Contemplar para adorar, adorar para conhecer
Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24) A conversa de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó inaugura uma das mais profundas revelações sobre a natureza da adoração cristã (Jo 4.24). A questão já não era se Deus deveria ser adorado…
Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24)
A conversa de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó inaugura uma das mais profundas revelações sobre a natureza da adoração cristã (Jo 4.24). A questão já não era se Deus deveria ser adorado no monte Gerizim ou em Jerusalém. A verdadeira adoração não seria determinada por um lugar, mas pela revelação do próprio Deus e pela ação do Espírito Santo no coração dos seus adoradores.
João 4.24 apresenta a essência da adoração: Deus é espírito e somente pode ser adorado em espírito e em verdade. Isso significa que a adoração não nasce da criatividade humana, nem é fruto de emoções passageiras. Ela é uma resposta à revelação divina, produzida pelo Espírito Santo diretamente ao nosso espírito, e fundamentada na verdade de Deus revelada nas Escrituras e plenamente manifestada em Cristo.
Contemplar para adorar
Em toda a Escritura, a adoração começa quando Deus se revela. Antes que o homem fale, Deus fala; antes que o homem adore, Deus se manifesta.
Foi assim com Moisés diante da sarça ardente (Êx 3), com Isaías diante do trono celestial (Is 6), com Ezequiel às margens do Quebar (Ez 1) e com João na ilha de Patmos (Ap 1). Em todos esses episódios, a contemplação da glória divina precede a resposta de adoração.
Não contemplamos a Deus com os olhos físicos, mas pela fé, iluminados pelo Espírito Santo por meio da Palavra. Quanto mais contemplamos sua santidade, sua majestade, sua graça e sua misericórdia, mais nosso coração é conduzido ao louvor.
A verdadeira adoração nasce da contemplação da glória de Deus.
Adorar para conhecer
Ao nos aproximarmos de Deus em reverência, oração, cânticos e meditação nas Escrituras, o Espírito Santo amplia nossa compreensão da pessoa e da obra de Cristo. A adoração torna-se uma escola da graça, na qual o conhecimento de Deus deixa de ser apenas intelectual e se transforma em experiência de comunhão (2Co 3.18).
Conhecer a Deus não significa apenas acumular informações teológicas. Significa crescer em intimidade, obediência e semelhança com Cristo. Quanto mais adoramos, mais o Espírito conforma nossa vida à imagem do Filho.
Em espírito e em verdade
Jesus une duas dimensões inseparáveis. Adorar em espírito significa que a adoração é produzida pela obra vivificadora do Espírito Santo. É ele quem desperta a fé, conduz ao arrependimento, ilumina as Escrituras e move o coração ao louvor. Adorar em verdade significa que essa adoração é governada pela revelação de Deus. Ela não é construída segundo preferências humanas, mas moldada pela verdade das Escrituras e centralizada em Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6).
Sem o Espírito, a adoração torna-se formalismo. Sem a verdade, transforma-se em sentimentalismo. A verdadeira adoração une o fogo do Espírito à luz da Palavra.
O círculo virtuoso da adoração
A vida cristã pode ser compreendida como um movimento contínuo da graça. Contemplamos a Deus por meio da sua Palavra. Ao contemplá-lo, somos levados a adorá-lo.
Na adoração, o Espírito Santo aprofunda nosso conhecimento de Deus. Quanto mais o conhecemos, mais desejamos contemplá-lo. Assim, contemplação, adoração e conhecimento não competem entre si; alimentam-se mutuamente. É um ciclo de crescimento espiritual sustentado pela graça de Deus.
João 4.24 ensina que Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Essa adoração não nasce do esforço humano, mas da iniciativa divina. O Espírito Santo abre nossos olhos para contemplarmos a glória de Deus revelada em Cristo; dessa contemplação nasce a adoração; e, enquanto adoramos, somos conduzidos a um conhecimento cada vez mais profundo daquele que é infinito em santidade, beleza e amor.
Por isso, a adoração cristã nunca é um fim em si mesma. Ela transforma seus corações e os conforma à imagem de Cristo.
Contemplar para adorar. Adorar para conhecer. Eis a dinâmica da vida daqueles que foram alcançados pela graça e vivem para a glória de Deus.

O Rev. Anuacy Fontes é presidente do Conselho de Música da IPB
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