Vocação Ministerial: Serviço, Pregação e Fidelidade ao Chamado
De melhor grado o magistrado desempenhará suas funções, um chefe de família se restringirá ao dever, cada um em seu gênero de vida suportará e tolerará as desvantagens, as preocupações, os aborrecimentos, as angústias, quando forem persuadidos de que a cada um foi um imposto por Deus o seu fardo. Daqui também brotará ilustre consolação,…
De melhor grado o magistrado desempenhará suas funções, um chefe de família se restringirá ao dever, cada um em seu gênero de vida suportará e tolerará as desvantagens, as preocupações, os aborrecimentos, as angústias, quando forem persuadidos de que a cada um foi um imposto por Deus o seu fardo. Daqui também brotará ilustre consolação, ou seja, desde que obedeças à tua vocação, nenhuma obra será tão desprezível e vil que diante de Deus não resplandeça e seja. – João Calvino (1509-1564).[1]
A vocação ministerial é um chamado divino que exige humildade, consagração e fidelidade. O ministro é convocado não para buscar glória própria, mas para servir ao Senhor e ao seu povo.[2]
Consagração
Calvino (1509-1564) lembra que os ministros devem ser mantidos com “rédea dupla”, pois sua vida deve ser exemplo e sua conduta irrepreensível.[3] O ministério não é lugar para vaidade, mas espaço de disciplina e entrega. O pastor é comparado a um porta-bandeira que marcha à frente do exército. Ele sofre os ataques mais intensos de Satanás, mas é sustentado pelo poder do Espírito.[4]
A pregação é o centro da vocação. Deus não envia anjos diariamente para nos instruir, mas levanta homens como instrumentos de sua voz.[5] A Igreja é guardiã da verdade porque, por meio da pregação, conserva pura a Palavra e a transmite às gerações. O pregador não deve buscar aplausos, mas alimentar as almas com a doutrina da salvação. Calvino advertia que alguns se satisfazem em provocar risos, esquecendo que a verdadeira tarefa da pregação é edificar e nutrir espiritualmente.[6] A relevância da pregação está em ser fiel à Escritura, proclamando Cristo e não a si mesmo.
Inveja, Ambição e Fama
O perigo da inveja e da ambição é constante. Muitos desejam reconhecimento, aplausos ou riquezas, mas Paulo lembra que o verdadeiro ministro deve contentar-se em ser considerado servo de Cristo. Como advertiu Warfield (1851-1921): “Nenhum caráter piedoso pode ser edificado no alicerce do dever negligenciado”.[7]
A honra mais excelente não é a glória mundana, mas a fidelidade ao chamado. A ambição por prestígio transforma o púlpito em palco. O ministério passa a ser visto como carreira. O desejo de fama é traiçoeiro: quando o ministro busca ser conhecido mais do que fazer Cristo conhecido, perde a dimensão do serviço e da obediência. O mesmo ocorre com a busca por riqueza: o apego ao dinheiro gera ansiedade e desvia da confiança em Deus.
Calvino adverte que negligenciar os necessitados é mais do que ausência de bondade: é usurpá-los daquilo que lhes é devido.[8] O ministro deve viver com contentamento, evitando ostentação e fausto,[9] lembrando que sua suficiência vem da bondade divina.[10]
Hoje, com a força das redes sociais, muitos ministros são tentados a medir sua relevância pelo número de seguidores ou curtidas. Mas será que isso reflete fidelidade ao chamado ou apenas popularidade passageira? A exposição digital pode transformar o púlpito em palco virtual, onde a busca por engajamento substitui a busca por edificação. O verdadeiro desafio é permanecer fiel à Palavra. Isso é necessário mesmo quando a cultura exige espetáculo.
A consagração pastoral exige perseverança e dedicação. O ministro deve aplicar-se ao estudo, à oração e ao cuidado do rebanho, consciente de que sua obra é árdua e constante.[11]
As pedras no caminho
Calvino observa que, enquanto um pastor carrega uma pedra com esforço, muitos outros tentam derrubar três para atrapalhar a obra. Ainda assim, o chamado exige coragem e paciência, pois a Igreja só se mantém pela pregação da Palavra.[12] O ministro não pode ser preguiçoso ou negligente,[13] mas deve labutar com ousadia, sustentado pelo Espírito.
Em carta escrita ao seu amigo Francis Daniel, no dia 13 de outubro de 1536, quando se encontrava em Lausanne na companhia de Viret e Farel, após participar do Debate de Lausanne iniciado em 2 de outubro, Calvino desabafou sobre a escassez de ministros e a necessidade urgente da Igreja:
Se os ventres preguiçosos que estão com você, que gorjeiam juntos tão docemente à sombra, fossem tão dispostos quanto são faladores, correriam juntamente para cá para tomarem parte do labor para si mesmos, visto que há tão poucos de nós. Quase não dá para acreditar no número tão pequeno de ministros, comparado ao tão grande número de igrejas que carecem de pastores. Como desejo, ao ver a extrema necessidade da igreja, que, embora sejam poucos em número, houvesse ao menos entre vocês alguns homens de coração reto que pudessem ser induzidos a ajudar! Que o Senhor o guarde.[14]
Como lembra Sproul (1939-2017), quanto mais fiel à Palavra for a pregação, mais o pregador estará sujeito à hipocrisia, pois a mensagem é elevada e difícil de aplicar a si mesmo. Isso exige constante vigilância e humildade.[15]
A confiança em Deus é o fundamento da vocação. O ministro não possui em si mesmo a excelência necessária; deve ser revestido de poder do alto. “Nossa força é fraqueza” e sem o Espírito a pregação não resulta na conversão de uma única alma.[16] Essa necessidade de humildade no ministério não é nova. Já no século XVII (1675), Witsius (1636-1708) lembrava seus alunos de que o verdadeiro mestre é, antes de tudo, discípulo:
Pois ninguém ensina bem, a menos que tenha primeiro aprendido bem; ninguém aprende bem, a menos que aprenda com objetivo de ensinar, e aprender e ensinar são inúteis e infrutíferos a menos que venham acompanhados de prática.[17]
O sucesso no ministério não vem da habilidade ou da santidade própria. Ele é fruto da graça de Deus, que dá o crescimento. Por isso, o ministro deve colocar a coroa sobre a cabeça do Redentor e confessar: “Não a nós, Senhor, mas ao teu nome dá glória” (Sl 115.1).
Pastores em contínua formação
O teólogo nunca é “mestre acabado”, mas discípulo contínuo, consciente de que só pode ensinar se primeiro aprender e viver o que aprendeu.
Poythress destaca que o serviço a Cristo não se limita ao púlpito, mas se estende a todas as áreas da vida: “Todas as formas biblicamente lícitas de trabalho são honrosas quando feitas para servir a Cristo e promover sua glória”.[18] Assim, qualquer vocação − pastoral, acadêmica ou cotidiana − se torna serviço ao Senhor quando feita com fidelidade e temor.
Portanto, a vocação ministerial não é apenas um título, mas uma vida de humildade, aprendizado contínuo e serviço em todas as dimensões da existência.
A cruz é o paradigma do ministério, lembrando que o chamado não é para domínio (1Pe 5.1-2), fama ou riqueza, mas para serviço e sofrimento por amor de Cristo.
Lucas descreve de forma sucinta e reverente a vocação do Apóstolo Paulo e a comissão de Ananias:
15 Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; 16 pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome. 17 Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as mãos, dizendo: Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo. (At 9.15-17).
Serviço e Confiança
Em síntese, a vocação ministerial é marcada pelo ideal de serviço, pela consagração e pela confiança em Deus. Kuyper (1837-1920) resume bem: “Chamado de um jeito ou de outro, o ofício permanece o mesmo, contanto que nós tenhamos a certeza de que o Rei Jesus nos chamou e nos ordenou”.[19]
O ministro é chamado a rejeitar a inveja, a ambição, o desejo de fama e o apego às riquezas. Deve dedicar-se intensamente à pregação e ao cuidado pastoral. Sua vida deve ser sacrifício vivo, em favor dos irmãos e para a glória de Deus.
A pregação fiel, sustentada pelo Espírito, é o meio pelo qual a Igreja é nutrida e preservada.[20] Assim, o ministério se torna expressão concreta do amor cristão e da verdadeira mordomia, conduzindo o povo de Deus à maturidade e à esperança eterna.
Considerações finais
Ministros e futuros ministros, lembrem-se: o chamado que recebemos não é para sermos celebridades, mas servos. O ministério não é carreira, mas cruz; não é caminho de aplausos, mas de obediência; não é lugar de glória humana, mas de glória divina.
A verdadeira vocação ministerial se resume em três pilares inseparáveis:
- Serviço: viver para o bem do povo de Deus, colocando-se como sacrifício vivo em favor dos irmãos.
- Pregação: anunciar fielmente toda a Palavra, sem buscar aplausos, mas nutrindo espiritualmente a Igreja com a doutrina de Cristo.
- Fidelidade: permanecer constante no chamado, rejeitando a ambição, a fama e o apego às riquezas, e confiando inteiramente na graça que sustenta.
Portanto, seminaristas e ministros, não se deixem seduzir pelo brilho enganoso da popularidade ou pela promessa ilusória da prosperidade. O Senhor não nos chamou para sermos grandes aos olhos do mundo, mas para sermos fiéis aos seus olhos.
Perguntemo-nos: tenho buscado ser conhecido ou fazer Cristo conhecido? Minha motivação é servir ou ser servido? Estou disposto a perder aplausos para ganhar fidelidade? Tenho usado os recursos que Deus me confiou para edificar ou para ostentar?
A verdadeira grandeza do ministério está em servir com humildade, pregar com fidelidade e viver para a glória de Deus. Que nossa oração seja sempre: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Sl 115.1).
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
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[1]João Calvino, As Institutas, 3. Ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2022, III.10.6.
[2]“O Senhor nos colocou juntos na Igreja, e destinou cada um ao seu posto, de tal maneira que, sob a única Cabeça, venhamos a nos auxiliar uns aos outros. Lembremo-nos também de que tão diferentes dons nos têm sido concedidos para podermos servir ao Senhor humilde e despretensiosamente, e aplicar-nos ao avanço da glória daquele que nos tem dado tudo quanto temos” (João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 4.7), p. 134).
[3] “Os ministros da Palavra de Deus nem por isso devem ser livres para fazer o que é tolerado em outros; devem conhecer o que lhes é permissível. É próprio que sejam mantidos com rédea mais apertada; se outros são mantidos por uma só rédea, então os ministros devem ser mantidos por duas!” (João Calvino, Sermões sobre Tito, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, (Tt 1.5-6), p. 73). (Edição do Kindle).
[4] “A comparação feita entre o ministro do evangelho e a guerra é mais adequada quando se pensa nela em termos de guerra perpétua, que permanece ao longo de toda a vida de um cristão; pois a pessoa que se devota ao serviço de Deus jamais terá trégua da parte de Satanás, mas sofrerá uma contínua inquietude. Porém, os ministros da Palavra e os pastores [do rebanho] devem ser comparados a porta-bandeiras que marcham diante dos exércitos. Certamente que não há ninguém a quem Satanás moleste mais, sobre quem Satanás mais severamente descarregue sua ira, ou quem sofra mais profundas e mais dolorosas feridas. O homem que se prepara para o exercício deste ofício é um pobre equivocado, a menos que esteja disposto a suportar tudo corajosamente e se revista de poder para a batalha. Pois toda a sua obra se destina à luta. Ele deve aprender a pensar no evangelho como algo que acende a ira de Satanás; portanto, ele não tem nada mais a fazer senão ornar-se para a luta toda vez que percebe uma chance de levar o evangelho avante. Porém, com que sorte de armas Satanás deve ser repelido? Ele só pode ser repelido com armas de natureza espiritual, e aquele que não se acha armado com o poder do Espírito Santo, ainda que se glorie de ser um ministro de Cristo, logo descobrirá que não o é. Mas se atentasse para a definição completa do que sejam estas armas espirituais, então a doutrina seria associada ao zelo à clara consciência da operação eficaz do Espírito, bem como de outras graças indispensáveis.” (João Calvino, Exposição de 2 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1995, (2Co 10.4), p. 201-202). O ministério, portanto, não é descanso, mas batalha constante. O pastor é chamado a suportar ataques intensos, sustentado apenas pelo poder do Espírito.
[5] “Os anjos não descerão em forma visível para falar-nos; teremos que ser ensinados pelos homens.” (João Calvino, Sermões sobre Gálatas, volume 1 (Portuguese Edition) (Sermão 4), (p. 86). Editora Monergismo. Edição do Kindle). Aqui Calvino sublinha a simplicidade do método divino: Deus escolhe falar por meio de pregadores humanos, não por espetáculos celestiais. Essa simplicidade, porém, é constantemente ameaçada pela tentação de transformar o púlpito em palco. “Assim como não confiou aos anjos o povo antigo, pelo contrário, suscitou mestres terrenos para que, de fato, desempenhassem o ofício dos anjos, assim também quer nos ensinar por meios humanos. Com efeito, assim como outrora Deus não se contentou com a mera Lei, mas acrescentou sacerdotes que fossem intérpretes, de cujos lábios o povo indagasse o verdadeiro sentido, assim também hoje ele não quer apenas que estejamos atentos à sua leitura, mas também designa mestres por cuja obra sejamos ajudados. Isso é duplamente útil. Por um lado, prova nossa obediência por meio de ótimo teste, quando ouvimos seus ministros falando como se ele mesmo falasse; por outro lado, também nos socorre em nossa fraqueza quando, para nos atrair a si, prefere falar conosco por meio de intérpretes, em vez de, com sua voz estrondosa, nos afugentar. E, de fato, pelo temor com que, com razão, a majestade de Deus os aflige, todos os piedosos percebem o quanto esse modo de ensinar é realmente necessário.” (As Institutas, IV.1.5). “Pois não devemos ser sábios do jeito que muitas pessoas o são, as quais exigem saber se Deus não pode enviar seus anjos do céu e nos ensinar por revelações, nem do jeito de alguns bisbilhoteiros que pretextam ter o Espírito de Deus à disposição deles (en leur manche, em sua manga), e por isso desdenham receber os dons tais como distribuídos por Deus. Para que não sejamos assim enfeitiçados por Satã, notemos como é dito aqui que é vontade de Deus que o evangelho seja pregado pelas bocas dos homens, e que estes nos são, por assim dizer, testemunhas” (João Calvino, Sermões em Efésios, Brasília, DF.: Editora Monergismo, 2009, p. 29).
[6]Justificando o seu estilo, que não seria o mais atraente para aqueles que buscavam grandes acervos de material ou erudição excessiva, Calvino afirmou em 1557: “Nada é mais importante do que granjear o respeito que produza a edificação da Igreja.” (João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Cultura Cristã, 1999, v. 1, p. 48). Dois anos depois, em 26 de janeiro de 1559, ao escrever a dedicatória de seu comentário sobre o Livro de Oséias ao rei Gustavo da Suécia, Calvino reforçou essa convicção: “Porque há muito tempo aprendi a não cortejar o aplauso do mundo. (…) Se Deus me dotou com alguma inteligência para a interpretação da Bíblia, eu estou completamente convencido de que tenho fiel e cuidadosamente procurado excluir todo e quaisquer refinamentos estéreis, porém procuro ser aceitável, agradável e adequável às pessoas, preservando a genuína simplicidade, adaptada firmemente à edificação dos filhos de Deus que, não estando contentes com a casca, desejem penetrar no núcleo.” (John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996, v. 13, p. XVIII-XIX). Vejam-se também: João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 40.8), p. 228; João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1997, (1Co 1.17), p. 50ss.
[7]B.B. Warfield, A Vida Religiosa dos Estudantes de Teologia, São Paulo: Editora os Puritanos, 1999, p. 15.
[8] “Os membros de Cristo têm o dever de ministrar uns aos outros, de modo que, quando nos dispomos a socorrer nossos irmãos, não fazemos mais do que desempenhar o ministério que é também dever deles. Por outro lado, negligenciar os santos, quando necessitam de nosso socorro, é algo mais do que apenas ausência de bondade; é usurpá-los daquilo que lhes é devido”. (João Calvino, Exposição de 2 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1995, (2Co 9.1), p. 186-187).
[9] “Os ministros devem viver contentes com uma mesa frugal, e devem evitar o perigo do regalo e do fausto. Portanto, até onde suas necessidades o requeiram, que os crentes considerem toda a sua propriedade como à disposição dos piedosos e santos mestres.” (João Calvino, Gálatas, São Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 6.6), p. 181). Ao insistir que os ministros devem viver com mesa frugal, Calvino não apenas combate o luxo, mas lembra que a suficiência vem da bondade divina. Essa mesma linha aparece em suas Pastorais, quando denuncia o terrível equívoco de confiar nas riquezas.
[10]“É unicamente Deus quem provê todas as coisas para os propósitos necessários de nossa vida, e quando depositamos nossa confiança nas riquezas, na verdade estamos transferindo para elas as prerrogativas que pertencem exclusivamente a Deus. Note-se o contraste implícito ao dizer que Deus distribui literalmente com todos. O significado é o seguinte: mesmo que possuamos plena e rica abundância de todas as coisas, na verdade tudo quanto possuímos procede da mercê divina. É tão-somente sua generosidade que nos supre de tudo quanto carecemos. Segue-se que é um terrível equívoco confiar nas riquezas e não depender completamente da mercê divina, na qual há para nós suficiência, alimento e tudo mais. Portanto, concluímos que somos proibidos de confiar nas riquezas, não apenas com base no fato de que pertençam só a esta vida mortal, mas também porque não passam de fumaça. Nossa nutrição não procede apenas do pão [material], mas de toda a munificência divina [Dt 8.3]” (João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 6.17), p. 182).
[11] “Um dos sinais de um genuíno pastor é que, enquanto se encontrar a grande distância, e se detiver voluntariamente por atividades piedosas, não obstante será atingido por preocupação pelo seu rebanho, e terá saudade dele; e, ao descobrir que suas ovelhas se angustiam por sua causa, ele se preocupará com a tristeza delas” (João Calvino, Gálatas-Efésios-Filipenses-Colossenses, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2010, (Fp 2.26), p. 434). “É dever de um bom pastor induzir seu rebanho a seguir seu caminho de maneira pacífica e afável, de modo que ele permita ser guiado sem o uso da violência. Concordo que às vezes é necessário o uso de severidade, mas ele [o bom pastor] deve sempre começar pela benignidade, e perseverar nela enquanto seu ouvinte se mostrar tratável.” (João Calvino, Exposição de 2 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1995, (2Co 10.2), p. 199).
[12] Enquanto um dos servos de Deus prega fielmente a Palavra e é zeloso em guiar seu povo a uma vereda certa, há bem poucos que tentam ajudá-lo. A maioria fará tudo quanto pode para lançar tudo de ponta cabeça. Enquanto alguém com muito esforço e dificuldade carrega uma pedra, outros arrancarão três com o fim de impedir o prosseguimento da obra. Tais coisas são corriqueiras hoje. Por isso devemos labutar com ousadia para construir este templo espiritual de Deus e que nenhuma dificuldade nos impeça de prosseguir, pois Deus nos dá graça para terminar enquanto não formos ociosos e negligentes. (João Calvino, Sermões sobre Tito, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 58 (Edição do Kindle). Essa realidade mostra que a vocação ministerial exige coragem e perseverança, mesmo quando a oposição parece maior do que o apoio.
[13]“Se os ventres preguiçosos que estão com você, que gorjeiam juntos tão docemente à sombra, fossem tão dispostos quanto são faladores, correriam juntamente para cá para tomarem parte do labor para si mesmos, visto que há tão poucos de nós. Quase não dá para acreditar no número tão pequeno de ministros, comparado ao tão grande número de igrejas que carecem de pastores. Como desejo, ao ver a extrema necessidade da igreja, que, embora sejam poucos em número, houvesse ao menos entre vocês alguns homens de coração reto que pudessem ser induzidos a ajudar! Que o Senhor o guarde” (In: João Calvino, Cartas de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 30).
[14] In: João Calvino, Cartas de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 30.
[15] “Nenhum ministro é digno de seu chamamento. Todo pregador é vulnerável à hipocrisia. Na verdade, quanto mais fiel à Palavra de Deus for a pregação de um homem, mais ele estará sujeito à hipocrisia. Por quê? Porque quanto mais fiel à Bíblia, mais elevada será a mensagem, e mais dificuldade ele terá em aplicá-la a si próprio” (R.C. Sproul, A santidade de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 42).
[16]“Nossa força é fraqueza. Podemos pregar até a hora da nossa morte, mas se o Espírito não for derramado do alto, nossa pregação não resultará na conversão de uma única alma. Se nosso trabalho alcançar algum sucesso é porque Deus deu o crescimento. Aqueles que abraçam o Evangelho são ‘nascidos, não da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus’. Portanto, quando Deus coloca honra sobre o nosso ministério e faz uso de nós como instrumentos para o crescimento do Seu reino, que não fiquemos orgulhosos. Outrossim, não roubemos a glória que é devida ao Seu nome, nem atribuamos o nosso sucesso a nenhuma sabedoria, habilidade ou santidade da nossa parte. Devemos colocar a coroa sobre a cabeça do nosso Redentor e sentir que não somos nada. E que a linguagem sincera e piedosa dos nossos corações seja ‘não a nós, não a nós, mas ao Teu nome damos glória por amor à Tua misericórdia e à Tua verdade’ (Sl 115.1)” (Bennet Tyler, Eleição: incentivo para pregar o Evangelho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, [s.d.], p. 19).
[17] Herman Witsius, O Caráter do Verdadeiro Teólogo, São Paulo: Teocêntrico Publicações, 2020. Edição do Kindle. Localização: 142-143).
[18] Vern S. Poythress, O senhorio de Cristo: servindo o nosso Senhor o tempo todo, em toda a vida e de todo o nosso coração, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 80.
[19] Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 208.
[20]“Muitos se sentem mais que felizes se conseguem excitar aplauso ou gargalhada. Creem que seu tempo foi bem gasto; contudo, não têm atentado para a edificação, para fazer bom uso do ensino e alimentar as almas dos homens. Pois, assim como somos fisicamente sustentados de pão e alimento, assim também nossas almas devem ser nutridas pela doutrina da salvação” (João Calvino, Sermões sobre Tito, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, (Tt 2.1-3), p. 144. (Edição do Kindle).
