O Chamamento Divino e a Liturgia da Vida

Trabalho, descanso e vocação sob a soberania de Deus   Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus. − João Calvino (1509-1564)[1] Ainda assim, em meio a circunstâncias em princípio desesperadoras, temos sempre…

Trabalho, descanso e vocação sob a soberania de Deus

 

Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus. − João Calvino (1509-1564)[1]

Ainda assim, em meio a circunstâncias em princípio desesperadoras, temos sempre esse consolo: não servimos a Deus em vão, mesmo quando, à vista humana, parece que todo nosso labor é infrutífero. − João Calvino.[2]

 

Introdução

A Palavra de Deus parte de um princípio essencial: a soberania divina sobre todas as coisas. Essa verdade não é apenas doutrinária, mas o eixo que dá sentido à existência humana. Em sua relação conosco, Ele estabelece sinais que nos lembram de sua autoridade e da nossa condição de criaturas. Esses sinais nos mantêm atentos ao Senhor, a quem devemos amar, honrar e obedecer.

 

Tudo pertence ao Senhor

 

Nesse sentido, Deus concedeu amplo domínio aos nossos primeiros pais sobre toda a criação, reservando exclusividade apenas quanto a uma árvore (Gn 2.16–17). O mesmo Deus que nos entrega todas as coisas instituiu o dízimo como sinal pedagógico de que tudo lhe pertence. Ele é o dono da terra e o originador de todas as bênçãos. (Lv 25.23; Sl 24.1; 100.3; 1Cr 29.11,14/Sl 50.9-13). Por isso, o melhor deve ser oferecido a Ele, não como pagamento, mas como reconhecimento reverente de sua soberania e generosidade (1Sm 2.29; Ml 1.6-14).

O mesmo princípio se aplica ao tempo. Deus, como Criador e Senhor do tempo, concede-nos o livre uso desse bem precioso, mas requer a guarda do sábado, o dia de santo descanso (Êx 20.8-11). Aqui, novamente, vemos não uma limitação arbitrária, mas um convite gracioso à correta ordenação da vida diante de Deus.

Não devemos pensar que Deus precise da árvore reservada, do dízimo ou do nosso tempo, pois Ele nada necessita. Esses limites foram instituídos não por falta em Deus, mas para o nosso benefício: servem à nossa formação, à nossa educação espiritual e, sobretudo, à comunhão com Ele − fonte da vida verdadeira e abundante.

Para formar a cultura e promover o desenvolvimento pessoal e social, Deus concede dons e habilidades a cada pessoa. Quando usados de forma legítima, esses talentos permitem que o homem se realize como criatura e, ao mesmo tempo, glorifique a Deus por meio de um progresso responsável da sociedade.

Nesse processo, o fruto do trabalho humano é apresentado como ato de culto, acompanhado do reconhecimento humilde de que Deus é o doador e o mantenedor de todas as coisas.

Adão e Eva, embora tivessem à sua disposição todas as riquezas do Éden, não foram isentos do trabalho. Antes, receberam a incumbência de guardar e cultivar o jardim (Gn 2.15). À luz dessa perspectiva, a grandeza do trabalho não reside simplesmente no que fazemos − embora devamos reconhecer que certas atividades são, em si mesmas, moralmente repreensíveis ou socialmente prejudiciais[3] −, mas sobretudo em como o fazemos,[4] o que envolve diretamente o seu propósito último.

Consagrar-se[5] à própria vocação demonstra a seriedade com que reconhecemos o senhorio de Deus e a missão que Ele nos confiou. Não há alegria maior do que responder ao chamado divino.[6]  Alegrar-se em Deus significa desfrutar do prazer de sua comunhão em uma obediência que é, ao mesmo tempo, consciente, reverente e alegre. [7]

 

O Sábado do Senhor

O substantivo hebraico tfBa$ (Shabbãth), “sábado”, ao que parece, é derivado do verbo tabf$ (Shãbbath),[8] que significa, “cessar”, “desistir”, “descansar”, “deixar”, “desaparecer”, “chegar ao fim” (Gn 2.2,3; 8.22; Jó 32.1; Is 13.11; 17.3; Jr 31.36) e, conforme o contexto, “parar de trabalhar”.[9]

A ideia que a palavra sugere é a de uma obra concluída. A correspondência das palavras é extraída de Gn 2.2-3, quando diz que Deus depois de concluir a sua obra, no sétimo dia “descansou” (y[iybiv.) (shebiy`iy). No entanto, deve ser enfatizado que Gn 2 de forma alguma trata do sábado como dia a ser guardado.[10]

Shabbãth ocorre pela primeira vez em Êx 16.23:

Respondeu-lhes ele: Isto é o que disse o Senhor: Amanhã é repouso (!AtB’v;) (shabbathon), o santo sábado (tB’v;) (shabbãth) do Senhor; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobrar separai, guardando para a manhã seguinte.

Groningen (1921-2014) conclui que, “o termo deve ser entendido como tendo um sentido geral de intervalo, um tempo entre outros, separado para propósitos religiosos específicos. Em suma, sábado significa um dia santo”.[11]

No grego, a palavra é apenas transliterada do hebraico, sa/bbaton (Sábbaton), preservando o mesmo sentido. Algumas vezes a palavra indica “semana” inteira (Mc 16.2; Lc 18.12; Jo 20.1,19; At 20.7; 1Co 16.2), visto que os demais dias não tinham nomes, sendo designados por números ordinais: 1º, 2º… O domingo era o primeiro dia da semana.[12]

            No Novo Testamento, encontramos a expressão kuriako/j (kyriakos) (“do Senhor”, “pertencente ao Senhor”), que é derivada do ku/rioj (kyrios), “Senhor”. Kuriako/j só ocorre duas vezes no NT.; em 1Co 11.20, “Ceia do Senhor”, indicando a sua instituição ou posse do Senhor; e, Ap 1.10, quando especificamente fala do “Dia do Senhor” (kuriakh= h(me/ra) (kyriakê hêmera).

Já o termo domingo é proveniente do latim, dies dominica, (dia do Senhor) que traduz o grego (kuriakh= h(me/ra) (kyriakê hêmera). A expressão latina teve influência cristã visto que os romanos designavam originariamente esse dia de dies solis (dia do sol).[13]

 

O Estabelecimento do Sábado

As Escrituras registram que Deus, tendo criado todas as coisas nos céus e na terra, ao sétimo dia descansou da obra da criação.[14] Esse descanso não indica fadiga, mas celebra a conclusão plena de uma obra realizada segundo o desígnio divino.[15] Deus completou aquilo que havia iniciado; temos, assim, a consumação de sua obra criativa e a santificação do sétimo dia (Gn 2.2–3).[16]

Embora o termo “sábado” não apareça explicitamente na narrativa de Gênesis, somos informados posteriormente, em linguagem antropomórfica, de que esse descanso constitui um ato divinamente instituído: “Porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado (tB’v;) (shãbbath) e o santificou” (Ex 20.11).
Essa afirmação é reiterada ao se dizer que, nessa ocasião, Deus “descansou e tomou alento” (Êx 31.17).

Com notável precisão, Dyke observa: “Deus não descansa da fadiga, mas em contentamento pela realização completada.” [17] Trata-se, portanto, de um descanso que celebra a obra concluída, marcada pela harmonia, beleza e adequação do mundo recém-criado em seu estado original.[18] Aqui se estabelece uma importante transição teológica: da criação à preservação.[19]

 

Criação e preservação

Deus não apenas cria; Ele também preserva todas as coisas. Após completar sua obra criativa, continuou sustentando e governando aquilo que fez, como sempre o fez e o faz. [20] De modo semelhante, o povo de Deus, seguindo o exemplo do seu Criador, é chamado a tomar alento nesse dia (Êx 23.12).[21] Não apenas cessando suas atividades habituais, mas também refletindo sobre o que realizou ao longo da semana e reconhecendo, em suas conquistas, a graça preservadora de Deus.

A criação, incluindo a natureza em sua totalidade, não pode ser compreendida de forma autônoma em relação a Deus. Separá-la de seu Criador conduz inevitavelmente a dois extremos igualmente problemáticos: ou a natureza torna-se o centro absoluto da realidade − configurando uma forma de idolatria − ou passa a ser apenas um detalhe cósmico subordinado ao uso arbitrário e egoísta do ser humano, o que resulta em exploração irresponsável e destrutiva.

 

Ecologia Teológica

Por essa razão, não pode haver uma ecologia genuína divorciada da teologia bíblica. A chamada “questão ecológica” é, antes de tudo, uma questão teológica,[22] pois envolve a correta compreensão da criação como obra contínua das mãos de Deus e como esfera confiada à responsabilidade humana.

Sem a preservação divina, nada subsistiria: tudo retornaria ao nada, à não existência. Pode-se afirmar, sem constrangimento teológico, que até mesmo Satanás e seus anjos são, em certo sentido, alvos da bondade mantenedora de Deus, pois, sem o sustento divino, também eles retornariam ao nada, que é a ausência absoluta do ser (cf. Dt 33.12, 25–28; 1Sm 2.9; Ne 9.6; Jó 33.4; 34.14-15/Sl 104.29; 145.14-15; At 17.28; Cl 1.17; Hb 1.3).

A admoestação divina relativa à tentativa do povo de recolher o maná para o dia seguinte − episódio que ocorre antes mesmo da entrega formal da Lei − comprova que a instrução sobre a guarda do sábado já havia sido comunicada ao povo. Em outras palavras, antes da promulgação do Decálogo, já existia o ensino divino a respeito da santificação desse dia.

Na Lei, temos, portanto, a sua codificação normativa. O episódio do maná (Êx 16.4-30)[23] evidencia de forma pedagógica essa instituição divina, revelando tanto a provisão graciosa de Deus quanto a convocação à confiança obediente e ao descanso determinado por Ele. O sábado surge, assim, não como imposição tardia, mas como elemento orgânico do cuidado divino com o seu povo, integrando criação, preservação e vida comunitária sob o senhorio do Deus que cria, sustém e governa todas as coisas.

 

O Sábado e o seu significado

O Antigo Testamento insiste em afirmar que o sábado pertence ao Senhor (Êx 16.23; 20.10; Lv 23.3), sublinhando sua importância para o povo. Como observa  Stott, “nenhum outro mandamento é tão fortemente enfatizado como este”.[24]

É necessário distinguir: quando um mandamento nasce de circunstâncias específicas, sua aplicação é temporária; mas quando sua razão é permanente, a lei permanece.[25]  Assim, por estar inserida no Decálogo − princípios que orientam nossa relação com Deus e com o próximo − a guarda do sábado conserva validade em todas as épocas. Robertson ressalta: “Os ‘Dez Mandamentos’ retêm um caráter tão obrigatório com relação ao crente da nova aliança como o princípio da fé que formava a essência central da fase abraâmica da aliança da redenção”.[26]

 

Significado Espiritual

O sábado foi abençoado (Gn 2.3; Êx 20.11) e santificado por Deus (Gn 2.3; Êx 20.8,11; 31.14; Dt 5.12). Tornou-se um dia especial para o seu povo, sinal da Aliança perpétua entre Deus e nós[27] (Êx 31.16-17), [28] testemunho de nossa santificação operada por Ele (Ez 20.12).   No descanso do Senhor descobrimos o verdadeiro sentido da vida, do trabalho e das relações. É nele que nossa existência encontra significado pleno.[29] O quarto mandamento, iniciado pelo “lembra-te” (Êx 20.8), é o mais detalhado do Decálogo (Êx 20.8-11) e se conecta diretamente ao descanso divino (Gn 2.2-3).

Deus avaliou sua criação como muito boa; contudo, apenas o sábado foi santificado. Ele não é fim em si mesmo, mas um dia concedido por Deus ao homem; o homem foi criado primeiro. O sábado foi criado por causa do homem e para ele, atendendo às suas necessidades (inclusive metafísicas) dentro do propósito divino que inclui o homem em sua inteireza.[30]

Jesus confirma: “O sábado foi estabelecido por causa  (e)ge/neto) (“veio a existir”, “foi feito”) do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27). Robertson interpreta: “Deus criou o sábado porque ele era para o bem do homem e de toda a criação”.[31]         O sábado como bênção de Deus para o homem, mantém sempre viva nossa memória no fato de que Deus criou o mundo e tudo que nele há (Gn 2.2-3; Ex 20.11) e, também, descreve uma situação histórica (a libertação do Egito) prefigurando a libertação por vir; a obra recriadora de Deus (Dt 5.15).[32]

Hendriksen (1900-1982) resume:

O sábado foi instituído para ser uma bênção para o homem: para mantê-lo saudável, útil, alegre e santo, dando-lhe condições de meditar calmamente nas obras do seu Criador, podendo deleitar-se em Jeová (Is 58.13,14), e olhar adiante, com grande expectativa, para o ‘repouso que resta para o povo de Deus’ (Hb 4.9).[33]

 

Significado Social

O sábado é um convite à alegria, não um fardo. Ele nos lembra que nossas obrigações diante de Deus se entrelaçam com nossas responsabilidades para com o próximo. Por isso, sua ênfase é também social: o descanso não é privilégio de alguns, mas direito de todos.

Homens, mulheres, crianças, servos, animais e até a própria terra são incluídos nesse horizonte de igualdade e alívio (Êx 20.8-11; Dt 5.12-15).[34] O sábado, universal em seu alcance e profundamente humano em sua essência, recordava ao povo sua experiência de escravidão. Eles conheciam o peso da exploração e, por isso, o descanso semanal tornou-se sinal de misericórdia e justiça (Êx 20.10; 23.12; Dt 5.13-15). Calvino comenta que “embora o sábado tenha sido ab-rogado, ainda tem vigência entre nós (…) para que servos e trabalhadores tenham um descanso de seu labor”. Assim, trabalhadores e servos necessitam de pausa e refrigério.

 

Sábado e seu sentido ecológico

Além do aspecto social, o sábado possui também um sentido ecológico: a terra, assim como o homem, precisa descansar. O ritmo sabático se estende aos ciclos maiores − a cada sete anos o solo repousa, e no quinquagésimo ano o jubileu traz libertação e renovação. (Lv 25.1-12). Para o judeu, o tempo era medido não pela década, mas pelo compasso do sete − dias, meses, anos (Gn 7.4,10; 8.10,12; 29.18,20,27).[35] O sábado, portanto, é um lembrete de que o tempo pertence a Deus e deve ser vivido em harmonia com a criação.

Calvino comenta que “embora o sábado tenha sido ab-rogado, ainda tem vigência entre nós (…) para que servos e trabalhadores tenham um descanso de seu labor”.[36]  Trabalhadores e servos necessitam de pausa e refrigério.

No Novo Testamento, o descanso ganha nova tonalidade. O primeiro dia da semana, marcado pela ressurreição de Cristo, torna-se o “sábado cristão”. É nesse dia que Paulo orienta a coleta de ofertas em favor dos necessitados de Jerusalém (1Co 16.1-2).[37] Assim, o descanso se une à solidariedade, e o tempo se transforma em oportunidade de serviço, comunhão e expressão da liberdade.[38]

 

O Sábado como resultado do trabalho

O sábado tem sentido objetivo e subjetivo. Objetivamente, é o dia santificado por Deus, separado para Ele e para nosso descanso onde tomamos alento na própria dedicação litúrgica ao Senhor. Subjetivamente, é o repouso que segue ao trabalho, desfrutado por quem se dedicou fielmente nos demais dia − ainda que na busca por trabalho. O descanso é consequência de uma obra concluída, realizada dentro dos recursos e do tempo que Deus nos concede (Êx 34.21; Lv 23.3; Dt 5.13-14; Gn 2.2).[39]

 

Considerações finais

O chamamento divino não se limita a momentos específicos de culto: ele envolve toda a existência. Trabalho e descanso são dimensões inseparáveis da vocação cristã e, quando vividos diante do Senhor, tornam-se verdadeira liturgia da vida.

O sábado, instituído por Deus, não é apenas uma pausa semanal, mas sinal de sua soberania, da comunhão com Ele e da justiça social. Ele nos recorda que o tempo pertence ao Criador e que o ser humano, em sua totalidade, é chamado a viver em harmonia com Deus, com o próximo e com a criação.

O trabalho, quando realizado com consciência e reverência, torna-se ato de culto. O descanso celebra a obra concluída e oferece oportunidade de renovar forças na presença do Senhor. Juntos, revelam que a vida inteira é vocação e culto − uma liturgia da existência.

Responder ao chamado divino é reconhecer que nenhuma tarefa é insignificante quando feita para Deus. É viver cada dia, seja no labor ou no repouso, como expressão de gratidão e obediência ao Senhor que cria, sustenta e governa todas as coisas.

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1] João Calvino, A Verdadeira Vida Cristã, São Paulo: Novo Século, 2000, p. 77.

[2] João Calvino, Cartas de João Calvino – Volume 1 (Portuguese Edition) (p. 157). Edição do Kindle. (Carta endereçada a Farel de Estrasburgo em 28.02.1539).

[3] Quanto a estas, veja-se: Klaas Runia, Vocação: In: Carl F.H. Henry, org. Dicionário de Ética Cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 604.

[4] “Todas as chamadas são de Deus, e tudo o que nós fazemos na vida cotidiana deve ser feito para louvor de Deus, seja estudo, ensino, pregação, negócios, indústria ou trabalho doméstico” (A.A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo: Cultura Cristã, 1999, p. 74).

[5]“Não há gente pequena e gente grande no verdadeiro sentido espiritual, mas sim, só gente consagrada e gente não consagrada. O problema para cada um de nós é aplicar essa verdade a nós mesmos: será que Francis Schaeffer é o Francis Schaeffer de Deus? (…) O tamanho do lugar não é importante, mas sim a consagração naquele lugar” (Francis A. Schaeffer, Não há Gente Sem Importância, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 22,27).

[6]Veja-se: João Calvino, As Institutas, (2022), III.10.6.

[7] “Deus não é um sádico, dirigindo-nos a fazer o que não queremos, só para nos ver sofrer. Ele deseja que tenhamos alegria em tudo o que nos guia a fazer, mesmo naquelas coisas que a princípio recusamos, e que parecem desagradáveis” (J.I. Packer, O Plano de Deus para Você, 2. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2005, p. 117).

[8] Cf. Victor P. Hamilton, Shãbat: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998 (reimpressão), p. 1521; W. Stott, Sábado: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1983, v. 4, p. 265; Harold H.P. Dressler, O Shabbath no Antigo Testamento: In: D.A. Carson, org., Do Shabbath para o dia do Senhor, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 23. Veja-se também: Hendrik L. Bosman, Sabbath: In: Willem A. VanGemeren, gen. editor. New International Dictionary of Old Testament Theology & Exegesis, Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1997, v. 4, p. 1157-1162.

[9] Cf. Victor P. Hamilton, Shãbat: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 1520-1521.

[10] Cf. Harold H.P. Dressler, O Shabbath no Antigo Testamento: In: D.A. Carson, org., Do Shabbath para o dia do Senhor, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 28-29.

[11] Gerard Van Groningen, O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor, Tempo de Alegria Nele: In: Fides Reformata, São Paulo: Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, 3/2 (1998): 156.

[12] Cf. D.K. Lowery, Dia do Senhor: In: Walter A. Elwell, ed. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, São Paulo: Vida Nova, 1988, v. 1, p. 460.

[13] Cf.  D.K. Lowery, Dia do Senhor: In: Walter A. Elwell, ed. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, v. 1, p. 461; Dominar: In: Antônio Geraldo da Cunha, Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991, p. 276.

[14] Notemos que Deus cessou a obra da criação, não de preservação (Jo 5.17). “O termo em si (descansou) não significa ociosidade, inatividade completa. Significa parar de fazer alguma coisa, ficar livre da mesma. Humanamente falando, isso pode ser dito de Deus em relação à sua obra criadora” (Gerard Van Groningen, O Sábado no Antigo Testamento: tempo para o Senhor, tempo de alegria nele (II): In: Fides Reformata, Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 4/1 (1999), p. 133). Ver também: Gerard Van Groningen, O Sábado no Antigo Testamento: tempo para o Senhor, tempo de alegria nele: In: Fides Reformata, Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 3/2 (1998), p. 156).

[15]“Deus está enfatizando nesta passagem que, sendo um Deus fiel, Ele completa o que começa” (Gerard Van Groningen, O Sábado no Antigo Testamento: tempo para o Senhor, tempo de alegria nele: In: Fides Reformata, 3/2 (1998), p. 163). Do mesmo modo: Geerhardus Vos, Teologia Bíblica do Antigo e Novo Testamentos, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 174.

[16]Cf. C.F. Keil; F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, [s.d.], v. 1, (Gn 2.1-3), p. 68.

[17]Fred Van Dyke, et. al., A Criação Redimida, São Paulo: Cultura Cristã, 1999, p. 86. Do mesmo modo, Kidner: “É o repouso da realização cumprida, não da inatividade, pois Ele nutre o que cria” (Derek Kidner, Gênesis: introdução e Comentário, São Paulo: Vida Nova; Mundo Cristão, 1979, (Gn 2.1-3), p. 50).

[18]“Deus sustenta o mundo por seu poder, governa-o por sua providência, nutre e propaga todas as criaturas, ele está sempre em atividade. (…) Se Deus apenas afastasse sua mão sequer um pouquinho, todas as coisas pereceriam imediatamente e se dissolveriam em nada. (…) Deus só é corretamente reconhecido como o Criador do céu e terra quando sua perpétua preservação lhe é atribuída” (John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin Commentarie’s) 1996 (Reprinted), v. 1, (Gn 2.2), p. 103-104). Vejam-se também: João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 2002, v. 3, (Sl 104.29), p. 628-629; S. Agostinho, Comentário ao Gênesis, São Paulo: Paulus, 2005 (Coleção Patrística; 21), IV.12, p. 133-135; Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 604.

[19] “Seu poder não cessou, mesmo no sétimo dia, no governo do céu e da terra e de todas as coisas que criara, pois do contrário em seguida se desfariam. De fato, o poder do Criador e a virtude do Onipotente e do Mantenedor é causa da subsistência de toda a criatura” (St. Agostinho, Comentário ao Gênesis, São Paulo: Paulus, 2005 (Coleção Patrística; 21), IV.12, p. 133).

[20] “Deus não descansou literalmente, Ele simplesmente terminou a sua obra de Criação. Se Ele tivesse descansado, tudo o que Ele havia feito nos primeiros seis dias teria se desintegrado. Deus não se cansa; Ele esteve tão ativo no sétimo dia como estivera nos outros seis – sustentando tudo que Ele havia feito” (John F. MacArthur, Jr., Deus: face a face com sua Majestade, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2013, p. 97).

[21]“Seis dias farás a tua obra, mas, ao sétimo dia, descansarás; para que descanse o teu boi e o teu jumento; e para que tome alento o filho da tua serva e o forasteiro” (Ex 23.12).

[22]Veja-se: Fred van Dyke, et. al. A Criação Redimida, São Paulo: Cultura Cristã, 1999, p. 90ss. Francis A. Schaeffer, Poluição e a Morte do Homem, passim. Sobre o panteísmo moderno, ver, em especial, o segundo capítulo, intitulado: “Panteísmo: O Homem é semelhante ao capim”, p. 17ss.

[23] Veja-se: G.H. Waterman, Sábado: In: Merrill C. Tennet, org. ger. Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 5, p. 269.

[24]W. Stott, Sábado: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. 4, p. 265.

[25]Vejam-se: Charles Hodge, Systematic Theology, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1986 (reprinted), v. 3, p. 325; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Comentada por A.A. Hodge, São Paulo: Editora Os Puritanos, 1999, p. 344-345, 381; Gerard Van Groningen, O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor, Tempo de Alegria Nele: In: Fides Reformata, 3/2 (1998), p. 155.

[26]Veja-se: Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Comentada por A.A. Hodge, p. 382.

[27] Veja-se: Harold H.P. Dressler, O Shabbath no Antigo Testamento: In: D.A. Carson, org., Do Shabbath para o dia do Senhor, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 26-27; 30ss.

[28]16 Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado (tB’v;) (shabbãth), celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. 17 Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou (tabf$) (Shãbbath), e tomou alento” (Êx 31.16-17).

[29] Veja-se: John W. R. Stott, O Discípulo Radical, Viçosa, MG.: Ultimato, 2011, p. 46-47.

[30] Cf. Victor P. Hamilton, Shãbat: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 1522; W. Stott, Sábado: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. 4, p. 266.

[31] O. Palmer Robertson, Cristo dos Pactos, p. 63. Veja-se: D.A. Carson, Jesus e o Shabbath nos quatro evangelhos: In: D.A. Carson, org., Do Shabbath para o dia do Senhor, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 65-66; 91-92.

[32] Veja-se: Gerard Van Groningen, O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor, Tempo de Alegria Nele (II): In: Fides Reformata, 4/1 (1999), p. 136. “O sábado abre a criação para o seu verdadeiro futuro; no sábado festeja-se antecipatoriamente a redenção do mundo, o sábado é a presença da eternidade no tempo e uma prova do mundo vindouro” (J. Moltmann, Doutrina Ecológica da Criação, Petrópolis, RJ.: Vozes, 1992, p. 394).

[33]William Hendriksen, Comentário do Novo Testamento: Exposição do Evangelho de Marcos, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, (Mc 2.27), p. 144.

[34]Cf. João Calvino, As Institutas, II.8.28/II.8.32; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Comentada por A.A. Hodge, São Paulo: Editora os Puritanos, 1999, p. 381-382; Catecismo de Genebra, Perg. 180: In: Hermisten M.P. Costa, org. Catecismo da Igreja de Genebra (Edição especial com notas para estudo e pesquisa), São Paulo: Cultura Cristã; Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, 2026; G.H. Waterman, Sábado: In: Merrill C. Tennet, org. ger. Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 5, p. 269-270; A.T. Lincoln, Do Shabbaath para o Dia do Senhor: uma perspectiva bíblica e teológica: In: D.A. Carson, org., Do Shabbath para o dia do Senhor, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 419-420.

[35] Veja-se: Alfredo Edersheim, Festas de Israel, São Paulo: União Cultural Editora, [s.d.], p. 7ss.

[36]João Calvino, Instrução na Fé, Goiânia, GO: Logos Editora, 2003, Cap. 8, p. 26.

[37] Cf. Victor P. Hamilton, Shãbat: In: R. Laird Harris, et. al. eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 1522.

[38] Calvino interpreta que o domingo foi escolhido em lugar do sábado porque nele Cristo ressuscitou, encerrando as sombras da lei: “Ora, o Dia do Senhor foi escolhido em preferência a todos os demais, visto que a ressurreição de nosso Senhor pôs fim às sombras da lei. Portanto, este dia nos leva a recordar de nossa liberdade cristã” (João Calvino, Exposição de 1 Coríntios,  São Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 16.2), p. 500). Desse modo, o domingo não é mera transposição do sábado judaico, mas celebração da nova criação inaugurada pela ressurreição.

[39]“Seis dias trabalharás, mas, ao sétimo dia, descansarás, quer na aradura, quer na sega” (Êx 34.21). 13 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. 14 Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu” (Dt 5.13-14).

Autor

  • Cativo à Palavra

    Projeto Missionário Teológico e Pastoral.

    Para um coração cativo e dedicado ao Senhor.

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