“[…] livraste da morte a minha alma, das lágrimas, os meus olhos, da queda, os meus pés” (Sl 116:8).

O salmo 116 é anônimo. Não sabemos ao certo quem o escreveu. Muitos estudiosos, porém, atribuem-no ao rei Ezequias. Se assim o é, foi escrito para registrar duas dramáticas experiências que enfrentou no auge no de seu reinado: o cerco militar do exército assírio e uma doença mortal. As duas situações eram humanamente irremediáveis. Entretanto, o rei Ezequias colocou sua causa diante de Deus em oração com lágrimas copiosas. O Deus que vê, ouve e age reverteu as circunstâncias medonhas e livrou Ezequias da morte e seu reino de um domínio estrangeiro. No versículo em tela, o autor compartilha o tríplice livramento divino.
- Em primeiro lugar, o livramento espiritual.
“[…] livraste da morte a minha alma […]”. De todos os cercos que nos ameaçam, o mais perigoso e o mais danoso é a escravidão espiritual. Há muitos que têm liberdade de ir e vir, mas são prisioneiros do pecado. Fazem viagens internacionais, cruzam fronteiras, atravessam mares, mas estão cativos de vícios deletérios. O pecado é uma masmorra cruel. O pecado é maligníssimo. É pior do que a doença, é mais sufocante do que o calabouço mais escuro, é mais danoso do que as privações mais severas. Ezequias experimenta o poderoso livramento de Deus. As peias que prendiam sua alma são quebradas. As correntes que inibiam sua liberdade espiritual são despedaçadas. O Senhor libertou sua alma da morte. Ainda hoje, muitos estão prisioneiros e precisam de libertação. Nenhuma psicologia de autoajuda pode quebrar esses grilhões. Nenhuma técnica psicológica pode apagar as vozes cavernosas da culpa. Nenhum divã psicanalítico pode apagar as nódoas do pecado. Somente o Senhor, pode libertar o homem de seus pecados. Jesus morreu para nos libertar dos nossos pecados. Se Jesus nos libertar, então, seremos verdadeiramente livres.
- Em segundo lugar, o livramento emocional.
“[…] das lágrimas, os meus olhos […]”. Os dramas da vida afetam não apenas nossa alma, mas, também, afligem nosso corpo. As pressões nos sufocam, as dores nos atordoam, as lágrimas rolam grossas em nossas faces. Sentimos o gosto amargo das aflições. O rei Ezequias enfrentou laços de morte e angústias do inferno. Ele caiu em tribulação e tristeza. Mas, o Senhor o socorreu e estancou suas lágrimas. O Senhor o livrou e pôs um fim em seu pranto. O Senhor desbaratou o exército assírio e trouxe a Ezequias um cântico de vitória. O Senhor o curou de sua enfermidade e estendeu seus dias sobre a terra. O Senhor é o Deus consolador. Ele nos assiste em nossa fraqueza, firma nossos pés na rocha e coloca em nossos lábios em cântico de vitória. Ele remove os trapos de nossos lamentos e nos cobre com vestes de louvor. Ele não apenas enxuga nossas lágrimas, mas estanca, também, a causa do nosso choro.
- Em terceiro lugar, o livramento moral.
“[…] da queda, os meus pés”. O rei Ezequias era um homem piedoso. Não houve ninguém igual a ele antes tampouco depois. Era um rei singular. Porém, estava plenamente cônscio de sua inabilidade para ficar de pé escorado no bordão da autoconfiança. Deus conhece nossa estrutura e sabe que somos pó. Temos fraquezas físicas, emocionais, morais e espirituais. Nossa força não está em nós, mas no Senhor. Não podemos avançar vitoriosamente diante das vicissitudes da vida sem nos apoiarmos no Senhor. Ele é o nosso refúgio. Somente nele permaneceremos de pé. O mesmo Senhor que livrou Ezequias espiritual, emocional e moralmente é aquele que está conosco, e que nos toma pela sua mão direita, nos guia com o seu conselho eterno e nos recebe na glória. Ele jamais desampara aqueles que nele esperam. Portanto, confia nele e o mais ele fará.
O Rev. Hernandes Dias Lopes é o Diretor Executivo de Luz para o Caminho e colaborador regular do Brasil Presbiteriano
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