Luto Performático | Tim Challies
Ninguém ensina as crianças a representarem seu luto. Ninguém precisa. Elas aprendem rapidamente que o luto desperta compaixão e a compaixão gera consolo ou concessões. Recentemente, vi meu neto de um ano, depois de levar uma bronca por tocar em algo que sabia que não devia, enterrar o rosto nas mãos e, em seguida, espiar…
Ninguém ensina as crianças a representarem seu luto. Ninguém precisa. Elas aprendem rapidamente que o luto desperta compaixão e a compaixão gera consolo ou concessões. Recentemente, vi meu neto de um ano, depois de levar uma bronca por tocar em algo que sabia que não devia, enterrar o rosto nas mãos e, em seguida, espiar discretamente para ter certeza de que sua mãe e avó estavam testemunhando a profundidade incompreensível de sua tristeza. Às vezes, as crianças são mais fofas quando estão mais travessas.
Todos nós sabemos o que é representar o luto — garantir que os outros percebam nossa tristeza, forçando-os a ver nossa dor. Podemos fazer isso para chamar a atenção deles ou obter sua compaixão. Podemos fazer isso porque idolatramos o luto e só nos sentimos validados quando os outros sentem pena de nós e expressam sua preocupação. Podemos fazer isso como um meio de manipular os outros para que façam nossa vontade. Contudo, embora essas formas de luto performático sejam obviamente pecaminosas, estou convencido de que há outra forma que não o é. Há uma maneira pela qual podemos representar nosso luto publicamente e receber a bênção de Deus.
Como cristãos, não pertencemos a nós mesmos. O Catecismo de Heidelberg expressa isso de forma sublime em sua frase inicial: “Eu não pertenço a mim mesmo, mas pertenço — corpo e alma, na vida e na morte — ao meu fiel Salvador Jesus Cristo”. Pertencemos a Jesus e pertencemos ao seu povo. Vivemos a vida cristã em comunidade de tal forma que somos muitos e um — muitos indivíduos e uma só Igreja.
Embora soframos tristezas individuais, sofremos dentro do contexto de nossa comunidade mais ampla. Nosso sofrimento não nos pertence apenas, assim como nossas vidas também não nos pertencem. Sofremos, ao menos em parte, para que possamos amparar outros em seu sofrimento, tanto pelo exemplo quanto pelo ensinamento.
“Nosso sofrimento não nos pertence, assim como nossas vidas não nos pertencem”.
A instrução vem quando “consolamos os que estão passando por qualquer tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” (2 Coríntios 1:4). O que aprendemos na escuridão, sussurramos aos outros na luz. O consolo da vara e do cajado do pastor se torna o consolo que ministramos aos outros enquanto atravessam o vale escuro. Deus nos instrui para que possamos instruir os outros.
O exemplo surge quando vivenciamos e suportamos o sofrimento diante dos olhos de nossos irmãos na fé. Ao nos verem submeter-nos a Deus em nossas tristezas, eles aprendem a submeter-se a Deus em suas próprias tristezas. Ao nos verem alegrar-nos em todas as circunstâncias, eles aprendem a alegrar-se em todas as circunstâncias. Ao nos verem louvar a Deus na escuridão, eles aprendem a louvá-Lo na escuridão. Por meio de nosso exemplo piedoso, nós, como Paulo, dizemos tacitamente: “Sejam meus imitadores, como eu sou de Cristo”. Cada um de nós aprende a sofrer ao testemunhar o sofrimento alheio.
Sempre suportamos nossos sofrimentos de uma maneira profundamente pessoal. Nunca deixamos de ser indivíduos cujas dores são realmente dolorosas e cujas tristezas são realmente angustiantes. Mas também sempre suportamos nossos sofrimentos de uma maneira comunitária. Nunca deixamos de ser membros da Igreja de Cristo que vivem suas vidas diante dos outros e, portanto, nunca deixamos de ter a responsabilidade de servi-los bem.
Portanto, quando Deus te chamar para sofrer — e certamente o fará em algum momento — comprometa-se a ser um fiel administrador de suas dores. Saiba que, neste tempo de luto, Deus te deu a oportunidade não apenas de ser servido, mas também de servir, e não apenas de receber, mas também de dar. Mesmo nisso, você é chamado a fazer o bem aos outros para a glória de Deus — a vivenciar o luto de forma exemplar, para que outros vejam como um cristão persevera com fé, esperança e amor a Deus e ao seu povo.
Texto original: Performative Grief Traduzido e publicado no site Cruciforme com permissão.
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Tim Challies é pastor da igreja Grace Fellowship, em Toronto, no Canadá, editor do site de resenhas Discerning Reader e cofundador da Cruciform Press. Casado com Aileen e pai de três filhos, ele também é blogueiro, web designer e autor de várias obras. |
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