Chamados à glória: a jornada do peregrino cristão

A vida cristã não termina na conversão; é nela que verdadeiramente começa. O perdão recebido em Cristo não é ponto de chegada, mas o início de uma jornada gloriosa de santificação. Esse perdão não nos torna passivos; ao contrário, nos impulsiona a viver em obediência e gratidão, revelando a justiça e a misericórdia de Deus….

A vida cristã não termina na conversão; é nela que verdadeiramente começa. O perdão recebido em Cristo não é ponto de chegada, mas o início de uma jornada gloriosa de santificação. Esse perdão não nos torna passivos; ao contrário, nos impulsiona a viver em obediência e gratidão, revelando a justiça e a misericórdia de Deus.

A salvação é o nascimento de uma nova vida, que precisa ser nutrida pela Palavra e moldada pelo Espírito. Assim como uma criança nasce perfeita em suas partes, mas ainda precisa se desenvolver, também o cristão é chamado a amadurecer em fé e santidade. O novo nascimento não é produto acabado, mas o início de um processo de formação espiritual que nos conduz ao pleno propósito de Deus. Essa consciência nos protege contra o mundanismo e nos lembra de que não temos morada fixa aqui, mas caminhamos rumo à herança eterna.

Esse crescimento exige raízes profundas. Árvores altas só permanecem firmes porque possuem raízes vigorosas; da mesmo modo, o cristão precisa estar solidamente enraizado em Cristo. Quanto mais avançamos em nossa vida social, cultural e espiritual, mais necessitamos de fundamentos sólidos na Palavra e na oração, para resistir às tentações sutis que nos cercam. Podemos crescer em altura, mas é indispensável crescer em profundidade − aprofundando nossas raízes na fé, para que a vida cristã seja estável, frutífera e perseverante.

A santificação é, portanto, um processo contínuo, uma luta diária contra o pecado, conforme nos ensina a Confissão de Fé de Westminster: a carne e o Espírito permanecem em conflito até que alcancemos a perfeição na glória. Essa luta diária contra o pecado nos lembra de que somos peregrinos e estrangeiros neste mundo. Nossa pátria não é a terra, mas o céu.

Devemos viver como forasteiros, sem nos conformar aos padrões do mundo, mas buscando refletir a imagem de Cristo. A fé nos coloca no meio da sociedade, mas nos liberta da sua lógica e nos chama a adotar o “estilo arquitetural de Deus”, como disse Emil Brunner (Romanos, São Paulo: Fonte, 2007 [Rm 12.1-2], p. 169).

O combate da fé é árduo, mas é bom, porque nos conduz ao alvo supremo: sermos conformes à imagem de Cristo. É uma batalha que não travamos sozinhos, pois o Senhor nos fortalece e garante a vitória. A santidade não é apenas vencer pecados particulares, mas ser santo como Deus. Por isso, não há espaço para acomodação na vida cristã. O cristão é chamado a perseverar, mesmo em meio às lutas, sabendo que sua esperança está firmada na vitória de Cristo.

A Igreja, como corpo de Cristo, é chamada a viver hoje em santidade, preparando-se para o encontro jubiloso com o Senhor, que a apresentará gloriosa, sem mácula nem ruga. Nossa vocação é elevada: fomos chamados à glória do Filho amado. Essa é a meta que sustenta nossa caminhada, o destino que dá sentido à nossa peregrinação.

Em síntese, a vida cristã é uma jornada: começa no perdão, prossegue na santificação e culmina na glória. É um caminho de fé, esperança e amor, no qual cada passo nos aproxima da estatura da plenitude de Cristo.

Por isso, não podemos nos contentar com uma fé superficial ou com uma espiritualidade meramente formal. O chamado de Deus é para uma vida íntegra, que reflita a beleza da santidade em cada esfera da existência. O cristão não vive para si mesmo, mas para o Senhor que o resgatou. Cada decisão, cada gesto e cada palavra devem ser moldados pela consciência de que pertencemos a Cristo e caminhamos rumo à eternidade.

Que cada um de nós, como peregrinos, caminhe com os olhos erguidos ao céu, sustentados pela promessa de que “quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos como ele é” (1Jo 3.2). Essa esperança nos sustenta, nos fortalece e nos consola. Que vivamos cada dia com fé, esperança e amor, certos de que nossa jornada, embora marcada por lutas, é conduzida pela mão fiel de Deus até o destino glorioso preparado para os seus filhos. Amém.

O Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa, colunista do BP, é pastor-auxiliar da 1ª IP São Bernardo do Campo, São Paulo, SP, Coordenador Acadêmico e professor de teologia no JMC; é membro do CECEP e do Conselho Editorial do Brasil Presbiteriano

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Autor

  • Cativo à Palavra

    Projeto Missionário Teológico e Pastoral.

    Para um coração cativo e dedicado ao Senhor.

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