Rei e Pastor: O Senhor na visão e vivência dos salmistas (33)
1.5. O Santo Senhor (Continuação) A santidade de Deus e as nossas decisões: Salmo 11 Tomemos o Salmo 11 como uma ilustração da compreensão da santidade Deus na vida de seus servos. O salmista inicia o salmo com sua declaração de fé e confiança, resultantes, certamente, de sua extensa e intensa experiência espiritual:…
1.5. O Santo Senhor (Continuação)
A santidade de Deus e as nossas decisões: Salmo 11
Tomemos o Salmo 11 como uma ilustração da compreensão da santidade Deus na vida de seus servos.
O salmista inicia o salmo com sua declaração de fé e confiança, resultantes, certamente, de sua extensa e intensa experiência espiritual: “No Senhor me refugio” (Sl 11.1).[1]
Ainda que muitos de seus amigos pudessem fazer declaração semelhante, a percepção do salmista a respeito de suas adversidades não era a única. Em suas cogitações e medo, em nenhum momento estes amigos conselheiros, ainda que bem intencionados, levam em consideração o nome de Deus.
As nossas palavras mesmo não sendo mentirosas, são limitadas na descrição do que sentimos, ou para distinguir as nuances da inteireza de sentimentos expressos por pessoas diferentes a respeito do mesmo assunto, ainda que se valendo de termos semelhantes.
Posso usar a palavra horrorosa para descrever uma leve insatisfação com a comida, quando na realidade quis apenas dizer que achei um pouco salgada. Já o meu colega pode usar a mesma expressão porque, com gosto mais refinado, detestou o tempero que, em sua opinião, estragou todo o prato.
Uma descrição sincera mas, pouca amistosa dos fenômenos
A avaliação estratégica de seus amigos, ainda que aparentemente sincera, foi regida pelo medo e senso de preservação, funcionando num plano puramente material. Quem poderia recriminá-los por isso? O cenário apresentado não era falseado ou descrito com cores exageradamente vivas, antes, refletia a realidade evidente: Os inimigos eram muitos, amavam a violência (5), tinham se preparado estrategicamente, estavam fortemente armados e em lugar com visão e proteção privilegiadas (2).
A concretude adversa da história por vezes faz diluir a nossa declaração eufórica de fé, contudo, sem fundamento seguro. Os fatos, por vezes são terríveis em demonstrar a realidade que não percebíamos ou não queríamos perceber.
Isto se manifesta até mesmo em nossas declarações melódicas de fé quando afirmamos querer coisas maravilhosas, como ter um coração igual ao de Deus, viver de forma gloriosa, ser inundado pela glória do Senhor, etc., e não pedimos a Deus que nos capacite a sentir alegria em permanecer no templo durante pouco mais de uma hora de culto, a sermos fieis na devolução de nossos dízimos, a trabalhar com alegria, tratar com dignidade as pessoas e as demais coisas que podem fazer parte de nossa humana rotina.
A fé deve me conduzir com naturalidade em minha percepção e ação cotidiana. Porém, parece, que só percebemos isso em momentos de crise. Na realidade, solidificamos em nossa fé nas pequenas e rotineiras decisões diárias. Quando atentamos para os mandamentos de Deus nas demandas da vida e corrigimos rotas à luz das Escrituras, evidenciamos a nossa fé nas promessas de Deus, demonstrando a seriedade com que consideramos a sua Palavra.
As aflições com frequência servem para testar a nossa fé, evidenciar as nossas carências e revelar a fragilidade de nossos ídolos que mantínhamos em segredo no íntimo de nosso coração.
Uma fé autoconfiante pode ser o caminho mais rápido para a evidente demonstração de sua fraqueza e, por vezes, não-fé.
Pedro e sua arrogante fé
Pedro quando declara sinceramente ao Senhor Jesus a sua arrogante e pretensa inabalável fé, cria nisso. Certeza subjetiva, pode indicar a nossa sinceridade, mas, não necessariamente a realidade dos fatos ou de nossas otimistas expectativas:
33 Disse-lhe Pedro: Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. 34 Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. 35 Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo. (Mt 26.33-35).
29Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais! 30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. 31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos. (Mc 14.29-31).
Contudo, Pedro logo descobriria de forma terrivelmente amarga e irrefutável a pequenez de sua fé:
54Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe. 55 E, quando acenderam fogo no meio do pátio e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles. 56 Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele. 57 Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço. 58 Pouco depois, vendo-o outro, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou. 59 E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu. 60 Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. 61 Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. 62 Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente. (Lc 22.54-62).
Retornando, podemos perceber pela narrativa do salmista que outras pessoas, possivelmente amigas, olhando a sua situação à luz de uma sociedade instável, diziam: “Foge para o monte…. os ímpios armam o arco, dispõem a sua flecha na corda para às ocultas dispararem contra os retos de coração….”.
Davi, por sua vez, não ignora os perigos e as boas intenções de seus amigos. Ele, tão acostumado às batalhas e a entrar nelas em desvantagem, não é tolo. No entanto, nega-se a seguir este conselho. Com justa indignação, diz: “Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (3).
O fundamento de uma fé vigorosa
Resumindo: A vida de Davi está em perigo, os fundamentos do seu reino estão ameaçados; seus amigos aconselham-no a fugir para as montanhas onde teria melhor abrigo.
Qual era, então, o fundamento de sua fé?
Algumas de suas vívidas questões eram as seguintes: O certo se tornou errado? O mal se tornou em bem? Não há mais justiça? Não há quem olhe por nós? Se não houver mais justiça, como o homem justo, de bem, poderá viver?
Notemos que o impasse do salmista não nos é estranho. Em determinadas situações, pensamos: a quem vamos recorrer? Se quem nos deveria defender é quem nos explora, o que fazer? Analisemos estas questões por meio do possível contexto deste salmo.
No entanto, o salmista indaga a respeito desta atitude, considerando-a inadequada (Sl 11.1-3). É possível[2] que este salmo tenha sido escrito no tempo em que Absalão preparava de forma sorrateira uma rebelião contra seu pai para tentar assumir o trono.[3]
Davi também não apelou para uma suposta bondade sua, ou para uma pergunta retórica: “o que eu fiz para merecer isso?”, antes, tem uma perspectiva objetiva dos fatos, ainda que não se limite à percepção de seus conselheiros.
Em princípio o conselho que fora dado não lhe era estranho. Afinal, Davi já tivera a experiência de esconder-se nos montes devido à perseguição de Saul; no entanto, o texto no livro de Samuel nos diz: “Permaneceu Davi no deserto, nos lugares seguros, e ficou na região montanhosa no deserto de Zife. Saul buscava-o todos os dias, porém Deus não o entregou na sua mão” (1Sm 23.14).
Um princípio teológico
Davi sabia que quem lhe protegia não eram os montes, mas, Deus. Ele tinha consciência de que não podemos substituir Deus pelos montes ou por qualquer elemento que se transforme em abrigo para nós. É Deus quem criou e sustenta os montes. Os montes podem servir como instrumentos de proteção, no entanto, quem nos protege é Deus. Por isso, Davi rejeita o conselho de seus amigos, porque se refugia em Deus (Sl 16.1; 36.7).[4]
Nesta rejeição, que poderia parecer mera teimosia, há, na realidade, uma questão de princípio teológico; uma experiência de fé. A nossa fé é sempre um transpirar de nossa teologia. A nossa teologia fundamenta e educa a nossa fé.[5]
A fé experienciada, ilustra de modo decisivo a teologia que seguimos e a fortalece em suas convicções bíblicas. Por sua vez, uma teologia não possível de ser experimentada, quer em sua essência, quer em seus efeitos, não é uma teologia genuinamente bíblica. Revelação é o Deus pessoal em ação se dando a conhecer, possibilitando o nosso falar e vivenciar a partir do que conhecemos dele. O nosso conhecimento de Deus determina o modo como o cultuamos.
No caso de Davi isso é evidente. Ele, sem dúvida, pode se valer da fuga, contudo, tem diante de si a convicção de que seu socorro está em Deus. É dentro desta perspectiva que deve caminhar. A sua visão teológica regia a sua percepção e, consequentemente a sua atitude.
Fé bem fundamentada: Rei Santo
A fé de Davi tem seu fundamento em Deus. Ele conhece a Deus. Os seus atributos mantém diante de si. Escreve: “O SENHOR está no seu santo templo (lk’yhe) (heykal); nos céus tem o SENHOR seu trono (aSeK) (kisse) [6] os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Sl 11.4).
Davi tem como um dos fundamentos de sua fé, a certeza de que Deus reina. Ele é santo e rei: “Nos céus tem o Senhor o seu trono” (Sl 11.4). O trono celestial de Deus é o seu verdadeiro templo (lk’yhe) (heykal) (Mq 1.2; Hc 2.20).[7]
Seus amigos têm uma visão apenas terrena, enquanto Davi vai além da aparente onipresença dessa crise, que sabe real, grave, mas circunstancial. O difícil para nós é enxergar de forma confiante as circunstâncias como tais, sem permitir que o nosso coração perenize a dor em ansiedade paralisante e destrutiva, duvidando de forma velada da promessa de Deus.[8]
Numa confusão de valores e a propensão reinante para o mal criando um clima de insegurança e medo, algo que pode sustentar a nossa fé, é a convicção que o nosso Deus é santo. Por isso, não há impurezas em seus propósitos.
Notemos como esta certeza foi fundamental na vida de outros servos de Deus: Maria, radiante em sua gravidez − que poderia ser considerada no mínimo embaraçosa −, canta jubilosa: “O Poderoso me fez grandes cousas. Santo é o seu nome” (Lc 1.49).
A nossa relação com o Pai é por meio de Jesus Cristo, Aquele que é Santo: “Sumo sacerdote […] santo, inculpável, sem mácula” (Hb 7.26).
Diante da certeza destes ensinamentos, temos o consolo de que mesmo vivendo num mundo de mentiras, contradições e falsidades, podemos ter uma convicção: o nosso Deus é santo. Ele é totalmente avesso ao mal. A sua direção e propósitos são santos. Posso confiar totalmente na integridade de sua orientação. Ele fala e age conforme a sua santa natureza.
Em Deus não há ambiguidades, caminhos e promessas duvidosos. Todo o seu proceder é Santo, condizente com a sua natureza. A sua Palavra, os seus preceitos e caminhos são puros, verdadeiros e santos. “A Santidade destaca sua absoluta justiça que não tolera nenhuma sombra do mal. […] A santidade de Deus é uma separação de tudo aquilo que tem o menor vestígio do mal”, escreve Sire (1933-2018).[9]
Deste modo, se sigo os seus preceitos, se guardo com fé os seus mandamentos, posso ter a certeza de agir de acordo com o Deus que é santo em todos os seus caminhos. Não há impureza nos caminhos de Deus.
O próprio Cristo, como temos visto, às vésperas de sua autoentrega em favor do seu povo, ora ao Pai, chamando-o de “Pai Santo” (Jo 17.11). A santidade absoluta de Deus se revela na cruz, onde o seu amor e a sua justiça se evidenciam de forma eloquente e perfeita.[10] Como escreveu Lloyd-Jones (1899-1981):
Se lhes fosse solicitado responder onde a Bíblia ensina a santidade de Deus mais poderosamente teriam de ir ao Calvário. Deus é tão santo, tão plenamente santo, que nada senão aquela morte terrível poderia tornar possível que Ele nos perdoasse. A cruz é a suprema e a mais sublime declaração e revelação da santidade de Deus.[11]
Este Deus que é Santo instrui-nos por meio de sua Palavra que é santa: “Falou Deus na sua santidade” (Sl 60.6). E é por meio desta mesma Palavra, que é a verdade, que Ele nos santifica (Jo 17.17).
A santidade de Deus revelada na cruz
Na cruz vemos a manifestação gloriosa dos atributos de Deus. “A justiça e o amor se encontraram e se abraçaram. Os santos atributos de Deus são glorificados juntamente na morte do Filho de Deus na cruz”, escreve Lloyd-Jones.[12]
Não haveria para nenhum de nós salvação de nossos pecados sem a justificação. Da mesma forma, existe a justificação porque Jesus Cristo é a nossa justiça; é Ele mesmo quem nos redime (1Co 1.30).[13]
Na cruz temos a reconciliação do santo com o pecador, do perfeitamente justo com o totalmente injusto, do infinito com o finito; do Deus eterno com o homem temporal: “A cruz é o centro da história e a reconciliação de todas as antíteses”, comenta Bavinck.[14]
Na cruz temos a condenação do pecado e de um mundo hostil e, ao mesmo tempo, o amor vitorioso e reconciliador de Deus que conquista o seu povo, o atraindo para si em fé e amor.
A cruz enfatiza o Deus santo e majestoso, zeloso por sua glória. A cruz não fez Deus nos amar, antes, o seu amor por nós a produziu e se revelou ali.[15]
Enquanto para nós as circunstâncias servem de pretexto para os nossos atos pecaminosos e os posteriores atenuantes, para Deus tais circunstâncias – sobre as quais tem total domínio: Ele também é o Senhor das circunstâncias – oportunizam a manifestação do que Ele é em sua essência. O pecado não tornou Deus misericordioso, santo ou justo. Ele é eternamente misericordioso, santo e justo. No entanto, o pecado propiciou a Deus, por sua livre graça, revelar-se desta forma para conosco.
Isaías diz que “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele (Jesus Cristo) a iniquidade de nós todos” (Is 53.6).
A ironia do texto está em declarar que o culpado saiu ileso, totalmente absolvido. O Servo levou sobre si a culpa de muitos, declarando então, pelo seu próprio sofrimento, que os ofensores já não são mais legalmente responsáveis por suas transgressões passadas.[16]
O nosso Senhor e Pastor é santo. Ele não tolera o pecado. No entanto, de forma inexplicável Ele nos ama com amor eterno e, por seu amor misericordioso propiciou de forma santa e perfeita o nosso perdão a e reconciliação completa com Ele.
Deus como essencialmente santo reivindica e estabelece o padrão de santidade para o seu povo (Lv 19.2; 1Pe 1.15).
A fé cristã tem como padrão de nossa nova condição, nada mais do que o próprio Jesus Cristo, o Santo, o Deus encarnado. (Rm 8.29).[17]
Se Deus de fato é o nosso Pastor, aquele que nos guia, sigamos os seus passos em santidade e obediência. “Santidade sempre é a resposta de gratidão do pecador salvo pela graça recebida”, enfatiza Packer (1926-2020).[18] Que assim seja. Amém!.
Maringá, 09 de Julho de 2026.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
[1] Este Salmo tem conexão com os Salmos 5, 7, 10 e 17.
[2] Cf. C.F. Keil; F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, Grand Rapids, MI.: Eerdmans, (1871), v. 5, (I/III), (Sl 11), p. 186.
[3] Há quem pense que o contexto deste salmo é o período no qual Davi fugia de Saul (João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 11), p. 233; F.B. Meyer, Joyas de los Salmos, 2. ed. Buenos Aires: Casa Bautista de Publicaciones, 1972, p. 18; Leslie S. M’Caw, Salmos: In: F. Davidson, ed. O Novo Comentário da Bíblia, São Paulo: Vida Nova, 1976 (reimpressão), p. 508; J.A. Motyer, Salmos. In: D. A. Carson, et. al. orgs. Comentário Bíblico: Vida Nova, São Paulo: Vida Nova, 2010, p. 747; Spurgeon e Simeon Cf. James M. Boice, Psalms: an expositional commentary, Grand Rapids, MI.: Baker Book House, 1994, v. 1, (Sl 11), p. 91). Se o Salmo foi escrito durante o período de Saul ou de Absalão, é uma “controvérsia perpétua” (Cf. Ernst W. Hengstenberger; John Thomson, Commentary of the Psalms, Tennessee: General Books, 2010 (Reprinted), (Sl 11), v. 1, p. 119). Por isso a indefinição: H.C. Leupold, Exposition of The Psalms, 6. impressão, Grand Rapids, MI.: Baker, 1979, p. 125. Para uma visão panorâmica das interpretações clássicas, veja-se: W.S. Plumer, Psalms, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, © 1867, 1975 (Reprinted), p. 164. Ainda que isso não tenha um caráter decisivo, penso que especialmente devido à construção do verso três quando Davi fala de destruir os fundamentos, inclino-me a pensar que o Salmo foi escrito quando ele já era rei de Israel, havendo, portanto, uma subversão da ordem por meio de Absalão.
[4]“Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio” (Sl 16.1). “Como é preciosa, ó Deus, a tua benignidade! Por isso, os filhos dos homens se acolhem à sombra das tuas asas” (Sl 36.7).
[5]Como lembra Henry (1913-2003), “Sem diretrizes doutrinárias claras e críveis, a experiência cristã definha em convicção, da mesma forma que o assentimento doutrinal vazio de apropriação pessoal resulta no empobrecimento espiritual” (Carl F.H. Henry, O Resgate da Fé Cristã, Brasília, DF.: Monergismo, 2014, p. 25). “Todo esforço de falar em sentido dogmático a respeito de Deus apenas com base na percepção sensorial ou na experiência humana é vulnerável e malfadado” (Carl F.H. Henry, O Resgate da Fé Cristã, p. 60).
[6]Indica a realeza, perenidade, autopoder e o justo juízo de Deus. Ele é o Senhor dos senhores. Ele, com o seu poder estável e perene, é quem estabelece ou tira o trono do rei: “Porque sustentas o meu direito e a minha causa; no trono (aSeK) (kisse) te assentas e julgas retamente” (Sl 9.4). “Mas o SENHOR permanece no seu trono (aSeK) (kisse) eternamente, trono que erigiu para julgar” (Sl 9.7) “O teu trono (aSeK) (kisse), ó Deus, é para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu rei” (Sl 45.6). “Deus reina sobre as nações; Deus se assenta no seu santo trono (aSeK) (kisse)” (Sl 47.8). “Justiça e direito são o fundamento do teu trono (aSeK) (kisse); graça e verdade te precedem” (Sl 89.14). “Desde a antiguidade, está firme o teu trono; tu és desde a eternidade” (Sl 93.2). “Nuvens e escuridão o rodeiam, justiça e juízo são a base do seu trono (aSeK) (kisse)” (Sl 97.2). “Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono (aSeK) (kisse), e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19). “Tu, SENHOR, reinas eternamente, o teu trono (aSeK) (kisse) subsiste de geração em geração” (Lm 5.19). (Veja-se: John N. Oswalt, Kisse: In: R. Laird Harris, et. al. eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 734-735).
[7] Veja-se: Leonard J. Coppes, Hêkãl: In: R. Laird Harris, et. al. eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 352-354.
[8]Veja-se: John MacArthur Jr. Abaixo a Ansiedade, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 51.
[9]James W. Sire, O Universo ao Lado, São Paulo: Hagnos, 2004, p. 32.
[10] “A cruz e a coroa revelam não apenas as virtudes do Filho, mas também do Pai. Todos os atributos divinos alcançam plena expressão aqui. Dentre todas elas, uma sobressai: a justiça do Pai. Se Ele não tivesse sido justo, certamente não teria entregue seu Filho Unigênito. E também, se não fosse justo, Ele não teria recompensado o Filho por Seu sofrimento. Mais, por meio dos louvores da multidão salva, o Pai (bem como o Filho) é glorificado” (William Hendriksen, O Evangelho de João, São Paulo: Cultura Cristã, 2004 (Jo 17.1), p. 754). “A cruz se levanta como testemunho da infinita dignidade de Deus e o infinito ultraje do pecado” (John Piper, A Supremacia de Deus na Pregação, São Paulo: Shedd Publicações, 2003, p. 31).
[11]D. M. Lloyd-Jones. Deus o Pai, Deus o Filho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1997, p. 97. “A santidade e a retidão do Seu ser eterno e do Seu caráter significam que ele não pode ignorar o pecado. O pecado é uma realidade, um problema […] até para Deus. É uma coisa que ele vê e da qual tem que tratar, e assim manifesta a glória do Seu ser em Sua santidade e justiça” (D.M Lloyd-Jones, Salvos desde a Eternidade, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2005 (Certeza Espiritual: v. 1), p. 51).
[12] David Martyn Lloyd-Jones, Uma nação sob a ira de Deus: estudos em Isaías 5, 2. ed. Rio de Janeiro: Textus, 2004, p. 222.
[13]Ver: John Murray, Redenção: Consumada e Aplicada, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1993, p. 19.
[14]Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara D’Oeste, SP.: SOCEP. 2001, p. 48.
[15]Veja-se: D.M. Lloyd-Jones, Deus o Pai, Deus o Filho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1997 (Grandes Doutrinas Bíblicas, v. 1), p. 426.
[16] Veja-se: Robert B. Chisholm Jr. Perdão e salvação em Isaías 53: In: Darrell L. Bock; Mitch Glaser, O Servo sofredor, São Paulo: Cultura Cristã, 2015, p. 161-176.
[17] “O maior desejo de Deus é ter santos no céu que sejam semelhantes ao Seu próprio Filho” (Russell P. Shedd, “Alegrai-vos no Senhor”: uma exposição de Filipenses, São Paulo: Vida Nova, © 1984 (Reimpressão: 1993), p. 19).
[18]J.I. Packer, O que é santidade e por que ela é importante?: In: Bruce H. Wilkinson, ed. ger. Vitória sobre a Tentação, 2. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 32.
