O lugar do Saltério na piedade cristã reformada: centralidade e uso de outros cânticos na adoração (3)
3. Culto na liberdade do Espírito, conforme a Palavra A criatividade, que é um dos reflexos da imagem de Deus em nós,[1] também foi manchada pela pecado. Portanto, essa magnífica aptidão criativa tanto ativa – no sentido de tentar criar o belo −, como passiva − de apreciar a beleza −, sofreu distorções. O…
3. Culto na liberdade do Espírito, conforme a Palavra
A criatividade, que é um dos reflexos da imagem de Deus em nós,[1] também foi manchada pela pecado. Portanto, essa magnífica aptidão criativa tanto ativa – no sentido de tentar criar o belo −, como passiva − de apreciar a beleza −, sofreu distorções. O pecado torna-se ocioso em suas expressões e desconfigurações criativas e perceptivas. A luta de Paulo em Romanos 7 reflete a luta potencial de todo nascido de novo: o poder sobrevivente do pecado.
Como não poderia deixar de ser, a nossa criação sempre refletirá aspectos de nosso DNA ontológico (somos criaturas) e, após a queda, o nosso DNA ontológico-existencial: somos pecadores.
Por isso, a simples aceitação universal de um padrão de beleza não reflete necessariamente um padrão estabelecido para nós antes da queda. Ou seja: nossos padrões ainda que não totalmente dominados pelo pecado – visto que Deus nos abençoa com a sua graça comum[2] −, representam em maior ou menor grau os valores predominantes de uma época e cultura.
No culto, nossa criatividade deve estar submissa à instituição divina. O Deus Trino estabelece princípios e normas para a adoração. Não há beleza autônoma: toda verdadeira beleza nasce da obediência à Palavra. “Tudo o que oferecemos a Deus vem dele mesmo. Nossa criatividade deve ser teológica e orientada pela Escritura, pois não há beleza na desobediência nem nos sentimentos afastados da Palavra.
Desse modo, o que determina a forma do culto, não pode ser um critério puramente estético ou sentimental;[3] mas sim, espiritual, teológico e racional. A beleza e o sentimento devem proceder de um coração que se alegra em Deus. Todos esses critérios devem submeter-se à revelação: o culto cristão deve ser na liberdade do Espírito, dentro dos parâmetros da Palavra e na integridade do nosso ser.[4] (Jo 4.23-24; Fp 3.3).[5]
O Espírito que inspirou as Escrituras (2Tm 3.16; 2Pe 1.21)[6] é o mesmo Espírito que nos selou e nos “enche”. Não há contradição no Espírito, por isso, os limites da nossa experiência espiritual estarão sempre dentro da amplitude da revelação bíblica.
Experiência e Palavra
O que queremos dizer é que toda genuína experiência subjetiva com o Espírito tem a sua objetividade na sua Palavra escrita. Ninguém em nome do Espírito pode contrariar a Palavra, que é do Espírito (1Co 12.3).
É preciso que entendamos que o significado da coisa não deve ser separado do que a coisa é.[7] A essência sempre supera a experiência, que deve ser corrigida e iluminada por ela. A experiência revela apenas o aspecto subjetivo da essência vivida, sem esgotá-la ou qualificá-la como verdadeira. Posso ter certeza da minha experiência, mas não de que ela esgote a essência. Diferentes vivências podem nascer da mesma essência sem jamais esgotá-la.
Nossas experiências não servem de fundamento sólido para a fé e para o ensino. Antes, elas devem ser examinadas à luz das Escrituras. As nossas percepções e experiências não significam, necessariamente, compatibilidade com a realidade.
Kuyper comenta:
A experiência espiritual não pode fornecer nenhuma base para instrução, pois tal experiência repousa sobre o que se passou em nossa própria alma. Certamente que isso tem valor, influência, voz no assunto. Mas o que garante a precisão e a fidelidade ao interpretarmos tal experiência? E, novamente, como podemos distinguir suas várias fontes – de nós mesmos, de fora ou do Espírito Santo? A dupla questão será sempre pertinente. Nossa experiência é compartilhada por outras pessoas? Ela pode ser adulterada pelo que é em nós pecaminoso e espiritualmente anormal? […] A Igreja de Cristo certamente apresenta abundante pronunciamento espiritual em hinos e cânticos espirituais; em homilias exortatórias e consoladoras; em confissão sóbria ou explosões de almas quase submersas pelas enchentes de perseguição e martírio. Mas nem mesmo isso pode ser a base do conhecimento da obra do Espírito Santo.[8]
A Palavra de Deus é o firme fundamento de nossa fé. A Palavra deve ser a intérprete, norteadora e corretora do que experimentamos. Uma teologia fiel às Escrituras é de extrema relevância nesse processo.[9] A genuína doutrina nos conduz pelo caminho da liberdade em Cristo (Rm 6.17).
Quando priorizamos a experiência, caímos na armadilha de tornar a Palavra algo secundário e, por isso mesmo, temos uma fé frágil, inconstante, sendo movidos ao sabor de nossas paixões, inclinações e interesses circunstanciais. Benware pondera que: “No reino do misticismo espiritual, alguns têm deixado a autoridade da Palavra de Deus e estabelecido a autoridade da experiência”.[10]
Alguém pode então indagar: E a experiência não tem valor algum? Claro que sim. A vida cristã é fundamentalmente experienciável.[11] Todavia, a nossa experiência deve estar subordinada à Escritura. Quando tentamos universalizar a nossa experiência como padrão, terminamos por subordinar a Palavra à nossa percepção[12] e vivência, nos esquecendo de que somos pecadores.
A nossa relação com Deus é percebida pela certeza subjetiva de nossa filiação, do seu cuidado para conosco e da convicção de que, ainda que os frutos de nossa fé não sejam visíveis agora, nós sabemos quem é o nosso Deus. A adoção é o ápice da gestação de sua misericórdia. O próprio Espírito testifica isso em nós (Rm 8.16).
Por vezes, a importância da experiência da fé, fruto da Palavra, é minimizada. Isso, em geral, por dois motivos: um conhecimento limitado das Escrituras ou pelo temor – que tem o seu lugar –, de que a experiência, de forma arbitrária, alcance a primazia sobre a Palavra e agora, misticamente desejemos uma relação com Deus “sem barreiras teológicas” fundamentada na própria experiência que se autocredencia, em geral alavancada por uma hermenêutica alegórica aplicada arbitrariamente às Escrituras, tentando embasar, com algum elemento intelectual, a sua suposta ascensão espiritual imediata – sem mediações –, purificadora, esvaziada de si mesmo, uma espécie de “derretimento do próprio ser”, sendo absorvida pelo ser de Deus.[13]
Obviamente, este caminho tende a afastar este místico cada vez mais das Escrituras, tratando as questões teológicas e espirituais como verdades por ele experimentadas que estão muito além da “mera letra” ou do conhecimento de homens comuns. Nesse caso, a religião passa a ser uma questão individual e, portanto, totalmente subjetiva.[14] Essas compreensões têm influência direta na forma como adoramos.
Doutrina e Adoração
O louvor a Deus deve ser sempre dentro dos princípios da revelação bíblica, praticado com o coração sincero (Am 5.21-23).[15] A verdadeira ortodoxia é bíblica e é corretamente vivida: a vida cristã não pode excluir a doutrina, nem esta pode perdurar sem aquela. A Palavra de Deus é viva e altamente discernidora, estimulante e cativante.
Conforme acentuou Horton:
A ortodoxia fria é o resultado da absorção da doutrina sem gratidão. O emocionalismo[16] é o resultado da gratidão sem a doutrina. Precisamos tanto da doutrina quanto da resposta. A primeira tendência conduz a uma obsessão pelos dados intelectuais sem expressão no amor, humildade, caridade, boas obras, e adoração genuína. A última é como dizer “obrigado” 142 vezes, sem saber exatamente a razão.[17]
O remédio para ambos os equívocos está no apego ao ensino de Jesus Cristo: adorar a Deus no Espírito por intermédio da verdade. A ortodoxia fria deve ser corrigida pela genuína ortodoxia que ressalta a glória de Deus e demonstra a nossa incapacidade e limites diante do Senhor de toda graça.
Ainda que nosso culto seja limitado e imperfeito − considerando que ainda somos pecadores −, não podemos oferecer a Deus um culto distante da Palavra e da integralidade do nosso ser. Não existe culto “em verdade” divorciado das Escrituras que prescreve a forma, o conteúdo e a integridade de nossa adoração a Deus.
Kuyper comenta:
Quando este ministério de sombras cumpriu os propósitos do Senhor, Cristo vem para profetizar a hora quando Deus não mais será adorado no monumental templo em Jerusalém, pelo contrário, será adorado em espírito e em verdade. E em conformidade com esta profecia vocês não encontram nenhum vestígio ou sombra de arte com propósito de adoração em toda literatura apostólica. O sacerdócio visível de Arão dá lugar ao sumo sacerdócio invisível segundo a ordem de Melquisedeque no céu. O puramente espiritual abre caminho por meio da neblina do simbólico.[18]
O Espírito e a Palavra
O culto espiritual é instituído por Deus.[19] A verdadeira adoração deve submeter-se à sua autorrevelação, na forma e no espírito. Espírito e Palavra são inseparáveis: o Espírito honra apenas a Palavra de Deus.
Calvino comentando o livro de Isaías, escreve:
Da mesma forma, “a Palavra” não pode ser separada “do Espírito”, como imaginam os fanáticos, que, desprezando a palavra, ufanam-se do nome do Espírito, e incrementam coisas, como confidenciais, em suas próprias imaginações. É o espírito de Satanás que é separado da palavra, a qual o Espírito de Deus está continuamente unido.[20]
Por mais impressionante que seja a adoração planejada pelo homem, se ela não for dirigida por Deus, por intermédio do seu Espírito, não será aceita, não passará de uma tentativa de boa obra humana no afã de conseguir o favor divino.
O culto ao Senhor não pode ser a nosso bel-prazer, como quis Jeroboão e, também, de certa forma Uzias, pois Deus o rejeita (1Rs 12.33-13.5; 2Cr 26.16-21).[21]
Calvino exorta: “Do seu caminho estão bem longe aqueles que pensam que podem agradar-lhe com observâncias formuladas ao bel-prazer dos homens”.[22] De fato, se quisermos agradar ao Senhor por meio do culto somente a Ele devido, devemos procurar saber por intermédio da sua Palavra como Ele deseja ser cultuado.
Na Antiguidade, o filósofo Sócrates (469-399 a.C.), ainda que dentro de um referencial pagão, fez uma pergunta – que para nós cristãos, é meramente retórica −, que revela uma percepção correta: “Haverá culto mais sublime e piedoso que o que prescreve a própria divindade?”.[23]
São Paulo, 09 de junho de 2026.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
[1] Cf. Harold M. Best, Christian Responsibility in Music. In: Leland Raken, ed. The Christian Imagination: essays on literature and the arts, 2. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1986, [p. 401-414], p. 403.
[2]Witsius (1636-1708) observou: “Tudo o que é sólido e criterioso nas artes humanas, tudo o que é verdadeiro e considerável em filosofia, tudo o que é elegante e gracioso na ampla extensão da literatura acadêmica. Tudo flui do Pai das Luzes, a inesgotável Fonte de toda razão, verdade e beleza; e tudo isso, portanto, coletado de toda parte do universo, deveria novamente ser consagrado a Ele” (Herman Witsius, O Caráter do Verdadeiro Teólogo, São Paulo: Teocêntrico Publicações, 2020.(Locais do Kindle 174-178).
[3]“O culto cristão contemporâneo é motivado e julgado por padrões diversos: seu valor de entretenimento, seu suposto apelo evangélico, sua fascinação estética, até mesmo, talvez, seu rendimento econômico. A herança litúrgica da Reforma nos recorda a convicção de que, acima de tudo, o culto deve servir para o louvor do Deus vivo” (Tymothy George, Teologia dos Reformadores, São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 317).
[4] “Porque Deus é espírito, a adoração deve também ser praticada com integridade em relação à fidelidade para com a revelação própria de Deus, porque ela deve ser ‘em verdade’” (Terry L. Johnson, Adoração Reformada: A adoração que é de acordo com as Escrituras, São Paulo: Puritanos, 2001, p. 29).
[5] “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23-24). “….nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fp 3.3). (Destaques meus).
[6]Sobre a Inspiração da Bíblia, Veja-se: Hermisten M.P. Costa, A Inspiração e Inerrância das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada, 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.
[7] “A ciência da definição, da divisão e da classificação, ainda que seja empregada muitas vezes para coisas falsas, não é por si só falsa; nem foi instituída pelos homens, mas descoberta pela própria razão das coisas” (Santo Agostinho, A Doutrina Cristã, São Paulo: Paulinas, 1991, II.36 p. 143).
[8]Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 44.
[9] “A teologia cristã oferece uma estrutura pela qual as ambiguidades da experiência podem ser interpretadas. A teologia visa interpretar a experiência. É como uma rede que podemos lançar sobre a experiência, a fim de capturar seu sentido. A experiência é vista como algo para ser interpretado, em vez de algo que em si é capaz de interpretar. A teologia cristã visa assim a dirigir-se a, interpretar e transformar a experiência humana” (Alister E. McGrath, Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do Evangelicalismo, São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 66-67).
[10]Paul N. Benware, A obra do Espírito Santo hoje: In: Mal Couch, ed. ger., Os Fundamentos para o Século XXI: Examinando os principais temas da fé cristã, São Paulo: Hagnos, 2009, p. 402.
[11] Veja-se: Hermisten M.P. Costa, A Tua Palavra é a Verdade, Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 146. “Pessoas que simplesmente andam na montanha russa da experiência emocional estão roubando de si mesmas uma fé cristã mais rica e profunda ao negligenciar o lado intelectual dessa fé” (William L. Craig, A Verdade da Fé Cristã, São Paulo: Vida Nova, 2004. p. 14).
[12] “O maior perigo de todos para os cristãos seja compreender as Escrituras à luz de suas próprias experiências. Não devemos interpretar as Escrituras à luz de nossas vivências, mas devemos examinar nossas experiências à luz do ensino das Escrituras” (D. Martyn Lloyd-Jones, O Batismo e dos dons do Espírito, 3. ed. Natal, RN.: Editora Carisma, 2021, p. 26-27).
[13] As considerações de Heppe são bastante esclarecedoras. Veja-se: Heinrich Heppe, A History of Puritanism, Pietism, and Mysticism and Their Influences on the Reformed Church, Unknown. Edição do Kindle. Copyright © 1879. Tradução para o inglês: Copyright © 1997 Arie Blok, (Posição 184ss de 9615).
[14] A mística religiosa é sempre uma nova proposta de mediação; ela traz em suas entranhas a insatisfação com os caminhos propostos e oficializados pelas autoridades constituídas ou pelo senso comum. A mística traz uma marca de superação individual, uma carência de identificação com o Outro, o transcendente que está “lá fora” ainda que possa estar “cá dentro”, mas mesmo assim, fora da esfera do transitado, do conhecimento percebido e dominado. É justamente nesse avançar que o homem adquire uma visão mais clara da realidade por meio da não limitação de seus condicionantes físicos e materiais; na proximidade maior do transcendente é que adquirimos maior clareza na interpretação do real. Curiosamente, a mística na tentativa de explicar quer por via negativa, quer por via positiva, o inexplicável, porém, experimentado, termina por fazer um exercício teológico. Portanto, a experiência mística não pode pretender ser autojustificadora fora do universo de quem a experimentou. (Veja-se: Misticismo: In: Norman Geisler, Enciclopédia de Apologética, São Paulo: Editora Vida, 2002, (2ª impressão), p. 603).
[15]“21 Aborreço, desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias solenes não tenho nenhum prazer. 22 E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. 23 Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Am 5.21-23).
[16]“É nosso dever denunciar sempre o emocionalismo, mas que Deus não permita que descartemos a emoção” (D.M. Lloyd-Jones, Deus o Espírito Santo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1998, p. 191).
[17]Michael Horton, As Doutrinas da Maravilhosa Graça, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p.87.
[18] Abraham Kuyper, Calvinismo, p. 155.
[19] Veja-se: João Calvino, As Institutas, II.8.17.
[20]John Calvin, Commentary on the Book of the Prophet Isaiah, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, (Calvin’s Commentaries), 1996, v. 8/4, (Is 59.21), p. 271. “Nunca devemos separá-los (O Espírito e a Palavra), e, se fizermos isso, perderemos o rumo” (David Martyn Lloyd-Jones, Cristianismo Autêntico: Sermões nos Atos dos apóstolos, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2006, v. 2, p. 260). “À parte do Espírito, a Palavra está morta, ao passo que, à parte da Palavra, o Espírito é desconhecido” (John Stott, Eu Creio na Pregação, São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 108).
[21]“No décimo quinto dia do oitavo mês, escolhido a seu bel-prazer, subiu ele ao altar que fizera em Betel e ordenou uma festa para os filhos de Israel; subiu para queimar incenso. Eis que, por ordem do Senhor, veio de Judá a Betel um homem de Deus; e Jeroboão estava junto ao altar, para queimar incenso. Clamou o profeta contra o altar, por ordem do SENHOR, e disse: Altar, altar! Assim diz o Senhor: Eis que um filho nascerá à casa de Davi, cujo nome será Josias, o qual sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que queimam sobre ti incenso, e ossos humanos se queimarão sobre ti. Deu, naquele mesmo dia, um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o Senhor falou: Eis que o altar se fenderá, e se derramará a cinza que há sobre ele. Tendo o rei ouvido as palavras do homem de Deus, que clamara contra o altar de Betel, Jeroboão estendeu a mão de sobre o altar, dizendo: Prendei-o! Mas a mão que estendera contra o homem de Deus secou, e não a podia recolher. O altar se fendeu, e a cinza se derramou do altar, segundo o sinal que o homem de Deus apontara por ordem do Senhor” (1Rs 12.33-13.5).
“Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso. Porém o sacerdote Azarias entrou após ele, com oitenta sacerdotes do Senhor, homens da maior firmeza; e resistiram ao rei Uzias e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para este mister; sai do santuário, porque transgrediste; nem será isso para honra tua da parte do Senhor Deus. Então, Uzias se indignou; tinha o incensário na mão para queimar incenso; indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu na testa perante os sacerdotes, na Casa do Senhor, junto ao altar do incenso. Então, o sumo sacerdote Azarias e todos os sacerdotes voltaram-se para ele, e eis que estava leproso na testa, e apressadamente o lançaram fora; até ele mesmo se deu pressa em sair, visto que o Senhor o ferira. Assim, ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da Casa do Senhor; e Jotão, seu filho, tinha a seu cargo a casa do rei, julgando o povo da terra” (2Cr 26.16-21).
[22]João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 4, (IV.15), p. 136.
[23]Xenofonte, Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 2), 1972, IV.3.16. p. 149.
