Este devocional tem como pano de fundo a adoção de embriões congelados, prática cada vez mais comum nos Estados Unidos e em outros países ocidentais, que permite que embriões excedentes sejam disponibilizados para a adoção.
Dei à luz meu filho adotivo no ano passado. Ele nasceu em casa, antes do amanhecer, numa manhã quente de agosto. Eu o carreguei no ventre por 38 semanas — mas ele foi concebido anos antes disso. Em 2024, eu dei à luz a um bebê cuja a vida começara em 2003.
Mercedes Luna-Munroe é filha de pais dominicanos e nasceu em Nova York. Ela conheceu seu primeiro marido quando tinha 25 anos. Mercedes ainda lembra do dia em que ele entrou na casa de seus pais. O ano era 1998. Um completo estranho, ele viera pegar empanadas com a mãe dela e chamou a sua atenção. O estranho se tornou seu amigo e, depois, seu marido, em 2000. Infelizmente, dificuldades devoraram o casamento dos dois jovens.
Mercedes escutou a terrível palavra “infertilidade” pela primeira vez aos 26 anos. Ela foi diagnosticada com a síndrome do ovário policístico e recebeu umas poucas opções, além da fertilização in vitro. Trilhou o caminho custoso da concepção através da fertilização in vitro e, em 2003, recebeu seis embriões. Embora sua jornada para ter filhos devesse ter terminado naquele mesmo ano, a história estava apenas começando.
Mercedes engravidou de dois dos seis embriões — as gêmeas Samantha e Lizbeth. Então, o impensável aconteceu na 23ª semana de gestação: seu colo do útero dilatou prematuramente e sua bolsa amniótica foi acidentalmente perfurada durante um exame. Um parto prematuro acabou com a vida das gêmeas. As crianças, nascidas no dia 11 de agosto de 2003, tiveram apenas algumas horas de vida. A perda traumática das filhas é uma tristeza que Mercedes ainda carrega consigo. Aquela foi a sua última gravidez.
O médico transferiu mais dois embriões, mas nenhum deles resultou em gravidez. Em 2005, Mercedes ainda tinha dois embriões guardados, mas já estava solteira. Suas lembranças dessa época ainda estão envoltas por sentimentos sombrios. Ela afundou em depressão, enquanto trabalhava para sustentar a casa e preservar seus dois embriões congelados. Quando ela não conseguiu mais pagar pelas taxas de armazenamento dos embriões, deparou-se com duas opções: destruir aquelas vidas ou doá-las. Ela (e seu ex-marido) escolheram a segunda opção. Os embriões foram levados para o Centro Nacional de Doação de Embriões (NEDC, sigla em inglês) em Knoxville, Tennessee. E é aqui que a minha família entra na história.
Eu estava lutando contra a infertilidade quando soube do programa de adoção de embriões do NEDC. Meu marido e eu nos inscrevemos no programa, no início de 2023, na esperança de adotar um embrião que há muito tempo estava na lista de espera. Os pequenos da Mercedes estavam congelados há 20 anos quando os encontramos. Ambos os embriões foram implantados em mim, em dezembro de 2023. Um deles foi para o Senhor; nós o chamamos de Zion. O outro nasceu em 11 de agosto de 2024, e nós o chamamos de Kian (que significa “perseverante”). Kian compartilha o dia de nascimento com as irmãs gêmeas que a Mercedes deu à luz 21 anos antes.
O nome do meio de Kian é Immanuel [Emanuel], que significa “Deus conosco”. Esse nome aparece em Isaías 7.14. Israel estava sendo ameaçado por inimigos poderosos e tremia de medo, como uma floresta sacudida pelo vento. Mas Deus estava com seu povo e prometeu salvá-lo. Sua palavra veio acompanhada de um sinal: um filho nasceria e seria chamado “Deus conosco”, apesar das circunstâncias sombrias. Esse sinal, que se cumpriu em parte na época de Isaías, enfim se cumpriu em uma noite estrelada, em Belém. Uma virgem concebeu e deu à luz um filho — Jesus, o Messias (Mateus 1.21-23).
O povo de Deus vive em um mundo onde acontecimentos traumáticos nos deixam abalados. No entanto, Deus está conosco em meio à escuridão. Sua presença é a nossa luz e a fonte da nossa esperança. Eu dei à luz a um filho adotivo chamado Immanuel porque o grande Emanuel é o nosso redentor.
Nana Dolce, é autora de You Are Redeemed [Você é redimido] e The Seed of the Woman [A semente da mulher]. Ela é palestrante convidada no Reformed Theological Seminary e instrutora do Charles Simeon Trust. Nana mora em Washington, DC, com o marido e quatro filhos.
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