JÓ, HOMEM PROVADO E APROVADO
Jó não é uma lenda. Ele não é uma figura mítica. Ele existiu num lugar definido, num tempo definido e se relacionou com pessoas definidas. Ele foi o homem mais rico do Oriente em sua geração e, também, o homem mais piedoso de sua época. Foi um homem íntegro, reto, temente a Deus e que…
Jó não é uma lenda. Ele não é uma figura mítica. Ele existiu num lugar definido, num tempo definido e se relacionou com pessoas definidas. Ele foi o homem mais rico do Oriente em sua geração e, também, o homem mais piedoso de sua época. Foi um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviou do mal. Era abençoado fora dos portões. Foi um homem generoso. Foi o amparo das viúvas, os olhos dos cegos e as pernas dos aleijados. Jó, de igual modo, foi um homem abençoado no reduto do lar. Teve dez filhos e os manteve unidos e protegidos por suas orações e conselhos.
A vida piedosa de Jó era conhecida no céu, testificada na terra e odiada no inferno. Satanás acusou a Deus de suborná-lo com bênçãos para receber dele adoração e insinuou que Jó só adorava a Deus por interesse. Jó, entrementes, provou que amava mais a Deus do que a riqueza, do que a família e do que a si mesmo. Com a permissão divina, Jó foi entregue nas mãos de Satanás para ser duramente provado. O patriarca de Uz perdeu seus bens, sepultou seus filhos, perdeu sua saúde, foi provocado pelas palavras dura de sua mulher e acusado pelos seus amigos.
O homem mais rico vai à falência, enfrentando um colapso financeiro. O pai mais comprometido em orar pelos filhos, sofre o duro golpe de vê-los todos mortos no mesmo acidente. O homem cheio de vida é acometido de uma doença maligna, que deixa seu corpo encarquilhado e macérrimo. Como marido, ouve sua mulher se insurgindo contra Deus e aconselhando-o a amaldiçoar a Deus e morrer. Seus amigos, vieram de longe para consolá-lo e tornaram-se consoladores molestos. Jó sofreu duros golpes na vida financeira, na morte dos filhos, na perda da saúde, na incompreensão da esposa e na acusação leviana dos amigos. Esse homem no fragor da tempestade, assolado pela dor mais avassaladora levanta aos céus dezesseis vezes a pergunta: “Por que, meu Deus?”. Trinta e quatros vezes ele se queixa contra Deus. Como resposta, ele só escuta o ensurdecedor silêncio divino. Nenhuma palavra. Nenhuma explicação. Nenhuma luz no fim do túnel. Jó está nas profundezas abissais da sua dor. Porém, mesmo perdendo tudo, não perdeu sua fé. Ele clamou: “Uma coisa eu sei, é que o meu Redentor vive”. Ele sabia que Deus inspira canções de louvor nas noites escuras.
Deus rompeu o silêncio, não para dar resposta às perguntas de Jó, mas para fazer a ele setenta perguntas retóricas, desfraldando diante dele o lábaro de sua gloriosa majestade. O Senhor lhe perguntou: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra […], quando espalhava as estrelas no firmamento […], quando cercava as águas do mar?”. Jó foi se encolhendo diante de grandeza incomparável de Deus e afirmou: “Agora eu sei que tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. E confessou: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te veem e me abomino no pó na cinza”. Renovado em seu entendimento, passou Jó a orar pelos seus amigos em vez de se defender de suas calúnias. Deus, então, restaurou a sua sorte e devolveu-lhe em dobro tudo quanto antes possuíra. Deus restaurou sua saúde e ele ainda viveu cento e quarenta anos. Deus restaurou suas finanças e ele duplicou seus haveres. Deus restituiu suas amizades e os homens que o acusaram tiveram de vir a ele e mudar de ideia a seu respeito. Deus restaurou seu casamento, dando-lhe mais dez filhos. Agora, Jó tem dez filhos no céu e dez filhos na terra. Deus restaurou tudo, completamente. Deus provou Jó para aprová-lo.
A intenção de Satanás era colocar Jó longe de Deus. O que ele conseguiu, porém, foi colocar Jó mais perto de Deus e, isso, porque os planos de Deus não podem ser frustrados.
O Rev. Hernandes Dias Lopes é Diretor Executivo de Luz para o Caminho e colunista do Brasil Presbiteriano

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