Povo de propriedade exclusiva de Deus
Minha primeira filha nasceu em Araraquara, nossa cidade, no interior de São Paulo. Ela estava com poucos dias de nascida quando fui cadastrá-la no plano de saúde. Recebi uma ficha para preencher. Jamais vou esquecer o que senti quando me deparei com a questão do meu grau de parentesco com ela. Por um instante senti…

Minha primeira filha nasceu em Araraquara, nossa cidade, no interior de São Paulo. Ela estava com poucos dias de nascida quando fui cadastrá-la no plano de saúde. Recebi uma ficha para preencher. Jamais vou esquecer o que senti quando me deparei com a questão do meu grau de parentesco com ela. Por um instante senti o sangue congelar. Escrever que era sua mãe, me tirou o fôlego. Eu estava afirmando algo que não sabia o que significava, de verdade. Sabia o que era ser filha, irmã, esposa, mas, mãe eu nunca tinha sido e a maternidade inédita, confessada ali naquele papel, me assustou. Naquele instante realizei que carregava uma nova identidade. Eu era mãe! Ainda não entendia direito tudo o que me cabia nessa nova identidade. Não sabia quanto aprenderia com a maternidade nem quantas alegrias e desafios ela me apresentaria. Depois de quase cinco anos nasceu meu segundo filho. Tudo foi diferente. Desta vez eu sabia que estava vivendo a expansão da maternidade inaugurada anteriormente. Ser mãe já me definia e eu amava isso. Queria honrar a benção de ter gerado aquelas crianças. Queria que me reconhecessem como mãe. Queria viver plenamente a mais linda transformação que tinha acontecido na minha vida. Eu era, realmente, mãe. Sabia que aquele era o meu novo lugar no mundo. Conhecia as responsabilidades e já as tomava como minhas. Também desfrutava das alegrias que a minha primogênita trouxe e desejava tomar posse das que me trazia aquela nova vida, o meu menininho. Independente da verdade que cada filho é único, eu sabia o que era ser mãe. Sabia o que tinha de fazer.
Saber a nossa identidade traz sentido e propósito para a nossa vida. Traz também a solene responsabilidade de sermos, verdadeiramente, o que declaramos ser. Todo nosso viver deve testemunhar a nossa identidade, como um selo de autenticidade.
Quando dizemos que somos cristãos, isso é uma declaração de identidade. A mais solene delas. Testemunhamos ao mundo que fomos alcançados pela redenção do sangue que Cristo verteu na cruz por nós e que viveremos para engrandecer o seu nome. Se dizemos que somos cristãos, estamos afirmando que espelhamos Cristo e que como ele, dignificaremos o nome do Pai e obedeceremos a sua vontade.
Imensa e soleníssima é a nossa responsabilidade quando dizemos que somos cristãos. Estamos afirmando que escolheremos fazer o que faria o nosso Pai. É preciso que a nossa filiação divina seja reconhecida em todo nosso proceder.
Maiores ainda são as bênçãos que essa identidade sublime nos dá. Estávamos perdidos e fomos achados; condenados e fomos libertados, mortos e ganhamos vida eterna. Todas as identidades vinculadas a laços humanos, um dia, findarão, mas a nossa identidade cristã tem consequências de glória que viveremos por toda eternidade com o nosso Pai. Que vivamos com integridade a bênção de termos sido feitos filhos de Deus, raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus e, assim, podermos testemunhar que somos cristãos. Amém.
Maria Zuleika Schiavinato, esposa, mãe, avó e autora, é membro da IP de Pinheiros, em São Paulo, SP, e colaboradora do Brasil Presbiteriano.
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