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Nestes nossos dias sombrios

A escuridão me assombra. Durante as semanas consecutivas do Advento, quero que o ânimo melhore, que a luz brilhe e que a alegria resplandeça. No entanto, a árvore de Natal iluminada, os cânticos de boas-novas e alegria, os panetones e tudo o mais que enfeita a “época mais maravilhosa do ano” não conseguem vencer a escuridão agourenta que vem logo depois do dia 25 de dezembro.

Conforme me aproximo da meia-idade, o medo de maiores dificuldades e aflições cresce. E o dia 25 de dezembro dá lugar não a prazer e alegrias, mas sim à concreta e palpável escuridão de janeiro. Os dias com poucas horas de luz, um frio de gelar os ossos e a labuta de um ano inteiro de trabalho pela frente sempre me deixam em um estado depressivo. Eu viro outra página do calendário e minhas preocupações se multiplicam. Será este o ano em que tudo correrá tão mal que eu acabarei arruinado? Será que o mundo se destruirá em meio a tantas guerras? Serei eu tão míope e indiferente a ponto de causar uma confusão irreparável? Será que este é o ano em que outra bomba vai cair e a tristeza vai vedar meus olhos para qualquer alegria?

Quando fico à mercê dos meus próprios pensamentos, a escuridão vence. Sempre. Minha perspectiva é estreita demais, desgastada demais para vislumbrar algum horizonte. A escuridão é tão penetrante que não consigo imaginar uma luz que nasça e possa dissipar as sombras. A esperança é para quem já é vencedor.

É claro que pensar dessa forma só faz sentido se você ignorar as promessas de Deus. Ou melhor, a promessa.

Ela não é uma promessa para vencedores. Também não é para os que estão íntegros e saudáveis, nem para os ricos e poderosos. É uma promessa para aqueles que vivem na terra das mais profundas trevas. Afinal, “sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz” (Isaías 9.2, grifo meu). Abraçar essa promessa exige uma montanha, ou quem sabe, apenas um grão de mostarda de humildade. Eu vivo nessa terra das mais profundas trevas. Sou tanto criação dela quanto seu criador. No entanto, se reconheço que as trevas habitam dentro de mim, estou pronto para ser o destinatário da promessa.

A luz raiou. Jesus confronta a nossa escuridão com a sua luz penetrante, resplandecente: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (João 9.5). Ele consola os que habitam em trevas, com medo e acovardados, dizendo: “Que o coração de vocês não se perturbe. Creiam em Deus; creiam também em mim” (14.1). Ele nos liberta do domínio das trevas e nos transporta para o seu reino, por meio do seu próprio sangue derramado (Colossenses 1.13).

A luz resplandecerá. As trevas do presente não terão a menor chance diante da Segunda Vinda. Jesus é “o resplendor da glória de Deus” (Hebreus 1.3). Quando ele voltar, colocará todas as coisas em ordem. Sua luz de graça e justiça iluminará completamente até mesmo as coisas ocultas. É por meio da sua luz gloriosa que as nações andarão. As trevas não vencerão, “pois o Senhor Deus os iluminará; e eles reinarão pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 22.5).

Sim, há trevas no presente, trevas que podem se aprofundar ainda mais. Mas a promessa está raindo. Post tenebras lux. “Depois das trevas, a Luz.”

Jeremy Writebol é o pastor principal da Woodside Bible Church em Plymouth, Michigan, e diretor-executivo do Discipulado Centrado no Evangelho. É autor de vários livros, entre eles Make It Your Ambition [Faça disso sua ambição], o premiado Pastor, Jesus Is Enough [Pastor, Jesus é o suficiente] e Ever Present: How the Gospel Relocates Us in the Present [Sempre Presente: Como o Evangelho nos reposiciona no presente].

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Autor

  • Cativo à Palavra

    Projeto Missionário Teológico e Pastoral.

    Para um coração cativo e dedicado ao Senhor.

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