O lugar do Saltério na piedade cristã reformada: centralidade e uso de outros cânticos na adoração (6)
Os Salmos no culto e na vida cristã[1] Lutero via no Saltério uma “pequena Bíblia”,[2] capaz de condensar em cânticos toda a riqueza da fé cristã. Para ele, os Salmos eram como “um espelho fino, claro e puro” que revelava não apenas a cristandade, mas também o próprio coração humano diante de Deus.[3] Calvino, atento…
Os Salmos no culto e na vida cristã[1]
Lutero via no Saltério uma “pequena Bíblia”,[2] capaz de condensar em cânticos toda a riqueza da fé cristã. Para ele, os Salmos eram como “um espelho fino, claro e puro” que revelava não apenas a cristandade, mas também o próprio coração humano diante de Deus.[3]
Calvino, atento à complexidade e à riqueza da experiência cristã, afirmava que “os Salmos constituem uma expressão muito apropriada da fé reformada”[4] e que “tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado neste livro [Salmos]”.[5]
Assim, tanto Lutero quanto Calvino enxergaram no Saltério não apenas um livro de cânticos, mas um guia espiritual seguro, capaz de edificar a Igreja e preservar a pureza da adoração.
Segundo Calvino:
Não existe outro livro onde mais se expressem e magnifiquem as celebrações divinas, seja da liberalidade de Deus sem paralelo em favor de sua Igreja, seja de todas as suas obras. […] Não há outro livro em que somos mais perfeitamente instruídos na correta maneira de louvar a Deus, ou em que somos mais poderosamente estimulados à realização desse sacro exercício.[6]
De modo análogo, Calvino via os Salmos como “uma anatomia de todas as partes da alma”.[7] Isso explica, ao menos em parte, o tom pastoral de seu Comentário de Salmos, onde, mesmo mantendo seu estilo característico, expõe-se de forma mais pessoal. Em nenhum outro comentário temos acesso tão direto ao coração de Calvino quanto nesse.
À medida que elaborava seus comentários bíblicos, Calvino também expandia as Institutas da Religião Cristã, refletindo seu aprofundamento teológico e as novas questões de sua época. Não raramente, seus comentários remetem o leitor às Institutas.[8]
A última edição das Institutas foi publicada em 1559, enquanto os comentários sobre os Salmos datam de 1557. É natural supor que Calvino trabalhou em ambas as obras de forma concomitante, ainda que com propósitos e estilos distintos. Nesse sentido, os comentários de Salmos podem ser vistos como uma variação pastoral das Institutas,[9] sem se limitar a elas.[10]
No prefácio de seu comentário ao Saltério, Calvino declara: “Se a leitura destes meus comentários confere algum benefício à Igreja de Deus como eu obtive vantagem da composição deles, eu não terei nenhuma razão para lamentar por ter empreendido este trabalho”.[11]
A Presença do pensamento de Agostinho
No que diz respeito à música na Igreja, Calvino inspirou-se amplamente no pensamento de Agostinho (354-430), que descreveu com eloquência suas tensões quanto ao uso do canto na liturgia. Para preservar a precisão histórica e teológica, serão apresentadas, no momento oportuno, citações mais extensas tanto de Agostinho quanto de Calvino, ainda que isso torne o texto mais denso.
Quando ouço cantar essas vossas santas palavras com mais piedade e ardor, sinto que o meu espírito também vibra com devoção mais religiosa e ardente do que se fossem cantadas doutro modo. Sinto que todos os afetos da minha alma encontram, na voz e no canto, segundo a diversidade de cada um, as suas próprias modulações, vibrando em razão dum parentesco oculto, para mim desconhecido, que entre eles existe. Mas o deleite da minha carne, ao qual se não deve dar licença de enervar a alma, engana-me muitas vezes. Os sentidos, não querendo colocar-me humildemente atrás da razão, negam-se a acompanhá-la. Só porque, graças à razão, mereceram ser admitidos, já se esforçam por precedê-la e arrastá-la! Deste modo peco sem consentimento, mas advirto depois.
Outras vezes, preocupando-me imoderadamente com este embuste, peco por demasiada severidade. Uso às vezes de tanto rigor que desejaria desterrar meus ouvidos e da própria igreja todas as melodias dos suaves cânticos que ordinariamente costuma acompanhar o saltério de Davi. Nessas ocasiões parece-me que o mais seguro é seguir o costume de Atanásio, bispo de Alexandria. Recordo-me de muitas vezes me terem dito que aquele prelado obrigava o leitor a recitar os salmos com tão diminuta inflexão de voz que mais parecia um leitor que um cantor.
Porém, quando me lembro das lágrimas derramadas ao ouvir os cânticos da vossa Igreja nos primórdios da minha conversão à fé, e ao sentir-me agora atraído, não pela música, mas pelas letras dessas melodias, cantadas em voz límpida e modulação apropriada, reconheço, de novo, a grande utilidade deste costume.[12]
A seguir, Agostinho, não isoladamente, relata o seu impasse quanto ao assunto:
Assim flutuo entre o perigo do prazer e os salutares efeitos que a experiência nos mostra. Portanto, sem proferir uma sentença irrevogável, inclino-me a aprovar o costume de cantar na Igreja, para que, pelos deleites do ouvido, o espírito, demasiado fraco, se eleve até aos afetos da piedade. Quando, às vezes, a música me sensibiliza mais do que as letras que se cantam, confesso com dor que pequei. Neste caso, por castigo, preferiria não ouvir cantar. Eis em que estado me encontro.[13]
Aqui vemos a tensão de Agostinho entre o risco do prazer estético e o valor espiritual do canto, uma tensão que influenciou diretamente a moderação proposta por Calvino.
Assim, Calvino escreveu:
Contudo, não condenamos aqui a voz ou o canto, mas muito os recomendamos, contanto que acompanhem o afeto da alma. Assim exercitam a mente na cogitação de Deus e a retêm atenta, a qual, como é escorregadia e versátil, facilmente se afrouxa e se distrai em direções variadas, a menos que seja sustentada por variados auxílios. Além disso, como cada parte de nosso corpo, uma a uma, de certo modo deve brilhar a glória de Deus, convém que especialmente a língua, que foi criada peculiarmente para declarar e proclamar o louvor de Deus, seja firmada e devotada a este ministério, quer cantando, quer falando.[14]
Certamente que, se por um lado o cântico se acomoda à gravidade que convém à vista de Deus e dos anjos, se por outro reúne dignidade e graça aos atos sagrados, é de muito valor para estimular os ânimos ao verdadeiro zelo e ardor no ato de orar. Contudo, é necessário diligentemente guardar que os ouvidos não estejam mais atentos à melodia que a mente ao sentido espiritual das palavras. […] Portanto, aplicada esta moderação, não há dúvida nenhuma de que é uma prática muito santa e muito sadia; da mesma forma que, por outro lado, todos e quaisquer cantos que foram compostos apenas para o encanto e o deleite dos ouvidos, nem são compatíveis com a majestade da Igreja, nem se pode entoá-los sem desagradar sobremaneira a Deus.[15]
Em outra passagem:
E, na verdade, conhecemos por experiência que o canto possui grande força e poder de comover e inflamar o coração dos homens para invocar e louvar a Deus com zelo mais veemente e ardoroso. Há sempre a considerar-se que o canto não seja frívolo e leviano; pelo contrário, tenha peso e majestade, como diz Santo Agostinho. E, assim, haja grande diferença entre música feita para alegrar os homens à mesa ou em casa e os salmos que se cantam na Igreja, na presença de Deus e de Seus anjos… se bem que o uso do cântico vai bem mais longe. Mesmo nas casas e nos campos é-nos ele um incitamento e dir-se-á um órgão para louvar a Deus e elevar-Lhe o coração para que nos console enquanto meditamos em Seu poder, bondade, sabedoria e justiça. Mais necessário é isso do que se poderia dizer. Acima de tudo, não é sem causa que o Santo Espírito exorta-nos tão cuidadosamente pelas Sagradas Escrituras a regozijar-nos em Deus e que toda nossa alegria a isso se reporte, como a seu verdadeiro fim. Sabe Ele quanto somos inclinados a regozijar-nos em frivolidades. Tanto quanto, pois, nos inclina e induz nossa própria natureza a procurar todos os meios de alegria leviana e viciosa, apresenta-nos o Senhor nosso, para detrair-nos e demover-nos das seduções da carne e do mundo, todos os meios possíveis, a fim de ocupar-nos nessa alegria espiritual que Ele tanto no recomenda. Ora, entre outras coisas própria para recrear o homem e proporcionar-lhe prazer, a música é ela dom de Deus delegado a este uso. Eis porque tanto mais devemos tomar tanto a dela não abusarmos, temendo conspurcá-la e contaminá-la, convertendo-a à condenação nossa onde foi dedicada a nosso proveito e benefício. Outra consideração não houvesse senão esta, deve-nos ela bem mover a moderar o uso da música, de sorte a fazê-la servir a tudo que é decente e não nos seja ocasião de soltar-nos a rédea à dissolução, ou de efeminar-nos em deleites desregrados, e que seja instrumento de devassidão nem de qualquer impudicícia.[16]
Continua:
Eis porque devemos ser tanto mais diligentes em regulá-la, de tal sorte que nos seja ela útil e de maneira alguma perniciosa. Por esta razão, queixaram-se frequentemente os antigos doutores da Igreja de que o povo de seu tempo era dado a canções indecorosas e impudicas, que não sem causa consideram e chamam veneno mortal e satânico para corromper o mundo. Ora, falando particularmente da música, admito-lhe duas partes: a letra, ou conteúdo e matéria; em segundo lugar, o canto, ou melodia. Verdade é que toda conversa má (como diz São Paulo) perverte os bons costumes; quando, porém, se lhe associa a melodia, muito mais profundamente penetra ela o coração e de tal modo se instila dentro de nós que, assim como por um funil é o vinho entornado na vasilha, assim também, por meio da melodia, são lançados ao fundo do coração o veneno e a corrupção. Quê se há, pois, de fazer? É de ter canções não apenas decorosas, mas também santas, que nos sejam como aguilhões a instigar-nos a orar e louvar a Deus, a meditar em Suas obras, a fim de amá-lo, temê-lo, honrá-lo e glorificá-lo… Eis porque exorta Crisóstomo tanto a homens como a mulheres e crianças a acostumarem-se a cantá-las, para que lhes seja isso como pia meditação e associá-los à companhia dos Anjos. Quanto ao mais, importa lembrar-nos do que São Paulo diz: que as canções espirituais se não podem cantar bem senão de coração. O coração, porém, requer o entendimento. E nisto (diz Santo Agostinho) está a diferença entre o canto dos homens e o cantar das aves, um pintarroxo, um rouxinol, um papagaio, cantarão bem, mas sem entenderem o que cantam. Ora, o próprio dom do homem é cantar, sabendo o que está a dizer; ao entendimento deve seguir-se o coração e a afeição, o que se não pode dar a menos que tenhamos o cântico impresso em nossa memória para jamais cessar de cantar.[17]
Comentando o livro de Gênesis, Calvino afirma:
Embora a invenção da harpa e de similares instrumentos de música, possa servir antes ao deleite e ao prazer que à necessidade, ainda assim não se pode tê-los por de todo supérfluos e ainda menos merece ser condenados.[18] É verdade que se impõe condenar a voluptuosidade que não se afina com o temor de Deus e o benefício comum da comunidade humana. A música entretanto, é de tal natureza que pode ser aplicada aos exercícios de piedade e pode beneficiar aos homens, escoimada dos viciosos engodos e, também, da vã deleitação que detrai os homens de melhores exercícios para ocupá-los com a vaidade.[19]
O Saltério de Genebra: sua formulação e difusão
A primeira edição do que viria a ser conhecido como Saltério Genebrino (1539) continha apenas 18 salmos. Calvino traduziu alguns deles (Sl 25, 36, 46, 91, 113 e 138).[20]
Para os demais, contou com o talento do poeta francês Clément Marot (c. 1496-1544), que conhecera na corte da Duquesa de Ferrara em 1536[21] e que estava refugiado em Genebra.[22] Também colaboraram Teodoro de Beza (1519–1605) e, posteriormente, o compositor francês Loys Bourgeois (c. 1510-c. 1560), [23] considerado o “pai do moderno hino de louvor”.[24]
Bourgeois adaptou canções populares de fácil assimilação,[25] antigos hinos latinos e compôs novas melodias para a métrica dos salmos de Marot.[26] Claude Goudimel (1510–1572), que aderiu à Reforma em 1562, também contribuiu, vindo a morrer em Lyon no massacre da noite de São Bartolomeu.
As belas melodias de Goudimel enriqueceram o Saltério e contribuíram significativamente para sua divulgação. Courthial (1914-2009) observa que “Goudimel, particularmente, tinha em mente, em suas composições, uma família cantando no lar”.[27]
O Saltério iniciado por Calvino em 1539, com 18 salmos, foi ampliado em sucessivas edições: uma edição em Genebra com 50 salmos (1543) e outra em Estrasburgo (1545). As edições continuaram a crescer até a versão definitiva, concluída por Beza em 1562, além de dois cânticos bíblicos que permaneceram em uso: o Cântico de Simeão e o Decálogo.[28]
O Saltério não foi apenas resultado de revisões sucessivas, mas da colaboração entre teólogos, poetas e músicos que, ao longo de mais de duas décadas, deram forma a uma obra que se tornaria símbolo da espiritualidade reformada. Mais do que um hinário, ele expressava a união entre palavra e música, doutrina e devoção, tornando-se um guia de fé e prática para gerações de cristãos.
O Saltério tornou-se “um dos livros mais importantes da Reforma”[29] e um protótipo dos hinários reformados.[30] Possuía um verdadeiro “dom de línguas”, sendo traduzido para alemão, holandês, italiano, espanhol, boêmio, polonês, latim, hebraico, malaio, tâmil, inglês, entre outros, e utilizado por católicos,[31] luteranos e diversas denominações.[32] As obras de Calvino, em geral, alcançaram grande sucesso editorial.[33]
Entre 1551 e 1564, de cerca de 500 títulos impressos em Genebra, 160 foram escritos por Calvino. A obra mais publicada foi o Saltério, que teve 19 edições em Genebra, sete em Paris e três em Lyon. Em 1562, apenas em Genebra, foram impressos aproximadamente 27.400 exemplares.[34] Nas tipografias de Paris, surgiram ainda 24 edições adicionais.[35]
No século XIX, o impacto dos Salmos já era impressionante: contabilizavam-se cerca de mil e quatrocentas edições em dezenas de línguas, espalhando-se por diferentes tradições e culturas. O entusiasmo editorial foi tão intenso que, apenas nos Países Baixos, surgiram trinta edições em menos de dois séculos.[36]
Posteriormente, os Salmos traduzidos por Clément Marot foram anexados, em forma de apêndice, ao Catecismo de Genebra, tornando-se uma marca característica da expressão de fé no culto reformado.[37]
Além disso, muitos sermões de Calvino foram impressos e levados por missionários à França, juntamente com outras obras. Em diversas ocasiões, esses sermões eram lidos nos púlpitos de igrejas carentes de pastores, servindo como alimento espiritual e doutrinário para comunidades reformadas em formação.[38]
Testemunho de um jovem estudante da Antuérpia em Estrasburgo
Um jovem estudante de Antuérpia, que foi para Estrasburgo, passou a frequentar a igreja anteriormente pastoreada por Calvino (1545). Sob o pseudônimo de Marin du Mont, deixou o seguinte testemunho:
Geralmente… canta-se algum salmo de Davi ou outra oração retirada do Novo Testamento. Esse salmo ou oração é cantado por todos juntos, tanto homens como mulheres, com uma bela harmonia, o que é muito agradável de se ver. Pois é necessário entender que cada um possui um livro de música em mãos; eis por que não podem se dispersar. […] Nas primeiras cinco ou seis vezes, ao ver esse pequeno grupo reunido, formado por pessoas que haviam sido expulsas de sua terra por terem defendido a honra de Deus e do seu evangelho, comecei a chorar, não movido pela tristeza, mas pela alegria de ouvi-los cantar com tanto ânimo, gratos a Deus por tê-los trazido a um lugar em que seu nome é honrado e glorificado. Ninguém pode imaginar a alegria de cantar na própria língua os louvores e as maravilhas do Senhor, como fazemos aqui. Aos domingos, em lugar da missa, cantamos dois salmos ou orações e, em seguida, ouvimos o sermão.[39] […] O pastor coloca-se diante das pessoas e ora por todos na língua materna dos ouvintes, com voz alta e clara para que todos possam ouvir. Após as orações, ele sobe ao púlpito e prega, das 7h30 até às 9h00, e são sermões maravilhosos de se ouvir.[40]
Os Salmos exerceram um papel decisivo na formação espiritual dos Reformados, tornando-se uma das mais expressivas manifestações de sua fé. O cântico dos Salmos permeava a vida cotidiana dos calvinistas: acompanhava-os em seus trabalhos, sustentava-os nas longas caminhadas rumo às igrejas distantes para o culto e se fazia presente em sua convivência social.
O cântico não se restringia ao espaço das igrejas: alegrava as reuniões comunitárias, ecoava nas ruas e acompanhava o trabalho dos artesãos. Entre eles, destacavam-se os tecelões e fabricantes de lã da Flandres, muitos dos quais deixaram o tear para ingressar no ministério, tornando-se reconhecidos como intérpretes notáveis dessa prática. Assim, a Palavra cantada moldava não apenas a devoção, mas também o ritmo da existência reformada.[41]
O Saltério, portanto, não foi apenas um hinário, mas um verdadeiro manual de fé e devoção, moldando a identidade reformada por séculos. Essa influência não se limitou ao espaço e ao tempo da Reforma: ao longo das gerações, o Saltério ultrapassou fronteiras e séculos, tornando-se não apenas parte da liturgia, mas também um instrumento de resistência espiritual para comunidades perseguidas.
Schaff (1819-1893) sintetiza esse legado ao afirmar que a introdução dos Salmos na língua vernácula inaugurou,
Um dos mais importantes feitos, e o começo de um longo e heroico capítulo na história do culto e da vida cristã. O Saltério ocupa um lugar tão importante na Igreja Reformada como os hinos entre os Luteranos.[42] Ele foi a fonte de conforto e força para a Igreja dos Huguenotes do Deserto, e para os Covenanters[43] presbiterianos da Escócia, nos dias de amargo sofrimento e perseguição.[44]
Maringá, 20 de Julho de 2026.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
[1] Para um sumário dos conceitos do livro de salmos e o seu uso litúrgico na história da Igreja, veja-se: Bruce K. Waltke; James M. Houston; Erika Moore, Os Salmos como adoração cristã: um comentário histórico, São Paulo: Shedd Publicações, 2015, p. 45-89. É ilustrativo consultar também as páginas 509-522. Do mesmo modo, de forma abreviada, a partir do Salmo 110, veja-se: Bruce K; Waltke; James M. Houston, Os Salmos como Louvor Cristão, São Paulo: Shedd Publicações, 2020, p. 201-205.
[2] M. Lutero, Prefácio ao Livro dos Salmos: In: Martinho Lutero: obras selecionadas, São Leopoldo, RS.; Porto Alegre: Sinodal; Concórdia, 2003, v. 8, p. 34.
[3] “Dentro deles também tu irás encontrar a ti mesmo e o verdadeiro conhece-te a ti mesmo, além do próprio Deus e todas as criaturas”. (M. Lutero, Prefácio ao Livro dos Salmos: In: Martinho Lutero: obras selecionadas, São Leopoldo, RS.; Porto Alegre: Sinodal; Concórdia, 2003, v. 8, p. 36. O Salmo favorito de Lutero era o 118. Temos em português a tradução de seu comentário (1530) com uma enriquecedora introdução histórica (Veja-se: Martinho Lutero: obras selecionadas, São Leopoldo, RS.; Porto Alegre: Sinodal; Concórdia, 1995, v. 5, p. 19-84). Considerava também o Salmo 110 “extremamente encantador” (M. Lutero, Conversas à Mesa, Brasília, DF.: Monergismo, 2017, 28, p. 26).
[4] John H. Leith, A Tradição Reformada: Uma maneira de ser a comunidade cristã, p. 336. Na leitura dos comentários de Salmos de Calvino é evidente a sua relação contextual e aplicação para o povo de Deus de todas as épocas (Veja-se: Wulfert de Greef, Calvin as Commentator on the Psalms. In: Donald K. McKim, ed. Calvin and the Bible, Cambridge: Cambridge University Press, 2006, p. 85-106).
[5] João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, p. 34.
[6] João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, p. 35-36.
[7] “…. pois não há sequer uma emoção da qual alguém porventura tenha participado que não esteja aí representada como num espelho. […] É através de uma atenta leitura dessas composições inspiradas que os homens serão mais eficazmente despertados para a consciência de suas enfermidades, e, ao mesmo tempo, instruídos a buscar o antídoto para sua cura. Numa palavra, tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado neste livro” (João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, p. 33,34).
[8] Vejam-se, por exemplo: At 6.3; Rm 3.21,28; 1Co 1.1; 3.9,14; 5.5; 9.5-6; 2Co 4.17; 5.10; Ef 3.18-20; 1Tm 2.6; 3.8; 1Pe 1.20.
[9]Veja-se: Herman J. Selderhuis, Calvin’s Theology of the Psalms, Grand Rapids, MI.: Baker Academic, 2007, p. 283-285.
[10] Veja-se: Richard A. Muller, The Unaccommodated Calvin, New York: Oxford University Press, 2000, p. 103-108.
[11]John Calvin, Commentary on the Book of Psalms, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (Calvin’s Commentaries, v. 4), 1996 (Reprinted), Preface, p. XXXV. (Tradução brasileira, João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, p. 31).
[12] Agostinho, Confissões, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 6), 1973, X.33. p. 219-220. Compare-se com a descrição dos festivais pagãos obscenos em que participou na juventude. (Santo Agostinho, A Cidade de Deus, 2. ed. Petrópolis, RJ.: Vozes, 1990, [v. 1], II.4, p. 71-72). Essa luta era comum. Os Pais tendiam a combater as músicas seculares por serem de origem pagã, cheias de frivolidades e com uma conotação idólatra, Veja-se: Johannes Quasten, Music & Worship in Pagan & Christian Antiquity, p. 121ss. Beeke informa “que o Sínodo de Laodicéia (350 AD) e o Concílio de Bracatara (563 AD) proibiram o canto de hinos não escriturísticos”. (Joel Beeke, Psalm Singing in Calvin and the Puritans. In: The Outlook, Middleville, Mi.: Reformed Fellowship, Inc., 2010, v. 60, July-august (Disponível em: https://www.christianstudylibrary.org/article/psalm-singing-calvin-and-puritans). Consultado em 08.07.2026).
[13] Agostinho, Confissões, X.33. p. 220. “A ele [Deus], portanto, cante o salmo; a ele cante nosso coração, a ele cante dignamente a nossa língua; se, contudo, ele se dignar dar-nos a possibilidade de cantá-lo. Ninguém pode cantar-lhe dignamente, se dele mesmo não receber os cânticos. Finalmente, o cântico que acabamos de cantar, foi composto por seu profeta, sob a inspiração do Espírito (Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, [Patrística, 9/1], 1997, v. 1, [Sl 34], p. 457). Sobre os instrumentos, veja-se: Agostinho, A Doutrina Cristã: manual de exegese e formação cristã, São Paulo: Paulus, 2002, (Patrística; 17), II.17-18. p. 114-115.
[14]João Calvino, As Institutas, [2022], III.20.31. Vejam-se também: João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 3, (III.9), p. 113-114.
[15] J. Calvino, As Institutas, [2022], III.20.32.
[16] Carta ao leitor de sua obra, A forma das orações e canções eclesiásticas, com o modo de administrar os sacramentos e de consagrar o casamento segundo o costume da Igreja. (1543). In: Herman J. Selderhuis, ed., Calvini Opera Database 1.0. Netherlands: Instituut voor Reformatieonderzoek, 2005, v. 6, col. 169.
[17] In: Herman J. Selderhuis, ed., Calvini Opera Database 1.0. Netherlands: Instituut voor Reformatieonderzoek, 2005, v. 6, col. 170-171.
[18] Em outro ponto: “A invenção das artes e outras coisas que servem ao uso comum e ao conforto desta vida é um dom de Deus que não é de desprezar e uma virtude digna de louvor” (John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 1, [Gn 4.20], p. 217).
[19]John Calvin, Calvin’s Commentaries, v. 1, (Gn 4.20), p. 218.
[20] Compare as informações: John T. McNeill, The History and Character of Calvinism, New York: Oxford University Press, 1954, p. 148; Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 374; Charles Garside, Jr., The Origins of Calvin’s Theology of Music: 1536-1543, Philadelphia: The American Philosophical Society, 1979, p. 15 (nota 79). Não nos esqueçamos de que Calvino, como o seu amigo Viret, não tinha pendor poético, no entanto. não devemos exagerar isso considerando o grau de exigência que Calvino tinha para consigo e, ao mesmo tempo, a sensibilidade poética do Reformador revelada em vários de seus textos. Sobre Viret (1511-1571), Calvino conta o seu testemunho: “Viret declara que as musas são tão desfavoráveis para ele que lhe é impossível tentar alguma coisa no verso” (Ver: John Calvin, To Conrad Hubert, “Letters,” John Calvin Collection, [CD-ROM], (Albany, OR: Ages Software, 1998), 19/05/1557, nº 462. Do mesmo modo: H. Beveridge; J. Bonnet, Selected Works of John Calvin: Tracts and Letters, Grand Rapids, Mi: Baker Book House, 1983 (reprinted), v. 6, p. 330-331). Quanto à sensibilidade estética de Calvino, veja-se: John T. McNeill, The History and Character of Calvinism, p. 148, 231-232. Calvino era, na realidade, um teólogo da música. O Reformador admitia não ter o talento poético necessário para traduzir os Salmos em francês com a qualidade lírica exigida para o canto congregacional. Ao comparar seus versos com os de Clément Marot, reconheceu que as versões do poeta eram superiores tanto poeticamente quanto musicalmente. Por isso, apenas sua versão do Salmo 25 permaneceu na hinologia reformada, até ser substituída por uma nova métrica elaborada por Teodoro de Beza em 1551, após a morte de Marot em 1544.
[21] Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 374; André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, p. 133. Marot musicou 81 salmos (Cf. Jouberto Heringer da Silva, A Música na Liturgia de Calvino em Genebra: In: Fides Reformata, São Paulo: Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, VII.2 (2002), p. 97). Ver: T.H.L. Parker, The Oracles of God: An Introduction to the Preaching of John Calvin, Cambridge, England: James Clark & Co. © 1947 (Reprinted: 2002), p. 36-37.
[22] Cf. Carl Lindberg, As Reformas na Europa, São Leopoldo, RS.: Sinodal, 2001, p. 338.
[23] Ver: Abraham Kuyper, Calvinismo, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002, 176-177.
[24] Conforme expressão citada por Silva (Jouberto Heringer da Silva, A Música na Liturgia de Calvino em Genebra: In: Fides Reformata, VII.2 (2002), p. 98).
[25] Isso foi feito com o objetivo de que “agora o povo não cantaria mais no bar ou na rua, mas no santuário, e assim, em suas melodias levaram a seriedade do coração a triunfar sobre o calor das paixões inferiores” (Abraham Kuyper, Calvinismo, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002, p. 176).
[26] Cf. Frank Dobbins, Loys Bourgeois: In: Stanley Sadie, ed. The New Grove Dictionary of Music and Musicians, New York: Macmillan Publishers, 1980, v. 3, p. 111; Abraham Kuyper, Calvinismo, p. 175-176. A tradução de Marot tornou-se extremamente popular na corte e na cidade, advogando “materialmente” a causa da Reforma na França (Cf. F.J.B. Watson, Clément Marot: In: Harry S. Ashmore, Editor in Chief, Encyclopaedia Britannica, [1962], v. 14, p. 936. Vejam-se exemplos dessa tese: Lucien Febvre; Henry-Jean Martin, O Aparecimento do Livro, São Paulo: Hucitec., 1992, p. 446), ainda que ele não fosse propriamente Reformado, tendo um comportamento ambíguo (Cf. Edward Dickinson, Music in The History of The Western Church, London: Smith, Elder & Co., 1902, p. 359-360). As obras de Marot foram proibidas em Portugal, não por questões religiosas, antes, por serem consideradas obscenas (Cf. Rubens Borba de Moraes, Livros e Bibliotecas no Brasil Colonial, Rio de Janeiro; São Paulo: Livros Técnicos e Científicos; Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, 1979, p. 56). “Marot parece ter levado uma vida licenciosa em seus primeiros anos, e há pouca probabilidade de que fosse cristão, mesmo quando abraçou as doutrinas de Genebra. Foi um dos espíritos livres que se opuseram ao papado por causa de sua tirania, simpatizando com a causa dos Reformadores mais por sua oposição à hierarquia do que por convicções pessoais de pecado. Sua renúncia à causa reformada revela sua disposição vacilante. Mas Deus o havia escolhido como um importante instrumento para promover a verdadeira religião. No papel de poeta, para o qual Deus o havia chamado, estava bem preparado. Clément Marot foi um dos melhores poetas da França. Suas baladas, fábulas, pastorais, elegias e epigramas eram extremamente populares. Seus versos estão repletos de belezas naturais. La Fontaine reconheceu-se seu discípulo e contribuiu grandemente para restaurar o prestígio das obras desse antigo poeta.” (Joseph W. Clokey, David’s Harp Song and Story, Pittsburgh: United Presbyterian Board of Publications, 1896, p. 111-112).
[27] Pierre Courthial, A Idade de Ouro do Calvinismo na França: (1533-1633): In: W.S. Reid, ed. Calvino e sua Influência no Mundo Ocidental, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, [p. 85-109], p. 107.
[28] O Cântico de Simeão (Nunc Dimittis) e o Decálogo (Dez Mandamentos) foram incorporados ao Saltério de Genebra em momentos distintos. O Decálogo já figurava na edição experimental de 1539, concebida por Calvino em Estrasburgo, sendo posteriormente consolidado na versão rimada de Clément Marot , mantida nas edições de 1542 e 1543. O Nunc Dimittis, por sua vez, foi incluído na edição de 1543, traduzido em métrica rimada por Marot antes de sua morte em 1544, com melodias atribuídas a Guillaume Franc (c. 1505-c. 1570). Ambos permaneceram presentes em todas as edições subsequentes, inclusive na versão final de 1562. Vejam-se: Edward Dickinson, Music in The History of The Western Church, p. 360; Philip Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 8, p. 374. Charles W. Baird, A Liturgia Reformada: Ensaio histórico, Santa Bárbara D’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 26; Joel Beeke, Psalm Singing in Calvin and the Puritans. In: The Outlook, Middleville, Mi.: Reformed Fellowship, Inc., 2010, v. 60, July-august (Disponível em: https://www.christianstudylibrary.org/article/psalm-singing-calvin-and-puritans). Consultado em 19.07.2026).
[29]John H. Leith, A Tradição Reformada: Uma maneira de ser a comunidade cristã, São Paulo: Pendão Real, 1997, p. 299. Também, p. 40.
[30]Cf. Hughes Oliphant Old, Worship: That Is Reformed According to Scripture, p. 51ss.
[31]Cf. Joseph W. Clokey, David’s Harp Song and Story, Pittsburgh: United Presbyterian Board of Publications, 1896, p. 112.
[32]Cf. John H. Leith, A Tradição Reformada: Uma maneira de ser a comunidade cristã, p. 299. Febvre e Martin, enumeram alguns homens e mulheres que antipatizavam com a Reforma, porém, apreciavam o Saltério que se tornou também popular entre católicos da nobreza e do povo em geral. (Cf. Lucien Febvre; Henry-Jean Martin, O Aparecimento do Livro, São Paulo: Hucitec., 1992, p. 445-446). Vejam também: Carl Lindberg, As Reformas na Europa, São Leopoldo, RS.: Sinodal, 2001, p. 339ss.; Joseph W. Clokey, David’s Harp Song and Story, Pittsburgh: United Presbyterian Board of Publications, 1896, p. 114-123.
[33]Cf. John H. Leith, A Tradição Reformada: Uma maneira de ser a comunidade cristã, p. 299. Febvre e Martin, enumeram alguns homens e mulheres que antipatizavam com a Reforma, porém, apreciavam o Saltério (Veja-se: Lucien Febvre; Henry-Jean Martin, O Aparecimento do Livro, São Paulo: Hucitec., 1992, p. 445-446). Vejam também: Carl Lindberg, As Reformas na Europa, São Leopoldo, RS.: Sinodal, 2001, p. 339ss.
[34]Cf. Herman J. Selderhuis; Albert Gootjes, John Calvin: a pilgrim’s life, Westmont, IL: IVP Academic, 2009, p. 240–241; David H. Hall, A Herança de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2019, p. 29; Lucien Febvre; Henry-Jean Martin, O Aparecimento do Livro, São Paulo: Hucitec., 1992, p. 446; E. William Monter, Calvin’s Geneve, New York: John Wiley & Sons Inc., 1967, p. 181; Carl Lindberg, As Reformas na Europa, São Leopoldo, RS.: Sinodal, 2001, p. 338. Foram publicadas 25 edições já no primeiro ano de sua edição. Nos quatro anos seguintes foram publicadas 62 edições. (Vejam-se mais detalhes In: John H. Leith, A Tradição Reformada: Uma maneira de ser a comunidade cristã, p. 336) e Joel Beeke, Psalm Singing in Calvin and the Puritans. In: The Outlook, Middleville, Mi.: Reformed Fellowship, Inc., 2010, v. 60, July-august (Disponível em: https://www.christianstudylibrary.org/article/psalm-singing-calvin-and-puritans). Consultado em 19.07.2026).
[35]Cf. Emily R. Brink, The Genevan Psalter: In: Emily B. Brink; Bert Polman, eds. Psalter Hymnal Handbook, Grand Rapids, Michigan: CRC Publications, 1998, p. 32.
[36] Cf. Joel Beeke, Psalm Singing in Calvin and the Puritans. In: The Outlook, Middleville, Mi.: Reformed Fellowship, Inc., 2010, v. 60, July-august (Disponível em: https://www.christianstudylibrary.org/article/psalm-singing-calvin-and-puritans). Consultado em 19.07.2026).
[37]Cf. Thomas Warton, The History of English Poetry, New York: G.P. Putnam & Sons, 1870, p. 731.
[38] Cf. T.H.L. Parker, Os Oráculos de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 42.
[39] Esse testemunho referente à prática reformada em Estrasburgo descreve o canto comunitário de Salmos e orações bíblicas, realizado por homens e mulheres, todos munidos de livros de música, o que reforçava a ideia de participação plena da congregação. O Saltério de Genebra foi concebido justamente para que cada fiel tivesse em mãos um livro de música, permitindo entoar a Palavra de Deus em sua própria língua. A ênfase na participação de todos − sem distinção entre clero e leigos — traduz a visão de Guillaume Farel e João Calvino de que o culto reformado deveria ser comunitário, bíblico e acessível. O canto dos Salmos tornou-se, assim, marca identitária da Reforma, não apenas em Genebra, mas em outras cidades reformadas, substituindo a missa e os cânticos latinos por uma liturgia centrada na Escritura. Esse testemunho evidencia que a prática de cantar salmos e orações bíblicas, com cada pessoa munida de um Saltério, representou não apenas uma inovação litúrgica, mas também um símbolo da nova espiritualidade reformada − simples, participativa e fundamentada na Palavra.
[40]Alfred Erichson, L’Église Française de Strasbourg au seizième siècle d’après des documents inédits, Paris: Librairie Fischbacher, 1886, p. 21-23. Porção desta citação aparece em diversas obras, como por exemplo: T. George, Teologia dos Reformadores, p. 181; John T. McNeill, The History and Charac-ter of Calvinism, New York: Oxford University Press, 1954, p. 147; Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 373; Karin Maag, Adorando com os Reformadores, São Paulo: Cultura Cristã, 2023, p. 13 e 186.
[41]Cf. Thomas Warton, The History of English Poetry, New York: G.P. Putnam & Sons, 1870, p. 731; Karin Maag, Adorando com os Reformadores, São Paulo: Cultura Cristã, 2023, p. 22-23; Dario Araújo Cardoso, O Cântico de Salmos na Igreja Cristã até a Reforma: In: Ciências da Religião: História e Sociedade, São Paulo: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, (9/1, /2011): 26-51.
[42]Martinho Lutero é considerado o fundador da hinologia alemã e o principal incentivador da música na Reforma Luterana, tendo composto cerca de 38 hinos e diversas melodias adaptadas. Em 1524, liderou marcos fundamentais do canto congregacional: o Achtliederbuch (Livro dos Oito Cânticos), primeiro hinário da Reforma, com oito hinos — quatro de sua autoria —, e o Geistlich Gesangbüchlein (Hinário Coral de Wittenberg), elaborado em colaboração com Johann Walther (1495–1570), que reuniu arranjos polifônicos e passou por expansões nas edições de 1529 e 1531.
[43]Os Covenanters foram presbiterianos escoceses que, a partir de 1638, organizaram-se em torno do National Covenant para resistir à imposição do sistema episcopal de governo na Igreja da Escócia. Sustentaram a manutenção do presbiterianismo, conforme fora acordado pelos Parlamentos da Escócia e da Inglaterra, respectivamente em 1638 e 1649. A aliança foi reforçada pelo Solemn League and Covenant (1643), que buscava uniformizar a religião reformada nos três reinos. Cf. Ian B. Cowan, The Scottish Covenanters, 1660-1688, London: Victor Gollancz, 1976, p. 17ss.
[44] Philip Schaff, History of the Christian Church, v. 8, p. 374.
