem; que as normas morais se baseiam nas qualidades inerentes ao homem e que sua violação produz a desintegração mental e emocional” (Erich Fromm, Análise do Homem, São Paulo: Círculo do Livro, [s.d.], p. 18.

[53] Veja-se: Francis Schaeffer. A Obra Consumada de Cristo, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 73-74.

Autor

  • Cativo à Palavra

    Projeto Missionário Teológico e Pastoral.

    Para um coração cativo e dedicado ao Senhor.

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