Duas curtas (mas decisivas) orações

A Semana Mundial de Oração, que mobiliza igrejas do mundo inteiro na primeira semana de casa ano, me fez refletir em duas curtas orações da Bíblia bem conhecidas e que tenho repetido constantemente. A primeira é conhecida por estar relacionada à própria prática da oração. Conforme Lucas, conhecido como “o Evangelho da oração”, o ensino…

A Semana Mundial de Oração, que mobiliza igrejas do mundo inteiro na primeira semana de casa ano, me fez refletir em duas curtas orações da Bíblia bem conhecidas e que tenho repetido constantemente.

A primeira é conhecida por estar relacionada à própria prática da oração. Conforme Lucas, conhecido como “o Evangelho da oração”, o ensino do Pai Nosso se deu porque, numa ocasião em que Jesus estava orando, ao terminar, um dos seus discípulos lhe pediu: “Senhor, ensina-nos a orar”.

O “discípulo sem nome”, ao proferir o pedido que se tornou famoso, certamente não imaginava que, voltando-se assim para o seu Mestre, já estava na verdade orando e, também, articulando uma das reações mais felizes entre aqueles que seguiram o Deus-Homem em seu ministério terreno.

Essa é uma curta, mas decisiva oração, não só porque deu origem à chamada “oração dominical” [oração do Senhor], a oração que Jesus nos ensinou, mas também porque expressa uma necessidade fundamental da nossa vida, seja antes de sermos convertidos, mas também depois: nós precisamos aprender a orar. Isso porque, além de ser uma carência decisiva de todo ser humano, mesmo já crentes, nós oramos muito pouco e, quando oramos, “pedimos mal”, considerando apenas nossa própria opinião sobre nossas necessidades.

Uma segunda oração, também muito conhecida, foi registrada no Evangelho de Marcos, e se deu quando um pai angustiado procurou Jesus a favor de seu filho, que estava possesso por um demônio. Diante do Salvador, com relutância, ele disse: “Senhor, se podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”. Jesus, então, lhe disse: “Se podes! Tudo é possível ao que crê”. Então, com lágrimas, o pai angustiado orou: “Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé”.

Pode parecer uma contradição, mas não é. Essa curta oração nos ensina o quanto somos fracos até para orar e crer, mas também nos mostra que Deus nos ama muito mais do que imaginamos, é infinitamente compassivo e muito mais poderoso do que cremos. Ele, inclusive, usa, mas não depende da nossa “fraca fé” e nem da própria oração.

Certamente o pai do menino, seja por sua necessidade ou por não conhecer tão bem a Jesus, de fato, relutou, mas mesmo assim orou com sinceridade e quebrantamento: “ajuda-me na minha falta de fé”.

Diferente da “fé triunfalista” incentivada hoje, como se a fé fosse mais um tipo de “pensamento positivo” ou “auto-ajuda”, a fé bíblica se manifesta a partir desse tipo de gente e desse padrão de oração; pode-se dizer que a “fé bíblica” é para os fracos; é para aqueles que entendem que, por conta própria, são incapazes até de crer e que, só pela graça e pelo poder de Deus, eles podem, de fato, confiar no Senhor, orar e obter aquilo de que precisam.

Que o Mestre e compassivo Salvador nos ajude a pedir com sinceridade e perseverança: “Ensina nos a orar” e “Eu creio, ajuda-me na minha falta de fé”.

O Rev. Djaik Neves é pastor da IP Jardim Guanabara e Presidente do Presbitério de Várzea Grande, MT

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Autor

  • Cativo à Palavra

    Projeto Missionário Teológico e Pastoral.

    Para um coração cativo e dedicado ao Senhor.

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