Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 65

2)  As Institutas de João Calvino: A obra de uma vida As Institutas é um edifício de pedra, feito para durar. – Bernard Cottret.[1] Equívoco, confusão, desordem.  Foi então quando surgiu um homem. E apareceu um livro. O homem: João Calvino. O livro: A Instituição Cristã. – Lucien Febvre (1878-1956).[2] O filósofo francês Rousseau (1712-1778),…

2)  As Institutas de João Calvino: A obra de uma vida

As Institutas é um edifício de pedra, feito para durar. – Bernard Cottret.[1]

Equívoco, confusão, desordem.  Foi então quando surgiu um homem. E apareceu um livro. O homem: João Calvino. O livro: A Instituição Cristã. – Lucien Febvre (1878-1956).[2]

O filósofo francês Rousseau (1712-1778), no seu Contrato Social (1762), assim se referiu a Calvino:

Os que consideram Calvino somente um teólogo não conhecem bem a extensão de seu gênio. A redação de nossos sábios editos, da qual participou ativamente, honra-o tanto quanto sua Instituição. Qualquer que seja a revolução que o tempo possa trazer a nosso culto, enquanto o amor à pátria e à liberdade não se extinguir entre nós, jamais a memória desse grande homem deixará de ser abençoada.[3]

Alguns líderes marcam a história, mais precisamente, seus seguidores, devido a sua personalidade e carisma pessoal. O Reformador João Calvino (1509-1564), diferentemente, marcou a história por sua doutrina. E esta, elaborada a partir de uma preocupação em sistematizar a Palavra de Deus de forma fiel e abrangente conduzindo a igreja a uma maior compreensão da Palavra que redunde em culto e obediência.

As Institutas, concluída em agosto de 1535, teve a sua primeira edição em março de 1536 (Basiléia), então um centro editor em expansão, na tipografia dos “amigos-inimigos” Thomas Platter (1499-1582) e Balthasar Lasius, vulgo “Ruch”.[4]

O nome original é Institutio Christianae Religionis, uma obra para instrução, uma espécie de manual; uma cartilha concernente à fé cristã que objetiva voltar aos fundamentos originais da teologia cristã. A sua estrutura foi certamente inspirada no Catecismo Menor de Lutero (1529), recebendo também a influência de outros reformadores mais antigos.[5]

Calvino escreveu as Institutas da Religião Cristã em sua primeira edição (1536) com o objetivo de oferecer uma exposição clara e sistemática da fé reformada. Mais do que um tratado teológico, a obra nasceu como uma defesa dos cristãos que haviam abraçado a Reforma e que, sobretudo na França, eram alvo de calúnias, perseguições e execuções.

Calvino temia que essa violência se espalhasse para outros países e, por isso, buscou demonstrar que os reformados não eram hereges ou subversivos, mas seguidores legítimos da fé cristã. Assim, as Institutas surgiram como um manifesto apologético e pastoral, destinado a proteger a honra dos fiéis e a apresentar ao mundo a coerência e a dignidade da nova fé.

Entendeu que o seu silêncio seria um ato de “covardia e traição”.[6] Desse modo, preparou a primeira edição de sua obra com o prefácio dedicado ao vaidoso, inconstante e enigmático Rei Francisco I (1494-1547) da França.[7] Nessa confissão doutrinária, Calvino demonstra a integridade bíblica de seus irmãos, desmentindo falsas acusações sectárias e, declara a distinção desse movimento em relação aos anabatistas.

De forma bastante lúcida, Calvino apresenta as marcas pelas quais a igreja de Cristo deve ser identificada: a Palavra e os Sacramentos.[8]

A obra pode ser dividida em cinco capítulos nos quais expõe a Lei, Credo Apostólico, oração, os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor e a liberdade cristã.

A influência de Calvino emerge das Institutas da Religião Cristã (1536-1559) e de seus comentários de quase toda a Bíblia, os quais, conforme desejava, deveriam ser lidos em conjunto com As Institutas e de seus sermões.

Nas Institutas, encontramos, em certa medida, o itinerário teológico de Calvino. A obra revela o percurso de sua reflexão, amadurecida ao longo dos anos, e pode ser comparada − guardadas as devidas proporções − ao Discurso do Método (1637) de René Descartes (1596-1650). Enquanto Descartes traça ali o seu itinerário intelectual desde a juventude, rompendo posteriormente com a metodologia jesuítica, Calvino expõe nas Institutas o desenvolvimento de sua compreensão da fé cristã, articulando Escritura, tradição patrística, experiência pastoral e debates teológicos de seu tempo. Assim, ambas as obras, cada uma em seu campo, funcionam como testemunhos de um processo de busca e sistematização: Descartes no âmbito filosófico e Calvino no âmbito teológico.

A teologia esboçada por Calvino nada mais era do que um esforço contínuo de comentar as Escrituras. Por isso, sua obra pode ser corretamente chamada de uma “teologia bíblica”, escrita por alguém que foi ao mesmo tempo comentarista e teólogo sistemático, capaz de se valer com maestria dos recursos da exegese e da hermenêutica. Considerando ainda o princípio da graça comum, Calvino recorria às demais ciências, organizando todo esse material de forma erudita, devocional e pedagógica.

Assim, a história dos comentários bíblicos de Calvino e a das sucessivas edições das Institutas se entrelaçam e se completam.[12] Sua exegese sempre visava à teologia, e sua teologia se apoiava firmemente na exegese bíblica.

É importante observar também o propósito específico que orientava cada um de seus escritos: ora pastoral, ora apologético, ora doutrinário − mas sempre voltado para edificar a Igreja e defender a fé cristã

Escreve McGrath:

Fica claro que, ao comentar os textos, Calvino frequentemente sente que não é adequado fornecer uma explicação detalhada sobre todas as implicações doutrinárias presentes em uma dada passagem. (…) Os comentários podem esclarecer aspectos particulares dos textos bíblicos; as Institutas fornecem uma estrutura através da qual a essência da proclamação bíblica pode ser percebida e compreendida. Calvino claramente considerava seus comentários bíblicos como subordinados às Institutas, em alguns aspectos; estes não pretendiam ser um substituto independente e não podem ser tratados como se assim o fossem.[13]

Não obstante às diversas revisões e adições das Institutas, o seu propósito permanecia o mesmo: “Preparar e instruir os candidatos à Sagrada Teologia, que não só lhe tenham fácil acesso, mas ainda possam nesta escalada avançar sem tropeços”.[14]

 

Modelador do francês

Na tradução francesa de 1541[15] feita pelo próprio Calvino − tradução que, juntamente com outros dos seus muitos e belos escritos, contribuiu para modelar essa língua −[16]  no prefácio, diz que a sua obra poderia servir como “uma chave e uma abertura para dar acesso a todos os filhos de Deus para entenderem bem, e diretamente, a Escritura Sagrada”.[17]

No parágrafo anterior justificara: “Redigi-a primeiramente em latim, para que pudesse servir a todos os estudiosos, de qualquer país que fossem, então, ao depois, almejando comunicar o que daí poderia advir de proveito à nossa gente francesa, traduzi-a também para nossa língua”. Calvino pretende, diante de variadas interpretações que surgem, apresentar um guia seguro para ler as Escrituras.[18]

Calvino uniu erudição humanista e sensibilidade pastoral. Escrevia em latim no estilo de Cícero, mas ao traduzir para o francês adaptava a linguagem à congregação, diferenciando o tom dos tratados teológicos e dos sermões.

Ele expressou sua fé por meio da doutrina de forma bíblica, elaborada, lógica e persuasiva, mas, ao mesmo tempo, sensível e simples, tornando acessível ao povo aquilo que elaborava com rigor acadêmico.[19]

 

As diversas impressões tipográficas

O trabalho tipográfico foi, em certo aspecto, primoroso: “As páginas de sua Instituição Cristã e calvinista, de 1536, não amarelaram passadas quinze gerações”, admira-se Ladurie.[20]

A edição original em latim tinha seis capítulos e cerca de 520 páginas, com formato aproximado de 15×10, com 85 mil palavras[21]  – um livro de bolso que facilitava o seu transporte discreto; a última – passando por algumas  ampliações, revisões e reorganizações [1536, 1539, 1543 (sem alteração, 1545), 1550 (sem alterações: 1553 e 1554)], até atingir a forma definitiva – publicada em Genebra (1559), na tipografia de Robert Estienne (1503-1559).[22] Nessa edição final, a obra totalizava 450 mil palavras.[23] Esta foi reimpressa duas vezes em 1561. Tive acesso a uma dessas, editada em Genebra por Antonius Rebulins (Antoine Reboul),[24] constando de 980 páginas e mais  67 páginas de índice remissivo (formato: 18×11, tipo 8), dividida em 80 capítulos.

 

Difusão das Institutas

As Institutas foi logo traduzida para diversos idiomas (Italiano: 1557; Holandês: 1560; Inglês: 1561; Alemão: 1572 e Espanhol: 1597), sendo, amplamente lida: “Nenhum livro seria mais lido durante o século XVI”, especula o historiador católico Daniel-Rops (1901-1965).[25]

Febvre (1878-1956) e Martin (1924-2007) informam-nos que, “de 1550-1564 [ano da morte de Calvino], serão publicadas 256 edições, das quais 160 em Genebra. A Institution chrétienne é, então, sozinha, objeto de 25 reedições, nove latinas e dezesseis francesas das quais a maioria provém dos prelos genebrinos….”.[28]

A justificativa para essa enorme popularidade, é-nos fornecida parcialmente por Daniel-Rops: “É que ele trazia para a reforma o essencial do que ela esperava para ganhar fisionomia própria perante a Igreja católica. Além disso, era a obra dum grande escritor”.[29] Percebendo o perigo da obra em seu conteúdo e alcance, as reações foram rápidas:  A Faculdade de Teologia de Paris  já em 1543, procurou “refutá-la” e a incluiu entre os livros censurados (23/06/1545). O Parlamento francês a interditou, inclusive destruindo alguns volumes (14/02/1544). Mas tudo isso sem o sucesso esperado.[30]

Warfield (1851-1921) faz uma comparação das Institutas com outros trabalhos de reconhecida relevância na história:

O que Tucídides é para os Gregos, ou Gibbon entre os historiadores ingleses do século XVIII, o que Platão é entre os filósofos, ou a Ilíada entre os épicos, ou Shakespeare entre os dramas, é o que as ‘Instituições’ de Calvino é entre os tratados teológicos.[31]

Na mesma linha, escrevera Cunningham (1805-1861), professor (1843) e reitor (1848) do New College de Edimburgo, dizendo que na ciência teológica, a Instituição ocupa um lugar semelhante ao Novum Organum de Bacon e os Princípios Matemáticos de Newton nas ciências físicas.[32]

 

Agora sim: A edição final

Conforme o próprio Calvino afirma, ele só se deu por satisfeito com o arranjo e a ordem da edição definitiva de 1559 (Prefácio).[33]  Além disso, é notória sua constante insatisfação com o trabalho dos tipógrafos nas sucessivas edições de suas obras, chegando a manter um verdadeiro “pé de guerra” com eles.[34]

A tradução francesa foi impressa na tipografia de Jean Girard, em Genebra, em 1541.[35] Essa edição − na qual Calvino retoma parte do material da versão de 1536, adaptando-o ao público francês[36] − possui um valor especial, pois tudo indica que foi traduzida integralmente por ele, e não apenas revisada, como parece ter ocorrido nas demais traduções francesas.[37]

Seguiram-se outras edições: 1545, 1551 (com reimpressões em 1553, 1554 e 1557), até chegar à definitiva, publicada em 1560.

Na última edição latina das Institutas (1559), Calvino reorganizou a obra em quatro livros, inspirando-se no modelo do Credo Apostólico. A estrutura pode ser delineada da seguinte forma:

  1. O conhecimento de Deus, o Criador;
  2. O pecado e a pessoa e obra de Cristo, o Redentor;

III. A obra de Cristo aplicada pelo Espírito Santo;

  1. A Igreja de Deus e os sacramentos.

Com o propósito de facilitar a difusão da obra na França, parte da segunda edição latina (1539) circulou sob o pseudônimo Alcuinus − um anagrama de seu próprio nome[38] − provavelmente para despistar os inquisidores e proteger aqueles que a divulgavam em territórios sob domínio da Igreja Romana.[39]

Essa edição passou a contar com 17 capítulos, reorganizados e ampliados, chegando a triplicar de tamanho em relação à primeira versão. Apesar das sucessivas ampliações das Institutas, a teologia de Calvino permaneceu essencialmente a mesma. As modificações refletem, em grande medida, uma preocupação pedagógica, mais do que metodológica ou teológica.

É importante lembrar que toda a obra de Calvino não foi produzida em um ambiente de sossego e paz, como em uma “torre de marfim”, mas em meio a inúmeros problemas. Ele escreveu enfrentando calúnias, difamações, incompreensões, além de lidar com questões administrativas, domésticas e financeiras. Somam-se a isso as constantes dificuldades de saúde,[40] que o acompanharam ao longo da vida

Nas Institutas encontramos a essência do pensamento de Calvino, estruturada de forma lógica e didática. Sua maior contribuição talvez tenha sido conduzir os fiéis de volta às Escrituras, demonstrando sua atualidade, organicidade e solidez na fundamentação da fé cristã.

 

Segue uma tabela que ilustra a ampliação das Institutas.

 

Ano Local Idioma Características principais
1536 Basileia Latim Primeira edição, breve (6 capítulos). Escrita como um manual para apresentar a fé reformada.
1541 Genebra Francês Impressa por Jean Girard. Tradução feita pelo próprio Calvino. Retoma material da edição de 1536, adaptando-o ao público francês.
1543 Estrasburgo Latim Edição expandida, com maior sistematização teológica.
1545 Genebra Francês Nova edição francesa, revisada.
1550 Genebra Latim Edição ampliada, refletindo debates teológicos mais maduros.
1551 Genebra Francês Reimpressões em 1553, 1554 e 1557.
1559 Genebra Latim Edição definitiva, em 4 livros. Calvino declara estar finalmente satisfeito com a ordem e arranjo da obra.
1560 Genebra Francês Tradução definitiva, consolidando a obra para o público francófono.

Humanamente falando, grande parte do sucesso da Reforma em sua expansão e solidez teológica deve-se às Institutas, obra que permanece “como o maior e mais influente de todos os tratados dogmáticos”, conforme declarou Warfield. [41]

Devemos ser gratos a Deus pela contribuição de Calvino ao Reino. Somos, de fato, grandes devedores daquele que aprendeu − como ele mesmo afirmou − “o princípio da genuína sabedoria consiste em que o homem se desvencilhe do orgulho e se submeta à autoridade de Cristo”.[42]

Concluo este tópico, reconhecendo a digressão feita, com a oração de Calvino feita após a exposição de Dn 3.30:

Deus Todo-Poderoso, já que Te fizeste conhecido a nós no ensinamento de Tua Lei e Evangelho, e também diariamente condescendes em revelar-nos, de maneira familiar; tua vontade, permite que permaneçamos firmes na verdadeira obediência àquele ensino no qual a perfeita retidão se nos manifesta, e que nunca sejamos demovidos de Teu serviço; e, seja o que for que nos aconteça, que estejamos preparados a sofrer mil mortes em vez de nos desviarmos da verdadeira profissão da piedade na qual saibamos descansar nossa salvação; e que possamos de tal forma glorificar Teu nome que nos tornemos participantes daquela glória que nos foi conquistada pelo sangue de Teu Unigênito Filho. Amém.[43]

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1] Bernard Cottret, Calvin: A Biography, Michigan; Cambridge, U.K.; Edinburgh: Eerdmans; T&T Clark, 2000, p. 310.

[2]Lucien Febvre, Au Coeur Religieux du XVIe Siècle, Paris: École Pratique des Hautes Études, 1968, p. 256.

[3]J.J. Rousseau, Do Contrato Social, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 14), 1973, II.7. p. 64.

[4]Sobre a saga da família Platter e as peripécias de Thomas Platter, Veja-se: Emmanuel Le Roy Ladurie, O Mendigo e o Professor: a saga da família Platter no século XVI, Rio de Janeiro: Rocco, 1999, v. 1, passim.

[5]Para uma análise mais detalhada deste ponto, vejam-se: W. Walker, John Calvin: The organiser of Reformed Protestantism – 1509-1564, New York: Schocken Books, © 1906, 1969, p. 127-150 e, especialmente: Alexandre Ganoczy, The Young Calvin, Philadelphia: The Westminster Press, 1987, p. 137-168

[6] J. Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, p. 39.

[7] Na opinião do historiador Daniel-Rops (1901-1965), essa carta é um “magnífico trecho de eloquência, de inspiração firme e comedida” (Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante, São Paulo: Quadrante, 1996, p. 373).

[8] J. Calvino, As Institutas, (Dedicatória: Carta ao Rei Francisco, X),

[9] “Estrasburgo marcou sobretudo uma etapa capital, não só na vida do reformador, e mesmo na história da Reforma, mas ainda na história religiosa do mundo e na história literária da França: a da publicação da Instituição Cristã em francês” (Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A Reforma Protestante, São Paulo: Quadrante, 1996, p. 383).

[10] Veja-se: Ford L. Battles, Interpreting John Calvin, Grand Rapids, Michigan: Baker Books, 1996, p. 12-14.

[11]  Cf. B.B. Warfield, Calvin’s doctrine of the knowledge of God: In: É. Doumergue, et. al., Calvin and the Reformation, New York: Fleming, H. Revell Company, 1909, [p. 131-260],  p. 132. (Também: B.B. Warfield, Calvin and Calvinism, Grand Rapids, Michigan: Baker, (The Work’s of Benjamin B. Warfield), (Reprinted, 2000), v. 5, p. 30).

[12]Calvino desejava que a Instituição fosse lida em conjunto com os comentários: Veja-se Prefácio à edição latina a partir da segunda edição (1539) e o Prefácio à edição francesa (1560). (Jean Calvin, L’Institution Chrétienne, Genève: Labor et Fides, 1955, v. 1, p. XIX). Também, algumas vezes ele nos remete para seus sermões (Vejam-se, por exemplo: João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 3.18), p. 105; (Ef 4.5), p. 110; As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 2.6), p. 67; (1Tm 3.8), p. 92; (1Tm 4.14), p. 124).

[13] Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 173.

[14]  João Calvino, Prefácio à edição da Instituição, (1559). Ele conclui o Prefácio: “Felicidades, leitor amigo, e se destes labores meus algum fruto colhes, ajuda-me com tuas preces diante de Deus, nosso Pai”. No prefácio de Salmos, Calvino explica os motivos que o levaram a escrever as Institutas (J. Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, p. 39-40).

[15]Esta edição foi publicada em português: João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, 4v.

[16]Aludindo à tradução francesa das Institutas de 1541 – tradução que, juntamente com outros dos seus muitos e belos escritos, contribuiu para modelar essa língua, comenta Claretie (1862-1924):

“O livro é um dos primeiros monumentos duradouros da prosa francesa.  De um estilo sóbrio, claro, de uma eloquência incomparável, de uma linguagem firme, de um entusiasmo ardente, de uma convicção imperativa, de uma dialética firmada numa razão rígida, além disso, percebe-se um pouco de graça a fim de amaciar a linguagem difícil e tensa.  Todavia, Calvino “é um dos pais do nosso idioma”, como cita Pasquier, tendo feito pela prosa francesa, o que Lucrécio fez pela poesia latina: suavizou a língua para ela expressar as ideias sérias e duras”  (Léo Claretie,  Histoire de la Littèrrature Française (900-1900), Tome Premier: des origines au dix-septième siècle, Paris: Socièté d’Èditions Littèraires et Artistiques, 1905, p. 252). Na mesma linha, escreve Lefranc (1863-1952):

“Depois de passados quatro séculos, a voz unânime da posteridade tem consagrado o texto francês das Institutas da Religião Cristã como uma das mais nobres e perfeitas obras-primas da nossa literatura” (Abel Lefranc, Grands Écrivains Français de la Renaissance,  Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1914, v. 2, p. 305).

Schaff (1819-1893) diz que Calvino “escreveu em duas línguas com igual clareza, força e elegância” (Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 267). Vejam-se também, entre outros, o testemunho do erudito Joseph Scaliger (1540-1609) e dos católicos Etienne Pasquier (1528-1615) em Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 272-274 e Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A Reforma Protestante, São Paulo: Quadrante, 1996, p. 384-386. Mais recentemente, dois artigos devem ser mencionados que apontam na mesma direção, escritos por dois professores que atuam na França: Marjolaine Cuénod Chevallier (https://www.amidumir.ch/wp-content/uploads/2019/06/amidumir_2009_calvin-et-langue-francaise-1.pdf) e Olivier Millet (https://books.openedition.org/pufr/7770). Millet escreveu um trabalho volumoso e respeitável sobre o assunto. (Olivier Millet, Calvin Et La Dynamique de la Parole: Étude de Rhétorique Réformée: 28, Paris:  Classiques Garnier, 2019, 983p.). Vejam-se também: Philip Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 8, p. 266; T. George, Teologia dos Reformadores, São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 181-182; T.H.L. Parker, The Oracles of God: an Introduction to the Preaching of John Calvin, Cambridge, England: James Clarke & Co., 1947, (2002) Reprinted, p. 30; Thea B. Van Halsema, João Calvino era Assim, São Paulo: Editora Vida Evangélica, 1968, p. 100; Jacques Pannier, Introdução às Institutas (João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 1, p. 25;  Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 157-160.

[17]  É curioso que no Prólogo da Suma Teológica (c. 1266-1273) de Tomás de Aquino (1225-1274), ele diz: “…. É nossa intenção, na obra presente, ensinar as verdades da religião cristã de modo convincente à instrução dos principiantes”. Após falar das dificuldades encontradas pelos leitores neófitos na leitura de obras de outros autores – basicamente, prolixidade e assuntos desinteressantes –, continua: “Esforçando-nos por evitar esses e outros defeitos, tentaremos, confiantes no divino auxílio, expor, breve e lucidamente, o que respeita à doutrina sagrada, na medida em que a matéria o comporta” (Tomás de Aquino, Suma Teológica, 2. ed. Porto Alegre; Caxias do Sul, RS.: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes; Livraria Sulina Editora; Universidade de Caxias do Sul, 1980, v. 1, “Prólogo”, p. 1).

[18]  Veja-se: Alister McGrath, A Revolução Protestante, Brasília, DF.: Palavra, 2012, p. 97.

[19] Cf. Jean-François Gilmont, John Calvin and the Printed Book. Kirksville: Truman State University Press, 2005, p. 290-291.

[20]Emmanuel Le Roy Ladurie, O Mendigo e o Professor: a saga da família Platter no século XVI, v. 1, p. 156.

[21] Jean-François Gilmont, John Calvin and the Printed Book. Kirksville: Truman State University Press, 2005, p. 293.

[22] Veja-se: Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 165.

Robert Estienne (1503–1559), nascido em Paris e falecido em Genebra, destacou-se como um dos mais notáveis tipógrafos da Renascença. Reconhecido inicialmente como Impressor Real na França, tornou-se célebre por suas edições críticas da Bíblia e dos clássicos. Contudo, sua trajetória foi profundamente marcada pela aproximação com a Reforma Protestante.

Perseguido pela Sorbonne, que condenava suas edições bíblicas por se aproximarem das leituras reformadas, Estienne deixou Paris e estabeleceu-se em Genebra. Ali, sua tipografia integrou-se à rede editorial que sustentava a Reforma, ao lado de nomes como Antonius Rebulins e Jean Girard.

Segundo Henri Béné, Estienne foi decisivo para consolidar Genebra como a “Roma protestante”. Sua oficina não apenas reproduzia textos, mas os transformava em instrumentos pastorais e políticos, garantindo ampla circulação das ideias reformadas. Jean-François Gilmont reforça esse ponto ao destacar que Estienne foi fundamental na difusão das obras de Calvino, imprimindo edições que moldaram a identidade teológica das comunidades reformadas.

Andrew Pettegree interpreta a atuação de Estienne − assim como a de Girard e Rebulins − no contexto da chamada “cultura da persuasão”. Estienne não oferecia apenas livros, mas participava da construção de uma nova cultura teológica e pastoral, em meio às tensões religiosas do século XVI. Já Febvre e Martin, em O Aparecimento do Livro, lembram que a imprensa não foi apenas técnica, mas força cultural e política. Estienne exemplifica, assim, o papel do tipógrafo como agente histórico, transformando ideias em movimento social e religioso.

Seu legado é duradouro: foi o primeiro a imprimir a Bíblia com capítulos e versículos numerados, inovação que permanece até hoje. Mais do que um impressor, Robert Estienne foi um mediador entre erudição humanista e fé reformada, tornando-se figura central na história da cultura impressa e na consolidação da Reforma. (Vejam-se: Henri Bené, L’imprimerie à Genève au temps de Calvin, Genève: Droz, 1956; Jean-François Gilmont, John Calvin and the Printed Book. Kirksville: Truman State University Press, 2005; Andrew Pettegree, Reformation and the Culture of Persuasion, Cambridge: Cambridge University Press, 2005 e Lucien Febvre; Henry Jean-Martin, O Aparecimento do Livro, São Paulo: Hucitec., 1992).

[23] Jean-François Gilmont, John Calvin and the Printed Book. Kirksville: Truman State University Press, 2005, p. 295.

[24] Antonius Rebulins foi um tipógrafo ativo em Genebra na segunda metade do século XVI. Segundo Henri Béné, a oficina de Rebulins desempenhou papel crucial na materialização da teologia reformada: ao dar forma impressa às Institutas, converteu um tratado teológico em instrumento pastoral, pedagógico e político. Sua tipografia operava em meio à censura católica − especialmente da Sorbonne, que condenava sistematicamente obras reformadas −, mas ainda assim garantiu ampla circulação dos escritos de Calvino pela Europa.

Jean-François Gilmont destaca que Rebulins foi parte da rede editorial que sustentou a Reforma, imprimindo obras fundamentais de Calvino e contribuindo para moldar a identidade teológica das comunidades reformadas. Sua oficina não apenas reproduzia textos, mas os tornava acessíveis, reforçando o papel da imprensa como agente histórico da fé reformada.

Já Andrew Pettegree interpreta sua atividade dentro da chamada “cultura da persuasão”: a imprensa como meio de moldar consciências, legitimar a nova fé e criar uma identidade reformada.

Por sua vez, Lucien Febvre e Henri-Jean Martin lembram que a imprensa não foi apenas um recurso técnico, mas um agente histórico capaz de transformar ideias em movimento social e religioso. Nesse sentido, a atuação de Rebulins exemplifica a “o aparecimento do livro”: a emergência da tipografia como força cultural e política, capaz de moldar consciências e legitimar novas tradições religiosas.

Assim, Rebulins insere-se ao lado de nomes como Jean Girard, compondo a geração de tipógrafos que não foram meros técnicos, mas agentes históricos, responsáveis por difundir e legitimar a nova fé. Sua contribuição mostra como a imprensa foi decisiva para transformar ideias em movimento social e religioso. (Vejam-se: Henri Bené, L’imprimerie à Genève au temps de Calvin, Genève: Droz, 1956; Jean-François Gilmont, John Calvin and the Printed Book. Kirksville: Truman State University Press, 2005; Andrew Pettegree, Reformation and the Culture of Persuasion, Cambridge: Cambridge University Press, 2005 e Lucien Febvre; Henry Jean-Martin, O Aparecimento do Livro, São Paulo: Hucitec., 1992).

[25]Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante, São Paulo: Quadrante, 1996, p. 383.

[26] François Wendel, Calvin, New York: Harper & Row, Publishers, 1963, p. 113.

[27] Emmanuel Le Roy Ladurie, O Mendigo e o Professor: a saga da família Platter no século XVI, Rio de Janeiro: Rocco, 1999, v. 1, p. 152,153, 166.

[28]Lucien Febvre; Henry Jean-Martin, O Aparecimento do Livro, São Paulo: Hucitec., 1992, p. 442-443. “Esta obra magistral, que perdura como uma das mais lúcidas e mais vigorosas sumas teológicas da história cristã, espalha-se por toda a Europa” (André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 192).

[29]Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante, p. 383. Vejam-se diversos testemunhos a respeito da obra de Calvino coletados por Schaff entre seus contemporâneos e autores posteriores, quer simpáticos ou não aos seus ensinamentos, porém, admiradores de sua capacidade e estilo. (Philip Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 8, p. 272-295).

[30]Aqui cabe uma nota especial.   A Universidade de Paris, de origem “espontânea”, teve seus estatutos aprovados em 1215 por Robert de Curson (c. 1160/1170–1219). Ela se estruturava em quatro Faculdades − Teologia, Filosofia (‘Artes’), Direito (cujo ensino civil foi banido em 1219) e Medicina.  Contudo, foi a Teologia que se tornou o núcleo vital da instituição, conferindo-lhe o título de “árvore da vida” para a Igreja. Em 1255, o papa Alexandre IV exaltou a Universidade como “a lâmpada refulgente na casa do Senhor”, metáfora que traduzia sua importância intelectual e a vitória papal sobre a autonomia universitária. já que o pontífice intervinha diretamente na nomeação e demissão de mestres, favorecendo os religiosos mendicantes fiéis a Roma.  (Vejam-se: António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, Lisboa: Gradiva, 1988, p. 112; António José Saraiva, História da Cultura em Portugal, Lisboa: Jornal do Fôro, 1950, v. 1, p. 30, 96,98).

A partir do século XIII, a Universidade de Paris consolidou-se como definidora, defensora e divulgadora da ortodoxia católica, com projeção internacional apoiada pelos papas. Como observa Gilson (1884-1978), ao ensinar teologia, a Universidade deixava de pertencer a si mesma, submetendo-se a uma jurisdição superior à razão individual ou à tradição escolar, tornando-se “a fonte do erro ou da verdade teológicos para toda a cristandade” (Etienne Gilson, A Filosofia na Idade Média, p. 487). Jacques Verger acrescenta que, já no século XIV, a Universidade atuava como conselheira do rei da França e do papa, função que se manteve no século XVI, especialmente pela Faculdade de Teologia da Sorbonne.  (Jacques Verger, Universidade: In: Jacques Le Goff; Jean-Claude Schmitt, coords. Dicionário Temático do Ocidente Medieval, v. 2, [p. 573-587], p. 583).

Nesse período, a Sorbonne desempenhou papel central na defesa da ortodoxia católica, emitindo pareceres doutrinários e condenando obras protestantes. Lutero foi declarado herege logo após a divulgação das 95 Teses (1517), e em 1521 a Sorbonne apoiou a bula Exsurge Domine. Melanchthon teve sua obra Loci Communes (1521) censurada e incluída nas listas de autores proibidos. Calvino, por sua vez, viu a primeira edição das Institutas (1536) rapidamente condenada. Em 1542, seus escritos foram formalmente acusados de heresia e de subversão da ordem eclesiástica.

A Sorbonne, portanto, não apenas formava teólogos e pregadores, mas moldava a política religiosa francesa, legitimando perseguições e influenciando decisões reais e episcopais. Como mostram James K. Farge e Francis Higman, a censura parisiense às obras reformadas foi intensa, embora ineficaz em conter sua difusão. (Vejam-se: James K. Farge, Early Censorship of printed books in Paris: New perspectives and insights: In: J.M. de Bujanda, ed. Le Contrôle des idées a la Renaissance, Genève: Librairie Droz, 1996, p. 75-91 e, Francis Higman, Luther, Calvin et les Docteurs: In: J.M. de Bujanda, ed. Le Contrôle des idées a la Renaissance, Genève: Librairie Droz, 1996, p. 93-111).

Embora tais censuras tenham se mostrado ineficazes na prática, a Faculdade de Teologia consolidou-se como um bastião intelectual de resistência à Reforma, tendo papel decisivo na preservação da identidade católica da França e contribuindo para o clima de hostilidade que culminaria nas guerras de religião (1562–1598).

Vejam-se também: Jean Cardier, In: Prefácio à edição Francesa: Jean Calvin, L’Institution Chrétienne, p. IX; Jacques Pannier In: Prefácio à edição Francesa comemorativa do 4º centenário de 1ª edição: Jean Calvin, Institution de la Religion Chrestienne, Paris: Sociéte Les Belles Lettres, 1936, v. 1, p. XX-XXI; François Wendel, Calvin, New York: Harper & Row, Publishers, 1963, p. 116-117; Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante, São Paulo: Quadrante, 1996,  p. 383; Alister McGrath, A Revolução Protestante, Brasília, DF.: Palavra, 2012, p. 99.

[31] B.B. Warfield, Calvin and Calvinism, Grand Rapids, Michigan: Baker, (The Work’s of Benjamin B. Warfield), (Reprinted, 2000), v. 5, p. 374.

[32]Ver: William Cunningham, The Reformers and the Theology of the Reformation, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, © 1862 (1979) (Reprinted), p. 295.

[33]João Calvino, As Institutas, (Prefácio à edição de 1559), 2022, p. 37.

[34] Cf. J.W. Marmelstein, Etude comparative des textes latins et français de l’Institution de la Religion chrestienne par Jean Calvin, Groningen: Den Haag, 1923, p. 113. Vejam alguns dos motivos da irritação de Calvino com os impressores nas páginas 117-120.

[35]Jean Girard (Jehan Girard ou Gérard) foi um dos primeiros impressores a se estabelecer em Genebra durante a consolidação da Reforma, ativo entre 1536 e 1558. Chamado por Guillaume Farel, desempenhou papel essencial na difusão das ideias reformadas, tornando a tipografia um instrumento de persuasão, propaganda e formação teológica.

Segundo Pettegree, a Reforma não se sustentou apenas pela força dos púlpitos ou pela autoridade dos teólogos, mas pela capacidade de convencer e persuadir através da palavra impressa. Nesse contexto, Girard foi decisivo: sua oficina tipográfica produziu catecismos, tratados, sermões e comentários bíblicos que circulavam não apenas em Genebra, mas também na França e em outros territórios, inserindo-se naquilo que Pettegree chama de “cultura da persuasão”.

Já Gilmont (1934-2020) destaca que Girard imprimiu obras fundamentais de Lutero, Melanchthon e Calvino, tornando acessíveis textos que moldaram a identidade teológica das comunidades reformadas. Sua atividade ocorreu em meio à forte censura católica − especialmente da Sorbonne, que condenava sistematicamente os escritos reformados −, mas sua tipografia garantiu ampla circulação desses livros pela Europa.

Girard não se limitou a reproduzir textos: sua oficina tornou-se um instrumento pastoral e pedagógico, fornecendo material para a instrução de fiéis e para a formação de pregadores. A imprensa, como ressaltam Gilmont e Pettegree, foi essencial para o sucesso da Reforma.

Jean Girard faleceu em 1558, deixando um legado duradouro. Sua tipografia consolidou-se como parte da rede editorial que sustentou a Reforma, demonstrando que a imprensa não era apenas um recurso técnico, mas um verdadeiro agente histórico de persuasão, capaz de transformar ideias em movimento social e religioso. (Vejam-se: Jean-François Gilmont, John Calvin and the Printed Book. Kirksville: Truman State University Press, 2005 e Andrew Pettegree,  Reformation and the Culture of Persuasion, Cambridge: Cambridge University Press, 2005).

[36] Cf. Alister E. McGrath, A Vida de João Calvino, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004, p. 162-163; Jacques Pannier, Introduction à Institution de la Religion Chrestienne, Paris: Société Les Belles Lettres, 1936, v. 1, p. XXII; Daniel-Rops, A Igreja da Renascença e da Reforma: I. A reforma protestante, São Paulo: Quadrante, 1996, p. 384-386.

[37]Cf. Jacques Pannier, Introduction à Institution de la Religion Chrestienne, Paris: Société Les Belles Lettres, 1936, v. 1, p. XXII.

[38]Não sabemos ao certo se a adoção deste nome na na segunda edição latina das Institutas  de 1539, foi uma iniciativa de Calvino ou do editor, Vandelin Rihel (Vuendelinus Ribelium) (c. 1490-1555) de Estrasburgo. (Vejam-se  Emile Doumergue, Jean Calvin: Les hommes et les choses de son temps, Lausanne: Georges Bridel & Cie Editerurs, 1899, v. 1, p. 563-564; A.-L. Herminjard, Correspondance des Réformateurs dans les pays de langue française, recueillie et publiée avec d’autres lettres relatives a la Réforme, Genève: G. Fischbacher, © 1883, Facsimile Publisher 2017, v. 6, p. 247).

[39]Vejam-se: Jean Cardier, In: Prefácio à edição Francesa: Jean Calvin, L’Institution Chrétienne, Genève, Labor et Fides, 1955, v. 1, p. IX; François Wendel, Calvin, New York: Harper & Row, Publishers, 1963, p. 113-114; W. de Greef, The Writings of John Calvin: An Introductory Guide, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1993, p. 199; Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 297). Quanto às explicações a respeito dos pseudônimos e fac-símiles das respectivas assinaturas, consulte: Emile Doumergue, Jean Calvin: Les hommes et les choses de son temps, Lausanne: Georges Bridel & Cie Editerurs, 1899, v. 1, p. 558-573 (Apêndice nº VIII). A própria correspondência que vinha dos franceses no Brasil para Calvino, recorria a algum de seus pseudônimos. (Veja-se Frans L. Schalkwijk, O Brasil na Correspondência de Calvino: In: Fides Reformata, São Paulo: Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, IX/1 (2004) 101-128).

[40]No dia 25 de dezembro de 1555, Calvino escreve ao pastor de Zurich, Johann Wolf (c. 1521-1572), amigo de Bullinger, em resposta à sua carta de 3 de dezembro. Nela retrata algumas de suas angústias:

“Creia-me, tive menos problemas com Serveto e tenho agora com Westphal e seus companheiros, do que com aqueles que estão próximos de mim, cuja quantidade não pode ser estimada e cujas paixões são irreconciliáveis. Se pudesse escolher, seria melhor ser queimado pelos papistas do que ser eternamente praguejado pelos vizinhos. Eles não me dão um momento de descanso, embora possam ver claramente que estou entrando em colapso sob a carga do trabalho, perturbado por tristes acontecimentos intermináveis e por demandas importunas, Meu único conforto é que a morte logo me tirará desse serviço sobremodo difícil” (Calvino para o pastor em Zurich: In:  Rudolf Schwarz, ed. Johannes Calvins Lebenswerk in seinen Briefen, Neukirchener Verlag: Germany, 1962, v. 2, p. 819).

[41]B.B. Warfield, Calvin and Calvinism, Grand Rapids, Michigan: Baker, (The Work’s of Benjamin B. Warfield), (Reprinted, 2000), v. 5, p. 8. Veja-se também: William Cunningham, The Reformers and the Theology of the Reformation, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1989 (Reprinted), p. 295.

[42]João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl  2.10-11), p. 74.

[43]João Calvino, O Profeta Daniel: 1-6, São Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, (Dn 3.30), p. 232.

Autor

  • Cativo à Palavra

    Projeto Missionário Teológico e Pastoral.

    Para um coração cativo e dedicado ao Senhor.

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