O lugar do Saltério na piedade cristã reformada: centralidade e uso de outros cânticos na adoração (2)
2. O Espírito Santo e a adoração cristã: plenitude que gera comunhão e louvor Uma firme posição doutrinária é, para uma Igreja, a condição obrigatória para toda manifestação de arte cristã. ‒ Paul Romane Musculus (1906-1987).[1] Quando Ele [Deus] nos concede talentos, incluindo o talento musical, Ele nos concede, não para que se transforme em…
2. O Espírito Santo e a adoração cristã: plenitude que gera comunhão e louvor
Uma firme posição doutrinária é, para uma Igreja, a condição obrigatória para toda manifestação de arte cristã. ‒ Paul Romane Musculus (1906-1987).[1]
Quando Ele [Deus] nos concede talentos, incluindo o talento musical, Ele nos concede, não para que se transforme em ídolo, mas para ser usado para Sua glória. – Frank E. Gaebelein (1899-1983).[2]
Quando nos distanciamos da Palavra, o que nos resta é oferecer um culto supostamente dirigido a Deus, mas moldado, na realidade, por nossos gostos e preferências. Esse culto pode até parecer legítimo — afinal, a adoração deve ser, em alguma medida, bela, agradável e envolvente —, mas, nesse caso, sua referência deixa de ser Deus e passa a ser o próprio homem.
Assim, nossa satisfação torna-se o critério determinante. E essa satisfação pode assumir diversas formas: o apelo sensorial imediato, a busca por maior participação, ou ainda o desejo de evidenciar piedade, relevância ou até mesmo um espírito de vanguarda.
recisamos lembrar que o culto não é para satisfazer nossa vontade, mas para formar nosso coração segundo a vontade de Deus.
Fora da Palavra, o culto inevitavelmente se desfigura, tornando-se uma expressão religiosa moldada pelos critérios do mundo — ainda que revestida de linguagem espiritual. Nesse caso, já não refletimos a vontade de Deus, mas o espírito que governa o mundo e influencia profundamente aquilo que sentimos, pensamos e fazemos.[3]
Contudo, Paulo estabelece um contraste decisivo: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo” (1Co 2.12).
O apóstolo nos mostra que o cântico é uma expressão da adoração cristã marcada pela plenitude do Espírito Santo. Mais: A genuína adoração é operada pelo Espírito Santo em nós. Como Deus que é, somente pelo Espírito, que conhece as profundezas da Trindade – “O semelhante é conhecido pelo semelhante” −, podemos oferecer um culto legítimo, agradável ao Senhor. O Espírito sabe o que lhe agrada. Ninguém pode ensinar a Deus a se agradar de algo estranho à sua natureza santa. (1Co 2.11-12).[4]
O mesmo Espírito que falou por intermédio de Davi, inspirando-o a escrever, é o que nos ilumina na adoração a Deus (At 4.25).[5]
A música e a plenitude do Espírito
A exortação de Paulo à igreja de Éfeso, é nesse sentido: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos (yalmo/j), entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos (u(/mnoj) e cânticos (%)dh/) espirituais” (Ef 5.18-19).
1) Salmos
A palavra yalmo/j (* Lc 20.42; 24.44; At 1.20;13.33; 1Co 14.26; Ef 5.19; Cl 3.16) (Cântico de louvor, salmo) é usada para referir-se ao Livro de Salmos ou a algum Salmo específico (Cf. Lc 20.42; 24.44; At 1.20; 13.33). Contudo em outras referências não são especificações daquele, parecendo indicar com isso, que além dos Salmos canônicos outros “salmos” (hinos cristãos) eram cantados na Igreja. Os salmos eram empregados apenas para hinos de louvor.
O verbo ya/llw (*Rm 15.9; 1Co 14.15; Ef 5.19; Tg 5.13), cujo sentido primário é de “tocar, sentir”; evoluiu para “tanger uma corda” e, finalmente, “tocar um instrumento”. depois, “tanger” (uma corda) e, finalmente, “tocar” um instrumento. No Novo Testamento, assume o significado básico de cantar louvores. Da mesma raiz vem yhlafa/w (*Lc 24.39; At 17.27; Hb 12.18; 1Jo 1.1), que significa “tocar com a mão” ou “apalpar”.[6]
Parece-nos, portanto, que o louvor a Deus aqui caracterizado, envolvia o emprego de algum instrumento que fosse tocado com as mãos, “cantar com acompanhamento de uma harpa”.
Curiosamente encontrei posteriormente esta definição de yalmo/j em Pereira: “ação de sacudir as cordas de um instrumento”.[7]
Na literatura clássica o verbo parece estar associado ao ato de tanger as cordas de um instrumento musical. Agostinho (354-430) comentando o Salmo 66.2, diz: “Salmodiar é tomar um instrumento chamado saltério, e fazer a voz concordar com o toque e o movimento das mãos”.[8] Em outro lugar: “…. salmos seriam as composições acompanhadas ao saltério”.[9]
Inclino-me a crer que os salmos aludidos por Paulo eram canções de adoração feitas por compositores cristãos, que eram cantadas, ainda que não estritamente, com acompanhamento musical. O seu estilo se assemelhava e se inspirava no Saltério e, outras vezes, ao invés de composições contemporâneas, fosse o próprio Saltério cantado. Aqui, talvez tenhamos a força da herança judaica na adoração cristã modelada pelo Espírito Santo.
Isso nos ensina que a música cristã, seja antiga ou nova, deve sempre nascer da Palavra e conduzir o povo a Cristo. Não é a novidade que importa, mas a fidelidade. Perguntemo-nos: nossas músicas hoje estão conduzindo o povo a Cristo ou apenas entretendo?
2) Hinos
u(/mnoj (*Ef 5.19; Cl 3.16)(Uma canção, hino de louvor a Deus (Sl 40.3; Is 42.10), “hino festivo de louvor”). O verbo é u(mne/w (* Mt 26.30; Mc 14.26; At 16.25; Hb 2.12) (Cantar o louvor de, cantar um hino, celebrar (Sl 22.22)). No Novo Testamento, ambas as palavras estão associadas a cânticos a Deus.
A origem da palavra é incerta, sendo aplicada no grego clássico desde Homero englobando uma gama variada de formas poéticas, sendo aplicada à poesia cantada e recitada, referindo-se geralmente aos hinos cantados em honra a alguma divindade ou a heróis.[10]
3) Cânticos
Aqui temos a tradução da palavra “Ode”. %)dh/ (* Ef 5.19; Cl 3.16; Ap 5.9; 14.3 (2 vezes); 15.3) (“Ode”, “canção”, “hino”). O verbo é #)/dw (* Ef 5.19; Cl 3.16; Ap 5.9; 14.3; 15.3) (“Cantar”). Em Ap 15.3 o verbo e o substantivo ocorrem conjuntamente referindo-se ao cântico de Moisés (Cf. Êx 15.1; Sl 145.7) e ao cântico do Cordeiro.
%)dh é uma contração de a)oidh/ (arte de cantar, canto), proveniente de a)ei/dw, do verbo #)/dw (cantar, celebrar, elogiar).
Das três, esta é a palavra mais genérica; a %)dh/ pode ser de lamentação, queixa ou alegria. A palavra na literatura grega secular não estava limitada ao “cântico” do ser humano, podendo referir-se a todo tipo de sons: ao coaxar do sapo, ao som de um instrumento (harpa), o silvo produzido pelo vento nas árvores ou de uma pedra.
Talvez “hinos” e “cânticos” descritos por Paulo refiram-se principalmente aos cânticos neotestamentários, estando refletido neles elementos da herança grega – considerando que muitos dos cristãos tinham esta formação –, no entanto, sob a direção do Espírito, tendo como elemento aferidor a Palavra de Cristo (Cl 3.16).
Essas três palavras empregadas também conjuntamente em Cl 3.16 é difícil, senão impossível de se determinar com precisão a diferença entre elas e estabelecer a sua distinção na adoração cristã,[11] considerando inclusive que elas também eram empregadas no culto pagão.[12]
Segundo nos parece, o que estabelece o contraste da adoração cristã nesse texto, é que ela é promovida pelo Espírito Santo, com coração sincero e, como não poderia deixar de ser, de modo espiritual. Assim, os três termos parecem resumir a variedade e harmonia dos cânticos cristãos sob o impulso e direção do Espírito em fidelidade à Palavra revelada de Deus dentro de sua revelação progressiva.
A relação entre eles é de complementaridade: %)dh funciona como categoria ampla, enquanto yalmo/j e u(/mnoj expressam formas mais específicas. Assim, um mesmo cântico pode reunir três dimensões: um canto espiritual (%)dh), um salmo (yalmo/j) e um hino de louvor (u(/mnoj).
Quando cantamos no culto, não estamos apenas preenchendo o tempo com música; estamos confessando juntos a nossa fé e participando de uma herança espiritual que une gerações de crentes como corpo de Cristo. E quando a igreja canta em uníssono, é como um só coração diante de Deus, testemunhando a unidade do Espírito.
A tríade em Ef 5.19 e Cl 3.16 visa abranger a totalidade das expressões do louvor cristão, destacando sua variedade e riqueza no culto.
“Embriaguez piedosa”
Em Efésios 5.18, Paulo faz um contraste entre a embriaguez, ainda que “religiosa”[13]– comportamento habitual entre os pagãos e ainda sobrevivente em alguns círculos da Igreja (Cf. 1Co 11.21) – que gera a dissolução de todos os bons costumes, devassidão e libertinagem (a)swti/a),[14] e o enchimento do Espírito.
Assim sendo, ao invés dos homens procurarem a excitação desenfreada da bebida,[15] ou a embriaguez como recurso para fugirem de seus problemas por meio do entorpecimento de suas mentes, devem buscar o discernimento do Espírito para compreender a vontade de Deus, que deve ser o grande objetivo de nossa existência: “Vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão não vos torneis insensatos, mas procurai compreender (Suni/hmi)[16] qual a vontade (Qe/lhma) do Senhor” (Ef 5.15-17).
O enchimento do Espírito exige consciência. Não significa perder o controle pela emoção, mas viver em equilíbrio entre razão e sentimento. O canto repetitivo, quando exagerado, pode gerar estímulo emocional excessivo, levando à confusão e até à manipulação.
O Espírito não nos manipula, Ele nos liberta. Por isso, nossa música deve conduzir à sobriedade espiritual e à alegria verdadeira, não à perda de consciência.
Lamentavelmente, a música tem sido usada com muita frequência com este propósito.[17] MacArthur (1939-2025) conclui acertadamente: “O sentimentalismo irracional, estimulado geralmente pela repetição e ‘liberação’, se aproxima mais do paganismo dos gentios (ver Mt 6.7) do que de alguma forma de adoração bíblica”.[18]
Para que o contraste ficasse bem claro, Paulo não usa para o enchimento do Espírito o verbo “embriagar” – que envolve a diminuição da consciência e dos reflexos, além de ser uma expressão que baratearia por demais a sua mensagem e também, imprópria para se referir à terceira Pessoa da Trindade[19] – antes, nos fala de um enchimento consciente e santamente voluntário. A expressão do Espírito conduz-nos às emoções santas. A emoção mundana limita toda a sua vida ao corpo, substituindo a alegria do Espírito pela intoxicação alcoólica.[20]
O médico e pastor Lloyd-Jones (1899-1981), comenta:
A bebida não é um estimulante, é um agente de depressão. Deprime antes de tudo os núcleos mais elevados do cérebro. Estes são os primeiros a serem influenciados e afetados pela bebida. Eles controlam tudo que dá ao homem o domínio próprio, a sabedoria, o entendimento, a discriminação, o juízo, o equilíbrio, a capacidade de avaliar tudo; noutras palavras, controlam tudo que faz o homem comportar-se no nível máximo e melhor.[21]
À frente:
Apanhem algum livro de farmacologia, vejam “álcool”, e sempre verão que ele vem classificado entre os depressivos. Não é um estímulo. “Bem”, vocês dirão, “por que as pessoas tomam álcool em busca de estímulo?” […] Eis o que o álcool faz: ele abate os centros mais elevados e, assim, os elementos mais primitivos do cérebro vêm à tona e assumem o controle; e o homem se sente melhor, temporariamente. Perde o seu senso de temor, perde sua capacidade de discriminação, perde sua capacidade de avaliação. O álcool simplesmente abate os seus centros mais elevados e libera os elementos instintivos, mais primitivos; mas o homem acredita que está sendo estimulado. O que realmente é verdade a respeito dele é que ele se tornou mais animalesco; seu controle sobre si mesmo diminuiu.[22]
O cristão, ao contrário do que pontua Lloyd-Jones a respeito do efeito do álcool, busca o sentido da plenitude da sua existência, na plenitude do Espírito. É pelo Espírito que nos tornamos verdadeiros seres humanos no emprego correto e intenso de nossa capacidade renovada e santificada. “Sendo assim cheios com o Espírito, os crentes não somente serão esclarecidos e alegrados, mas também darão jubilosa expressão a seu vivificante conhecimento da vontade de Deus”, comenta Hendriksen (1900-1982).[23]
O Espírito não nos aliena, mas nos dá domínio próprio e clareza espiritual.[24] O Espírito não nos aliena, antes, conduz-nos à percepção mais aprimorada e intensa da Palavra de Cristo que habita ricamente em nós. O Espírito nos estimula e capacita espiritual e intelectualmente a entender e obedecer a Palavra de Deus. Ele nos ilumina, concedendo discernimento para compreender a mente de Deus expressa em sua Palavra.[25]
Comenta Lloyd-Jones:
O Espírito Santo estimula a mente. Ele é um estímulo direto para a mente e para o intelecto. Ele realmente desperta as faculdades da pessoa e as desenvolve. Ele não reproduz sobre eles o efeito que o álcool e outras drogas produzem. É o oposto exato disso; é um estímulo verdadeiro.[26]
Hulse (1931-2017) comenta:
O Espírito Santo opera diferentemente. Não exige uma mente vazia; ao contrário, enche e controla a mente. Traz ordem e profundidade ao conhecimento, às afeições e às emoções. […] O álcool é destruidor dos sentidos, mas o Espírito Santo é construtivo.[27]
O enchimento do Espírito Santo leva ao aprimoramento e alargamento dos poderes do intelecto e ao discernimento, à melhoria da memória, eficiência na execução do trabalho, ao aquecimento das afeições, ao aumento do zelo, e ao aumento geral do fruto do Espírito, descrito em Gálatas 5.22.[28]
O enchimento do Espírito pressupõe o selo e o batismo definitivos dele. Por isso mesmo, não se confunde com eles (Ef 1.13; 4.30; 1Co 12.13).[29] O batismo e o selo do Espírito são realidades efetivas para todos os crentes em Cristo.[30] O enchimento, por sua vez, é um dever de cada cristão que reconhece a sua eleição eterna para a salvação em santificação (Ef 1.4/2Ts 2.13).[31]
A ideia expressa em Ef 5.18, é a de ter o Espírito em todas as áreas da nossa vida, de forma plena e abundante. Aqui, quatro observações devem ser feitas:[32]
a) O Verbo “encher” (plhro/w) está no modo imperativo. O emprego do imperativo indica que o enchimento do Espírito não é opcional, mas constitui um mandamento. Embora a ação seja realizada por Deus, o crente é responsável por colocar-se em atitude de submissão e receptividade, de modo que a negligência dessa disposição caracteriza desobediência.
b) O verbo está no tempo presente, expressando uma ordem imperativa indicando uma experiência contínua e renovada, por meio da qual o crente, de forma consciente e voluntária, se submete progressivamente à influência do Espírito, sendo cada vez mais governado por Ele em sua mente, coração e vontade — o homem integral. [33] Por isso, podemos interpretar o texto de Ef 5.18, como que Paulo dizendo: “Sede constantemente, momento após momento, controlados pelo Espírito”.
Hoekema (1913-1988) observa que, “o imperativo presente ensina-nos que ninguém pode, jamais, reivindicar ter sido cheio do Espírito de uma vez por todas. Estar sendo continuamente cheio do Espírito é, de fato, o desafio de uma vida toda e o desafio de cada dia”.[34]
c) O verbo está no plural, indicando que esta ordem é dirigida a todos os cristãos, e não apenas a um grupo específico, como líderes ou pessoas mais espirituais. Assim, o “enchimento do Espírito” não é opcional, nem reservado a um grupo específico, nem um evento isolado, mas uma experiência permanente que deve caracterizar toda a vida da igreja e de cada crente.[35] Assim como a água que irriga toda a planta, o Espírito deve encher todas as áreas da nossa vida, não apenas momentos isolados.
d) O verbo está na voz passiva, indicando que o sujeito recebe a ação — sendo Deus o agente do enchimento. Contudo, por tratar-se de um imperativo, há também a responsabilidade do crente em submeter-se voluntariamente ao Espírito, buscando continuamente essa plenitude por meio dos meios que o próprio Deus provê (cf. 2Pe 1.3‑4).[36]
Em síntese: o verbo plhro/w em Efésios 5.18 traz quatro ideias centrais: Trata-se de uma ordem divina dirigida a todos os cristãos (imperativo e plural), que deve ser vivida de forma contínua e progressiva (presente), e cuja ação é realizada por Deus no crente (passivo). Assim, o “enchimento do Espírito” não é opcional, nem reservado a um grupo específico, nem um evento isolado, mas uma experiência permanente que deve caracterizar toda a vida da igreja e de cada crente. Se Paulo ordena “enchei-vos do Espírito”, isso significa que cada crente deve buscar diariamente essa plenitude por meio da oração, da leitura da Palavra e da comunhão.
Isso significa que cada crente, em cada momento, é chamado a viver cheio do Espírito. Não é privilégio de alguns, mas dever e bênção de todos nós.
Ao mesmo tempo, essa passividade não elimina a responsabilidade humana; antes, pressupõe uma submissão consciente, voluntária e constante ao Espírito. O crente não se enche a si mesmo, mas deve colocar-se em atitude de dependência e receptividade, sendo progressivamente governado em sua mente, coração e vontade. Portanto, o sentido global do texto pode ser legitimamente expresso como: Sede continuamente, momento após momento, todos vós, governados pelo Espírito.
Frutos do enchimento do Espírito
A sequência do texto de Efésios nos mostra os frutos práticos e concretos desse “enchimento”. Paulo, portanto, nos diz que a solução para qualquer dificuldade em nossa vida, seja em que âmbito for, passa pelo enchimento do Espírito. Aqui temos um princípio universal para todo e qualquer problema particular: Enchei-vos do Espírito![37]
Esse mandamento é contínuo: precisamos buscar diariamente a plenitude do Espírito em todas as áreas da vida.
A vida cristã – por ser moldada pela Palavra −, tem algo a dizer sobre qualquer área de nossa existência. O Cristianismo não é uma religião de brechas, de compartimentos estanques de nossa existência, antes, de todas as facetas da vida.[38] A mensagem do Evangelho é para todos os homens e para o homem todo em sua inteireza e integralidade.
Uma vida autenticamente cristã produz seus reflexos em todas as áreas da nossa existência e da sociedade. Contudo nos limitaremos a falar sobre os cânticos como expressão de uma vida cheia do Espírito. Paulo nos fala, num primeiro momento, da comunhão santa e do louvor sincero (Ef 5.19). (Ver: Cl 3.16).
Comunhão e louvor
“O Espírito Santo nos coloca em um relacionamento correto com Deus e as pessoas”, entende Stott (1921-2011).[39]
A verdadeira comunhão não se divide em partidos — pró ou contra pastor, conselho ou liderança. É antes, gerada pelo Espírito, manifestando-se numa conversa santa que produz a edificação mútua (Cl 3.16/Ef 4.29; Tt 2.8/Sl 141.3/Cl 3.8). A nossa união, portanto, é em torno da Palavra. Acomodação com o erro; concessão com aquilo que mancha a Igreja de Cristo nunca poderá ser visto como a verdadeira comunhão, independentemente do pomposo ou piedoso nome que dermos a tais negociatas.
Quando a comunhão é verdadeira, ela gera paz e edificação. É assim que o mundo reconhece que somos discípulos de Cristo: pelo amor e pela unidade.
“Louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19). O enchimento do Espírito evidencia-se no louvor a Deus com cânticos, os quais expressam a integridade e biblicidade da nossa fé.
Lembremos mais uma vez o contraste feito por Paulo entre a embriaguez dissoluta e a integridade da alegria produzida pelo Espírito, que nos conduz ao conhecimento da vontade de Deus na Palavra. “O conhecimento de Deus não está posto em fria especulação, mas lhe traz, consigo, o culto”, instrui-nos piedosamente Calvino.[40]
É impossível crer e nos relacionar pessoalmente com um Deus desconhecido. Portanto, se o conhecimento de Deus nos conduz ao culto, não podemos adorar e servir a um Deus inacessível:
A menos que haja conhecimento, não é a Deus a quem adoramos, mas um fantasma ou ídolo. Todas as boas intenções, como são chamadas, são golpeadas por esta sentença, como por um raio; disto nós aprendemos que, os homens nada podem fazer senão errar, quando são guiados pela sua própria opinião sem a palavra ou mandamento de Deus.[41]
[…] Se nós desejamos que nossa religião seja aprovada por Deus, ela tem que descansar no conhecimento obtido de Sua Palavra.[42]
A piedade não pode ser dissociada da fé que confessa que Deus é o autor de todo o bem. Assim podemos nele descansar sendo conduzidos pela sua Palavra.[43]
A “Palavra de Cristo” deve nos guiar também em nossa adoração (Cl 3.16). Isto só se torna possível pelo enchimento do Espírito em nós: o enchimento do Espírito não é nada mais do que a Palavra de Cristo no centro de nossa vida, apontando de forma vibrante para a obediência a Cristo.
Por isso, cada vez que cantamos, devemos perguntar: este cântico está me levando a Cristo? Está edificando a fé da igreja? Se sim, então é louvor verdadeiro.
Nosso cântico deve ser mais que agradável; deve ser espiritual, conduzindo-nos a Cristo.
Maringá, 04 de junho de 2026.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
[1] Paul Romane Musculus, La Prière dês Mains: L’Église Réformée et L’Art, Paris: Editions « Je Sers » 1938, p. 191.
[2]Frank E. Gaebelein, The Christian and Music. In: Leland Raken, ed. The Christian Imagination: essays on literature and the arts, 2. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1986, [p. 441-448], p. 443.
a href=”#_ftnref3″ name=”_ftn3″>[3]Cf. Simon Kistemaker, 1 Coríntios, São Paulo: Cultura Cristã, 2004, (1Co 2.10-12), p. 128-133; R.C.H. Lenski, The Interpretation of St. Paul’s First and Second Epistles to the Corinthians, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1998, (Commentary on the New Testament), (1Co 2.11-12), p. 108-109.
[4] “11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. 12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente” (1Co 2.11-12). Vejam-se também: Mt 11.2; 16.17/Rm 11.33-34/Is 55.8.
[5]“Que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?” (At 4.25).
[6] O verbo grego yhlafa/w é utilizado no Novo Testamento para expressar a ideia de “apalpar” ou “tocar de modo investigativo”, isto é, um tipo de contato físico que visa confirmar a realidade de algo por meio da experiência sensorial. Diferentemente de outros verbos de “tocar”, este termo sugere um ato deliberado de exame, como quando alguém utiliza o tato para certificar-se da existência, forma ou natureza de um objeto.
No Novo Testamento, o termo aparece com dois usos principais. Em sentido literal, descreve o ato de apalpar algo tangível, enfatizando a realidade concreta e verificável, como no caso da ressurreição de Cristo (Lc 24.39) e do testemunho apostólico da encarnação (1Jo 1.1). Nesse contexto, o verbo reforça a dimensão histórica e física da revelação cristã, acessível aos sentidos humanos.
Em sentido metafórico, o verbo assume o significado de “tatear” ou “buscar às cegas”, retratando a tentativa humana de encontrar algo sem plena clareza, como em Atos 17.27, onde os homens são descritos como “tateando” em busca de Deus.
Assim, o valor fundamental da palavra no Novo Testamento pode ser resumido como um ato de tocar para confirmar ou um tatear que expressa busca incerta, dependendo do contexto.
[7]Isidro Pereira, Dicionário Grego-Português e Português-Grego, 7. ed. Braga: Livraria Apostolado da Imprensa, (1990), p. 636.
[8]S. Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, 1997, v. 2, (Sl (66) 67.3), p. 336.
[9]S. Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, 1997, v. 1, (Sl 4), p. 40.
[10]Veja-se: Platão, A República, 7. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, (1993), 607a. p. 475.
[11]Vejam-se, por exemplo: wv|dh,: In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. Exegetical Dictionary of New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1994 (Reprinted), v. 3, p. 505-506; M. Rutenfranz, u(/mnoj: In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. Exegetical Dictionary of New Testament, Grand Rapids, v. 3, p. 392-393; H.M. Best; D. Huttar, Música, Instrumentos Musicais: In: Merrill C. Tenney, org. ger. Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 4, p. 415-416; K.H. Bartels, Cântico: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981, v. 1, p. 346-351; G. Delling, u)/mnoj, etc.: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, 8. ed. (reprinted) Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., 1982, v. 8, p. 489-503; H. Schlier, a)/dw, o(/dh/: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, v. 1, p. 163-165; R.P. Martin, Hinos, Fragmentos de Hinos, etc.: In: Gerald F. Hawthorne, et. al. eds. Dicionário de Paulo e Suas Cartas, São Paulo: Vida Nova; Paulus; Loyola, 2008, p. 630.
[12]Calvino admitindo a dificuldade de se estabelecer a distinção (João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1988 [Ef 5.19], p. 165), apresenta a forma usual: salmo é o que é cantado com acompanhamento de algum instrumento musical; o hino é uma canção de louvor sem acompanhamento de instrumento; a ode além de louvor, contém exortações e outras matérias (Cf. John Calvin, Epistle to the Colossians, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries, v. 21), 1996 (Reprinted), [Cl 3.16], p. 217). Veja-se também: John F. MacArthur Jr., Rocha Firme? O que a Bíblia diz sobre a Música de Adoração Contemporânea: In: John F. MacArthur Jr., ed. O Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade e uma Época de Erro, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2006, p. 127-129.
[13]No paganismo a relação entre o excesso de bebida e a prática religiosa era comum, especialmente nos serviços ao generoso (Thomas Bulfinch, O Livro de Ouro da Mitologia: (A idade da fábula): histórias de deuses e heróis, 12. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000, p. 39ss.) e astuto (Cf. Thomas Bulfinch, O Livro de Ouro da Mitologia, p. 196ss.) deus Dionísio (Dio/nusoj) – (= Baco (Ba/kxoj), filho de Zeus (= Júpiter, na sua forma latina) –, na bacanália. A embriaguez também estava associada à nudez, danças eróticas e prostituição (Ver: Ap 17.2). Segundo a mitologia grega, Baco fazia uso do vinho para embriagar pessoas a fim de que estas realizassem os seus desejos, inclusive de conquista. “Não representava apenas o poder embriagador do vinho, mas também suas influências benéficas e sociais, de maneira que era tido como o promotor da civilização, legislador e amante da paz” (Thomas Bulfinch, O Livro de Ouro da Mitologia, p. 14).
Peixoto resume algumas características das festividades em homenagem a Baco: “As festas báquicas foram as primeiras representações teatrais, ainda inconscientes do sentido que continham. Baco, o deus boêmio, precisava de movimento, de alegria, de tumulto, de máscaras, de paixões. Seus adeptos, guiados pelos seus sacerdotes, organizam festas ao ar livre, com baile, vinho, mulheres, a fim de proclamar-se o delírio, atributo do deus da alegria desenfreada. Entre interjeições de alegria, sons de flautas, cantos confusos, a multidão representava a corte de Baco, o seu legendário reino de prazeres e uma forma de vida que era a sua característica” (Paulo Matos Peixoto em Introdução à obra: Teatro Grego, São Paulo: Paumape, 1993, p. 10-11. Mais detalhes sobre as bacanálias podem ser encontrados em Jocelyn Santos, Deuses Antigos, Rio de Janeiro: Livros do Mundo Inteiro, 1970, p. 91-92). “O culto a Dionísio, com sua ênfase sobre a embriaguez religiosa, era conhecido em Corinto e em outros lugares, e é razoável ver dentro destes textos das Epístolas do NT a preocupação no sentido de traçar uma linha divisória entre todos esses cultos helenísticos, e a vida do cristão no Espírito” (J.P. Budd, Sóbrio: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1983, v. 4, p. 518). (Veja-se: também: Augustus N. Lopes, Cheios do Espírito, São Paulo: Os Puritanos; Editora Cultura Cristã, 1998, p. 17). As festas em homenagem a Baco eram tão promíscuas que o Senado romano as proibiu por decreto; no entanto, o costume estava tão arraigado no povo que a lei foi ineficaz. (Cf. P. Commelin, Mitologia Greco-Romana, Salvador, Ba.: Aguiar & Souza, 1957, p. 72; Jocelyn Santos, Deuses Antigos, p. 91). Baco, na mitologia esteve associado à música e ao teatro: “Afirma-se que foi Baco o primeiro a estabelecer uma escola de Música; as primeiras representações teatrais foram feitas em sua homenagem” (P. Commelin, Mitologia Greco-Romana, p. 69). Ele foi sagrado protetor das belas-artes, especialmente do teatro (Ver: Baco: Dicionário de Mitologia Greco-Romana, São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 21). Devido à elaboração musical e ao embelezamento do culto oferecido ao deus Apolo, ele foi escolhido como o patrono dos cantores e poetas. (Cf. Johannes Quasten, Music & Worship in Pagan & Christian Antiquity, p. 3). (Quanto à origem etimológica dos nomes “Dionísio” e “Baco”, ver: Junito de Souza Brandão, Mitologia Grega, 2. ed. Petrópolis, RJ.: Vozes, 1988, v. 2, p. 113).
[14] a)swti/a é constituída de duas palavras: a = “não” & sw/zw = “libertar”, “salvar”, “curar”. O sentido literal da palavra é de alguém que não consegue poupar, economizar; é, portanto, perdulário, dissoluto. (* Ef 5.18; Tt 1.6; 1Pe 4.4. (Vd. LXX: Pv 28.7)). A forma adverbial a)sw/toj (dissolutamente), é empregada em sua única aparição no Novo Testamento, para se referir ao modo de vida do filho pródigo longe de sua casa (Lc 15.13). (Veja-se: Richard C. Trench, Synonyms of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1985 (Esta edição reproduz a 9., de 1880), p. 53-58). Portanto, a palavra está geralmente associada ao modo devasso e libertino de viver. Ela descreve a condição da mente e do corpo que foram arrastados a uma situação vil sendo decorrente daí uma total insensibilidade espiritual. (Veja-se: R.C.H. Lenski, St. Paul´s Epistle To the Ephesians, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, (Commentary on the New Testament), 1998, (Ef 5.18), p. 618). C. S. Lewis faz um oportuno contraste: “Precisamos divertir-nos. Mas nossa alegria deve ser aquela (aliás, a maior de todas) que existe entre pessoas que sempre se levaram a sério – sem leviandade, sem superioridade, sem presunção […] a leviandade parodia a alegria” (C.S. Lewis, Peso de Glória, 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 23). Há pouco mais de 20 anos (julho de 2005) vimos um caso ilustrativo. A torcida de um grande time da cidade de São Paulo, alegre com a conquista do tricampeonato da “Taça Libertadores da América”, externou sua euforia depredando na Avenida Paulista – a mais famosa e das mais caras da capital paulistana –, lojas, carros, bancas de revista, etc. O prejuízo foi de centenas de milhares de reais. Fica a pergunta: E se o seu time tivesse perdido o título, como seria a manifestação de tristeza e frustração?
[15]Calvino comenta: “[Paulo] quer dizer, pois, que os beberrões logo perdem a modéstia e não mais conseguem conter-se pelo pudor: que onde o vinho reina, o desregramento prevalecerá: e, consequentemente, que todos aqueles que cultivam algum respeito pela moderação ou decência, devem fugir e abominar a bebedice” (João Calvino, Efésios, (Ef 5.18), p. 164). Em outro contexto, Calvino escreve: “Beber com excesso não é só indecoroso num pastor, mas geralmente resulta em muitas coisas ainda piores, tais como rixas, atitudes néscias, ausência de castidade e outras que não carecem de menção” (João Calvino, As Pastorais, (1Tm 3.3), p. 88).
[16]Suni/hmi, cujo sentido primário, empregado por Homero, é de “congregar”, metaforicamente, envolve a ideia de reunir as coisas, analisá-las, tentando chegar a uma conclusão por meio de uma conexão das partes. (* Mt 13.13,14,15,19,23,51; 15.10; 16.12; 17.13; Mc 4.12; 6.52; 7.14; 8.17,21; Lc 2.50; 8.10; 18.34; 24.45; At 7. 25 (duas vezes); 28.26,27; Rm 3.11; 15.21; 2Co 10.12; Ef 5.17).
[17]Veja-se: D. M. Lloyd-Jones, Cantando ao Senhor, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2003, p. 47ss.
[18] John F. MacArthur Jr., et. al. Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade em uma Época de Erro, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2006, p. 137.
[19] Por isso considero inadequada a analogia feita por Horton, chamando a direção do Espírito em nossa vida de “graça embriagante” (Michael Horton, As Doutrinas da Maravilhosa Graça, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 137ss.). Parece-me oportuno recordar a orientação de Calvino emitida em outro contexto: “Se, pois, um dia pretendermos adentrar os eternos conselhos de Deus, pela instrumentalidade de um discurso, que o façamos moderando nossa linguagem e mesmo nossa maneira de pensar, de modo que nossa argumentação seja sóbria e respeite os limites da Palavra de Deus, e cuja conclusão seja repassada e saturada daquela expressão de assombro. Indubitavelmente, não devemos nos sentir constrangidos caso nossa sabedoria não exceda a daquele que uma vez foi arrebatado até ao terceiro céu, donde ouviu e contemplou mistérios que aos homens não lhe fora possível relatar (2Co 12.4). Todavia, ele não encontrou nenhuma outra saída, aqui, senão humilhar-se como o fez” (João Calvino, Romanos, 2. ed. São Paulo: Parakletos, 2001, (Rm 11.33), p. 426).
[20]Veja-se: William Hendriksen, Exposição de Efésios, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992, (Ef. 5.18), p. 297.
[21]D. M. Lloyd-Jones, Vida No Espírito: No Casamento, no Lar e no Trabalho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, (Ef 5.18), p. 12. Em outro contexto, Lloyd-Jones escreveu: “O álcool não é um estimulante, é um depressivo – esta é uma declaração farmacológica, um fato científico. O álcool libera o que há de mais primitivo em você, eliminando seus mais elevados centros de controle. Essa é só uma ilustração, porém é a pura verdade com relação ao pecado em todo o setor e departamento” (D. M. Lloyd-Jones, O Caminho de Deus não o nosso, São Paulo, Publicações Evangélicas Selecionadas, 2003, p. 93).
[22]D. M. Lloyd-Jones, Vida No Espírito, p. 16.
[23]William Hendriksen, Exposição de Efésios, (Ef. 5.18), p. 299. “Para fazer os corações dos santos rejubilar-se, o favor divino é o único sobejamente suficiente” (João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 2, (Sl 48.2), p. 355).
[24] Cf. John R.W. Stott, A Mensagem de Efésios, São Paulo: ABU Editora, 1986, p. 152.
[25] “O Espírito é o nosso holofote, que ilumina a mente de Deus para nós. Ele é quem ilumina o espiritualmente ignorante. […] Se desejamos conhecer e compreender a mente divina, necessitamos da assistência do Espírito Santo” (R.C. Sproul, A Alma em Busca de Deus: satisfazendo a fome espiritual pela comunhão com Deus, São Paulo: Eclésia, 1998, p. 69).
[26] D.M. Lloyd-Jones, Vida No Espírito, p. 16.
[27] Erroll Hulse, O Batismo do Espírito Santo, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1995, p. 113.
[28] Erroll Hulse, O Batismo do Espírito Santo, p. 114.
[29]“Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” (Ef 1.13). “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef 4.30). “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1Co 12.13).
[30] “A essência do cristianismo é que o Espírito Santo nos é dado, está em nós, quer tenhamos consciência dele quer não” (D. Martyn Lloyd-Jones, O Combate Cristão, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, p. 123).
[31]“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1.4). “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade” (2Ts 2.13).
[32] Vejam-se: Kenneth S. Wuest, Joias do Novo Testamento Grego, São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1979, p. 29-32; A.A. Hoekema, Salvos pela Graça, São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 58-59; John R.W. Stott, Batismo e Plenitude do Espírito Santo, 2. ed. ampl. São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 44-45; Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 650.
[33] “O Espírito Santo preenche a vida controlada por Sua Palavra. Isso dá ênfase ao fato de que o preenchimento do Espírito não é algo estático ou uma experiência emocional, mas um firme controle de vida por meio da obediência à verdade da Palavra de Deus” (John F. MacArthur, Colossenses e Filemon, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 56).
[34] A.A. Hoekema, Salvos pela Graça, São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 58.
[35] Veja-se: A.A. Hoekema, Salvos pela Graça, p. 58.
[36]“3 Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, 4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo” (2Pe 1.3-4).
[37]D.M. Lloyd-Jones, Vida no Espírito: no casamento, no lar e no trabalho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, p. 22.
[38] “A Bíblia trata da realidade e tem algo a dizer-nos acerca da vida e dos relacionamentos hoje. Como tal, ela é nosso padrão, a base de nossas decisões intelectuais e práticas. É crucial que permaneçamos dispostos a submeter nossas palavras e atos à sua correção”. (H.R. Rookmaaker, O Dom Criativo, Brasília, DF.: Monergismo, 2018, p. 110).
[39]John R.W. Stott, Batismo e Plenitude do Espírito Santo, p. 44.
[40]João Calvino, As Institutas, I.12.1.
[41]John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1981, v. 17, (Jo 4.22), p. 159.
[42] John Calvin, Calvin’s Commentaries, v. 17, (Jo 4.22), p. 160-161.
[43]Cf. John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 2/1, (Dt 6.16), p. 422.
